2.6.11

Antigo toque de sinos em Ovar

Jornal JOÃO SEMANA (1/6/2011)
TEXTO: Paróquia de Ovar

Num caderno datado de 10/3/1945 e intitulado “Apontamentos Festivos”, que pertenceu a António Dias Fernandes, antigo sacristão da Igreja Matriz, estão anotados alguns apontamentos sobre matéria litúrgica, a saber: Ano Eclesiástico, Natal, Festa da Purificação, Quarenta Horas, Quaresma, Domingo de paixão, Ramos, Quarta-feira de Trevas, Quinta-Feira Santa (lava-pés - ofício), Sexta-feira Santa, Sábado Santo, Domingo de Páscoa, Rogações ou Ladainhas, Ascensão, Espírito Santo, Exposições do Santíssimo Sacramento, ofícios de defuntos e toque de sinos.
É este último capítulo que aqui publicamos, como complemento ao texto “Os sinos da Igreja Matriz de Ovar” do mesmo António Dias, publicado no “João Semana” de 15 de Março de 1980. [CLIQUE NO LINK, A AZUL, PARA LER O ARTIGO] 


TOQUE DE SINOS – é todo o movimento regrado dos sinos.

O toque dos sinos pode ser:

1.º Simples; 2.º Composto; 3.º Dobre

Toque simples – é o que é feito só com um sino, e chama-se pique.
Toque composto – é o que é feito com mais do que um sino, e chama-se repique.
Dobre – é o toque em que o sino é voltado de boca ao alto, permanecendo algum tempo nesta posição, tornando depois, sucessivamente, a virar e a parar.
O pique ou toque simples tem por fim chamar os fiéis ou avisá-los de que em breve se vai realizar algum acto religios antes da missa, antes do terço, etc.
O repique ou toque solene simples é o toque alternado e sucessivo de todos os sinos feito por meio de cordas presas aos badalos. É usado nas solenidades religiosas e nacionais, a saber: baptismos, casamentos, enterros de anjinhos, procissões festivas, Exposição do SSmo, Encerração, etc.
O dobre – é simples e composto (ou fúnebre).
Dobre simples – é o que é feito só com um sino, e é usado antes das missas conventuais ou solenes sem Exposição do SSmo., antes dos sermões, antes das Ladainhas ou Preces e nas Procissões em tempo de fome, peste, guerra, etc.
O toque solene composto – é aquele em que, juntamente com o repicar dos sinos, um deles dobra. É usado nas festividades em que há Exposição do SSmo e Vésperas solenes.
Dobre composto ou fúnebre – é o dobre alternado e sucessivo de todos os sinos, usado nos enterros e exéquias.
Corrida de sino – é o espaço de tempo que medeia entre o levantar e o deitar abaixo os sinos.
Todos os sinais fúnebres constam só de uma corrida, excepto o primeiro sinal que se faz após o falecimento de alguma pessoa, e que consta de 7 corridas para os Pontífices e Bispos, de 5 corridas para os sacerdotes, de 3 corridas para os leigos, de 2 corridas para as mulheres, e uma para os menores de ambos os sexos de 7 a 14 anos.
Nas exéquias ou ofícios fúnebres far-se-á um sinal distinto na véspera, em seguida às ave-marias, e, no dia, um sinal às ave-marias, outro antes de começarem os ofícios, outro a Laudes, e outro à absolvição final.
Por falecimento de um sacerdote, todas as corridas são feitas com todos os sinos, tal como o sinal antes de começar o ofício, o sinal a Laudes, e o sinal à Absolvição final. Porém, o sinal para o ofício do 7.º ou 30.º dia, se o houver, será como o dos leigos.

Proibição dos toques fúnebres
I. Aos domingos e dias santificados não se podem tocar os sinos a dobre fúnebre antes de terminar a missa conventual.
II. Estando o SSmo Exposto em qualquer igreja ou capela, não se dará sinal de defuntos senão depois da Encerração.
III. São proibidos os sinais de defuntos desde todo o dia de 5.ª-feira Santa até Domingo de Páscoa, inclusive.
IV. Nos dias de Natal, Páscoa e Espírito Santo não se podem fazer sinais fúnebres, nem mesmo tocar campainhas nos enterros.
Somente é permitido nestes 3 dias fazer-se o sinal se sepultura, mas só ao enterrar-se o cadáver.
V. Nos dias da Epifania (6 de
Janeiro), Ascensão, S. Pedro e S. Paulo (29 de Junho), Assunção (15 de Agosto), Todos os Santos (1 de Novembro), e Imaculada Conceição (8 de Dezembro) podem fazer-se sinais fúnebres, mas só depôs de Vésperas, 2 horas da tarde.

Sinos nas funções religiosas
A missa conventual costuma ser anunciada uma hora antes pelo dobre do sino; meia hora antes de começar por outro dobre; um quarto de hora antes por um pique, e por outro pique ao começar.
Ao fazer-se a Exposição e ao dar-se a Bênção com o SSmo, a Sanctus das missas solenes e conventuais, na celebração dos baptismos e casamentos, e ao passar, entrar e sair uma procissão festiva duma igreja, far-se-á repique festivo.
Os sermões de Quaresma e de Penitência são anunciados pelo dobre do sino de penitência.
Nestas procissões, bem como nas das Ladainhas e Preces, o sino dobra enquanto elas durarem.
Havendo Te Deum, faz-se dobre do sino e repique.

Os sinos também serviam para alertar os Bombeiros em caso de incêndio ou de outra
 catástrofe, indicando-lhes, através do número de badaladas, o lugar do fogo

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Artigo publicado no quinzenário ovarense
JOÃO SEMANA (1 de Junho de 2011)
http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.com (TEXTO N.º 129)

Leia AQUI o artigo “Os sinos da Igreja Matriz de Ovar”, de António Dias Fernandes, publicado no jornal “João Semana” de 15 de Março de 1980. NOTA: Se gostou destes dois artigos pode deixar um comentário. Obrigado pela visita!

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