Jornal JOÃO SEMANA (15/10/1995)
TEXTO: Fernando Pinto
TEXTO: Fernando Pinto
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| Barcos moliceiros na ria de Ovar FOTO: FERNANDO PINTO |
Confesso que quase caí na tentação de ir comprar um postal para ilustrar o meu artigo.
Nos dias que correm, poucos são os barcos que “dormem” nas margens magras da ria. Um sono que só não é eterno porque o turismo e os turistas, felizmente, lá os vão acordando. Quando isso acontece, dá gosto vê-los espreguiçarem-se nas águas espelhadas da ria, num gesto quase humano, como que acabados de acordar de uma noite merecida de descanso.
Nos dias que correm, poucos são os barcos que “dormem” nas margens magras da ria. Um sono que só não é eterno porque o turismo e os turistas, felizmente, lá os vão acordando. Quando isso acontece, dá gosto vê-los espreguiçarem-se nas águas espelhadas da ria, num gesto quase humano, como que acabados de acordar de uma noite merecida de descanso.
Antigamente, os barcos moliceiros eram talhados para o trabalho. Hoje, não passam de simples embarcações de recreio.
As algas é que beneficiaram com esta preguiça involuntária, tomando, pouco a pouco, conta daquilo que foi, outrora, um bonito e perfumado lençol de água, deixando-o, principalmente na maré-baixa, enegrecido e com um aroma nada agradável.
Ao contemplarmos as pinturas que caracterizam as proas e as popas dos barcos moliceiros, onde, normalmente, impera o vermelho, o azul e o amarelo, descobrimos que foram essas “pinturas de guerra” que não deixaram morrer a esperança, despertando a atenção de todos nós.
Dentro dos moliceiros iam, normalmente, mais de duas pessoas. Estas, descaíam os seus corpos na diagonal, e, enquanto caminhavam pelas bordas do barco, mergulhavam lentamente um enorme ancinho na água pouco profunda. Após esta operação, vinha à tona o alimento que iria saciar, mais tarde, as terras de cultivo. Este gesto repetia-se até que o monte de moliço quase fizesse submergir o barco.
O moliceiro encanta-nos com a sua rara beleza… O moliceiro é, e sempre foi, filho legítimo da ria. Sem ele, não teríamos postais com tanta cor para “oferecer” aos forasteiros que por cá passam. Aproveito esta oportunidade para perguntar aos responsáveis pelo desassoreamento da ria:
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| Barcos moliceiros no Areinho, Ovar |
Ao contemplarmos as pinturas que caracterizam as proas e as popas dos barcos moliceiros, onde, normalmente, impera o vermelho, o azul e o amarelo, descobrimos que foram essas “pinturas de guerra” que não deixaram morrer a esperança, despertando a atenção de todos nós.
O moliceiro encanta-nos com a sua rara beleza… O moliceiro é, e sempre foi, filho legítimo da ria. Sem ele, não teríamos postais com tanta cor para “oferecer” aos forasteiros que por cá passam. Aproveito esta oportunidade para perguntar aos responsáveis pelo desassoreamento da ria:
– Quando é que começam a limpar este nosso património?
Ah! Para os que não sabem, o moliceiro “sabe nadar”. Contudo, são precisas mãos “fortes”, calejadas, e muita, muita força de vontade, para limpar a lama que o prende.
É urgente colocá-lo na água. Depois, ele faz o resto…
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| Barcos moliceiros na ria de Ovar: um novo em folha e outro votado ao abandono FOTO: BENJAMIM DE SOUSA E SILVA |
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| Barco moliceiro a precisar de trato, de mãos habilidosas FOTO: BENJAMIM SILVA |
http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.pt/2008/04/onde-e-porque-dormem-os-nossos-barcos_05.html




