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16.11.18

Jornal “João Semana” em festa [no ano do centenário 1914-2014]

Jornal JOÃO SEMANA (01/03/2014)
TEXTO: José Castro

Quando em 1994 terminei a minha carrei­ra de 40 anos no Banco Nacional Ultramarino fui imediatamen­te “repescado” pelo meu amigo Dr. Pires Bastos para voltar a colaborar em atividades paroquiais, as quais tinham sido interrompidas alguns anos antes por motivos profissionais.
Contudo, a minha colaboração na Paróquia remonta aos anos 60, quando fui convidado pelo meu amigo João Costa para fazer parte de um C.P.M. (Centro de Preparação para o Matri­mónio), numa equipa “capitaneada” pelo particular amigo Dr. António José da Silva e os casais: Dr. Tigre, Joaquim Monteiro, Norberto Andrade, Teixeira e o organizador.
José Castro
Quando a organização das bi­lheteiras e entradas do Carnaval – bilheteiras e entradas, ficou à nossa responsabilidade, recaiu em mim centralizar as receitas e, já noite alta, na companhia do José Palhas e com a proteção de dois agentes da P.S.P., transportá-las para a casa-forte do banco, cuja gerência me confiava as chaves para o efeito, a fim de serem depositadas no dia seguinte.
Criado o Estatuto Paroquial, fui chamado por João Costa para colabo­rar com o Grupo de Apoio Paroquial na criação das comissões de rua que efetuavam as respetivas cobranças, casa a casa, no recolhimento e confe­rência dos valores entregues.
Nesta fase da minha colaboração acabei por ficar responsável pela con­tabilidade da Fábrica da Igreja, da qual dava conhecimento aos paroquianos através de um mapa mensal que fazia questão de afixar no átrio da Igreja.
Estamos em 1974, ano em que acabei o meu mandato de Presidente da Junta de Ovar (com S. João de Ovar) e que a minha carreira profissio­nal me obrigava a residir em Lisboa, dada a minha nomeação para o Quadro da Inspeção do Banco e, mais tarde, como gerente e como coordenador, acabando como responsável pela área operacional da Beira Alta, que incluía todas as agências da periferia da Serra da Estrela.
No “João Semana”
Foi por junho de 1994 que, ao saborear um café, se deu o convite do Padre Manuel Pires Bastos.
Senti-me moralmente obriga­do, dado que ia receber em mãos a “herança” que deixei ao meu amigo Armindo Godinho de Almeida quan­do, em 1979, lhe transmiti as mesmas funções.
Ainda vim a tempo da gestão do Jardim Infantil Alvorada, sobre o qual, numa próxima oportunidade voltarei a estas colunas.
Face às funções que passei a desempenhar nos últimos 20 anos, o meu relacionamento com o Sr. P.e Bastos era assíduo, dadas as várias frentes de atuação da Paróquia, prin­cipalmente nas obras da Igreja e no Infantário, que implicavam reuniões frequentes.
Foi nesta fase que observei a sua grande dedicação ao jornal, ao qual dispensava uma parte do dia, ora colhendo elementos, ora participando em reuniões ou eventos das várias agremiações/instituições para que era convidado.
A chegada do meu amigo Dr. Fer­nando Manuel Oliveira Pinto, atual Diretor-adjunto do “João Semana”, foi uma importante ajuda ao Diretor, permitindo, ao mesmo tempo, dar uma lufada de modernismo ao nosso quinzenário.
A minha colaboração no “João Semana” limitava-se a pouca “escrita” e a “emprestar” a minha assinatura na movimentação das contas bancárias, cujo cancelamento solicitei em 2013, quando completei os meus 80 anos de idade, prometendo à minha mulher dar por finda qualquer atividade social, até porque já tinha solicitado ao meu amigo Dr. Oliveira Dias a minha subs­tituição nos corpos sociais da Santa Casa da Misericórdia de Ovar, que servi durante 10 anos.
Termino desejando ao nosso jornal centenário e aos seus colaboradores muitos anos de vida.

Parabéns, “João Semana”.
Obrigado, Padre Bastos.

Artigo publicado no jornal JOÃO SEMANA (1 de março de 2014)
https://artigosjornaljoaosemana.blogspot.com/2018/11/jornal-joao-semana-em-festa-no-ano-do.html

21.3.18

Jornal "João Semana" na Assembleia da República [Lisboa, 21 de fevereiro de 2018]

Jornal JOÃO SEMANA (01/03/2018)
TEXTO: Fernando Pinto

A Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Despor­to da Assembleia da República, em conjunto com a Associação Portuguesa de Imprensa (API), organizou, na manhã de 21 de fevereiro, no Auditório António de Almeida Santos, a conferência parlamentar “A Imprensa Centenária na Assembleia da Repú­blica”. Da parte da tarde, foi inaugurada no piso zero do Palácio de São Bento a exposição “Publicações Centenárias Portugue­sas”, que está patente até ao próximo dia 16 de março, mostra onde figura o jornal "João Semana".

O Diretor do "João Semana" (à esquerda), com António Poças e Aníbal dos Santos Gomes,
na exposição inaugurada no Palácio de São Bento
O "João Semana" – periódico ovarense fundado em 1 de janeiro de 1914, pertencente à Associação de Imprensa e Inspiração Cristã – foi um dos 33 títulos homenagea­dos pela Assembleia da República. 
A representar a equipa do "João Semana" esteve o padre Ma­nuel Pires Bastos (diretor), o jor­nalista vareiro Fernando Manuel Oliveira Pinto (diretor-adjunto), e os colaboradores diácono António Carvalho Teixeira Poças e enfer­meiro Aníbal dos Santos Gomes.

Fernando Pinto (diretor-adjunto do "João Semana"), ladeado por António Poças e Aníbal Gomes, na escadaria da Assembleia da República (foto de Manuel Pires Bastos)

“A Imprensa Centenária na Assembleia da República”
A conferência parlamentar que decorreu no Auditório Antó­nio de Almeida Santos, iniciativa da responsabilidade da deputada Edite Estrela e de João Palmei­ro, presidente da Direção da API, teve como objetivo sublinhar a importância da imprensa portuguesa, neste caso particular o excelente trabalho desenvolvido pelos jornais centenários.


A candidatura destes pe­riódicos a Património Cultu­ral Imaterial, "que já conta com o apoio do Presidente da República", como lem­brou Edite Estrela na sessão de abertura, "não deixará de contar também com o apoio do Parlamento português", como foi confirmado pe­los representantes dos vá­rios Grupos Parlamentares que estiveram presentes na sessão de encerramento da conferência (Diana Ferreira, do PCP, Jorge Campos, do BE, Susa­na Lamas, do PSD, Carla Sousa, do PS, e Vânia Dias da Silva, do CDS-PP, na foto).


"A exposição e esta confe­rência inserem-se nas atividades do Ano Português de Imprensa [2017/2018], e o Ano Português da Imprensa insere-se no Ano Eu­ropeu do Património [2018]", lem­brou João Palmeiro (na foto, em baixo, à direita). Para o presidente da API, "o que se deverá traduzir no Património Cultural Imaterial é a confiança que os leitores ain­da sentem por estas publicações, numa época em que proliferam as fake news (notícias falsas)".


Carlos Correia e Irene Tomé (docentes da Universidade Nova de Lisboa), António Valdemar (jornalista e investigador) e Artur Anselmo, presidente da Academia das Ciências, foram convidados a debater o tema "Publicações Cen­tenárias Portuguesas/Património Imaterial Cultural".
Carlos Correia falou "sobre a emergência dos chamados siste­mas digitais, da transição entre o analógico e o digital, o local e o global, a que apelidou de “glo­cal”). A sua colega Irene Tomé abordou "a emergência do as­sociativismo, os seus percursos, entrecruzando com os aspetos políticos e socioeconómicos, par­ticularizando o associativismo de Imprensa, que se espelhou na publicação de jornais, quer o país vivesse ou não em períodos so­ciopolíticos conturbados".
António Valdemar [na foto] deu a co­nhecer um pouco da história da imprensa centenária portuguesa e alguns dos seus rostos, e terminou a sua intervenção referindo que este evento "permitiu uma reflexão necessária em torno das questões essenciais relativas ao futuro da Comunicação Social e, ao mesmo tempo, uma tomada de consciên­cia e um alerta em relação às difi­culdades e incertezas com que se debate este setor, que requer solu­ções adequadas e urgentes".
Artur Anselmo, presidente da Academia das Ciências, partilhou alguns episódios sobre a colabo­ração de Camilo Castelo Branco como primeiro redator do jornal centenário mais antigo do conti­nente, "A Aurora do Lima” (1855).
Concluído o debate, Carlos Eugénio, diretor executivo da Vi­sapress, entidade que patrocinou a exposição dos jornais centená­rios, falou sobre a importância dos Direitos de Autor.

Exposição “Publicações Centenárias Portuguesas”
Após o almoço oferecido aos jornalistas, foi inaugurada nos corredores do Palácio de S. Bento a exposição “Publicações Cente­nárias Portuguesas”, evento que presta homenagem aos 33 títulos portugueses que se publicam há mais de um século sem interrup­ção, mostra que pode ser vista até ao dia 16 de março.


Para além do "João Semana", os jornais “Açoriano Oriental” (1835), "Diário de Notícias" (1864), "Jornal de Notícias" (1888) e "Correio da Feira" (1897) são alguns dos títulos que testemunham a história da sua região, de Portugal e do Mundo.
Edite Estrela (na foto) lembrou que os jornais centenários só se mantêm vivos porque se renovam, reinventam, para corresponderem às expetativas dos públicos.


Artigo publicado no jornal JOÃO SEMANA (1 de março de 2018)
https://artigosjornaljoaosemana.blogspot.pt/2018/03/jornal-joao-semana-na-assembleia-da.html

14.11.13

“João Semana” - Centenário à vista – Os Fundadores

Padres Manuel Lírio e José Ribeiro de Araújo,
fundadores do jornal “João Semana"
Centenário do “João Semana” (1 de janeiro de 2014). É tempo de recordar os seus fundadores, dois sacerdotes que ilustraram a terra de Ovar através da sua cul­tura e do empenho que puseram na defesa do património histórico e religioso vareiro.
O Padre José Ribeiro de Araú­jo, nascido em 1883 – há 130 anos – terá sido o impulsionador da fundação do jornal, cuja ideia foi fruto da vocação literária e jornalística do Padre Manuel Lírio, nascido dois anos antes, e da necessidade de enfren­tarem o período crítico que a Igreja vivia, nessa altura, no nosso país. Um e outro escreveram e lutaram juntos, ao longo de 39 anos, até 1953, quando terminaram o seu percurso terreno: o segundo de­les em 6 de junho, com 72 anos de idade, e o primeiro em 19 de novembro, com 69 anos.
Tê-los-emos sempre presentes.

Manuel Pires Bastos

Padre José Ribeiro de Araújo (1883/1953)
Jornal JOÃO SEMANA (15/06/2013)
Padre José Ribeiro de Araújo
(Padre Cura)
TEXTO: Joaquim Fidalgo

Pesquisava na minha biblioteca de família quando deparei com um livro litúrgico (Rituale Romanum editado em 1907), com a assinatura do Padre José Ribeiro de Araújo datada de 1908, ano da sua orde­nação sacerdotal, e contendo, no seu interior, uma memória do seu falecimento, ocorrido em 6/6/1953.
Quem foi este sacerdote? De onde era natural? Que semente dei­xou na comunidade vareira?
Nasceu em Perosinho, Vila Nova de Gaia, em 14/11/1883, filho de Joaquim Ribeiro de Araújo e de Ermelinda Domingues Coelho. Ordenado sacerdote em 25/10/1908 por D. António Barroso, Bispo do Porto, de quem corre o processo de canonização, requereu licença para celebrar missa em 30/10/1908.
Vindo para Ovar em 1909, como coadjutor do abade Dr. Alberto de Oliveira e Cunha, natural da Murtosa (1858-1936), tomou o encargo da capelania do Sobral e, a partir daí, desenvolveu um trabalho profícuo na comunidade vareira, restaurando a Congregação Mariana (1921), fundando a associação das Damas de Caridade (1923), convertida, em 1945, na Conferência Feminina de S. Vicente de Paulo, e, em 1924, o grupo de escuteiros, reorganizado e oficializado como Grupo N.º 66 (atual 549 do Corpo nacional de Escutas).
Porque os primeiros anos da Primeira República criaram cliva­gens com a Igreja Católica, nomea­damente pela confiscação dos bens eclesiásticos e pela lei de separação de poderes Igreja-Estado, fazia falta nas casas ovarenses uma publicação de inspiração cristã que defendesse os valores espirituais que estavam a ser beliscados pelo novo governo. Aqueles dois jovens padres, saídos há pouco do Seminário com uma mão cheia de projetos, fundam o jor­nal "João Semana" (celebra 100 anos em 1 de janeiro de 2014), cujo título foi adotado como homenagem ao Dr. João José da Silveira (1812-1896), figura típica de Ovar imortalizada em “As Pupilas do Senhor Reitor” e que revivemos nestes 150 anos das comemorações da chegada de Júlio Dinis a Ovar.
O Padre Cura, como era conhe­cido, colaborou no Almanaque de Ovar, e publicou no “João Semana”, a partir de 1945, artigos de história local que, em 1952, deram origem ao livro Poalhas da História da Fre­guesia e Igreja de Ovar. Já em 1920 publicara Monografia de Perosinho.
Sacerdote exemplar e prestante cidadão, serviu dignamente a Igreja e a vila de Ovar, ao longo de 44 anos, quer no exercício da sua missão pastoral, quer como professor no Colégio Ovarense e orientador da juventude no Escutismo.
Faleceu na sua casa, na rua Vis­conde de Ovar, em 6/6/1953, sendo sepultado em jazigo familiar no cemitério de Ovar, cujo município atribuiu o seu nome a uma rua.

Para realizar este trabalho pesquisei os jornais “João Semana” (1953), “Notí­cias de Ovar” (1953, e revista “Dunas” (n.º 7 de 2007), e solicitei informações ao Arquivo Diocese do Porto.


Padre Manuel Rodrigues Lírio (1881/1953)
Jornal JOÃO SEMANA (15/06/2013)
TEXTO: Fernando Pinto

Numa tarde, em casa do meu pri­meiro Diretor, José Manuel Ferreira Casaca, enquanto fazíamos as últimas emendas no seu futuro livro “A Re­gião de Entre-os-Rios”, falámos um pouco do jornal “João Semana” e dos seus fundadores, Padres Ribeiro de Araújo e Manuel Lírio. O Sr. Casaca, Diretor deste quinzenário desde 1976 a 2000, foi uma das pessoas que me fi­zeram entender quanto este periódico deveria ser mais acarinhado pela co­munidade vareira. (No dia 24 de junho faz 9 anos que este nosso amigo par­tiu. Se estivesse entre nós, completaria 80 primaveras no dia 6 de outubro).
Tal como o Sr. Casaca, o Padre Lírio dava muita importância à histo­riografia local, porque um povo sem memória é um povo triste e pobre.
Lápide da sua sepultura do Padre Manuel
Rodrigues Lírio (Cemitério de Ovar)
Para além de ter sido sacerdote, o Padre Lírio foi professor, jornalista, his­toriador e poeta. Nasceu na Lagoa de S. Miguel a 23 de agosto de 1881, e faleceu na sua residência, em Ovar, vai fazer 60 anos no próximo dia 19 de novembro (e não a 14, como vem mencionado na Monografia e Dicioná­rio da História de Ovar). 
Na lápide da sua sepultura esqueceram-se de colo­car o dia da sua morte. Como vem escrito na edição de 26/11/1953 do “Notícias de Ovar”, apesar das po­lémicas em que esteve envolvido – foi preso por defender a causa monárqui­ca –,“a terra sagrada que o cobre não ocultará o prestígio do seu nome”.
Em 1918, no texto que abriu, quatro anos mais tarde, a sua obra “Os Passos de Ovar”, contava em “duas palavras”:
“Fomos um dia (...) à capela do Calvário, em cata de um livro velho (...). Nas suas primeiras páginas divi­sáramos então, sem lhe ligarmos gran­de importância, uma lista de padres ovarenses muito extensa (...). A nossa curiosidade, porém, que já se não sa­tisfazia só com a vista do abandonado calhamaço, que lá continuava coberto de pó e bolor no seu conhecido poiso, levou-nos a rebuscar outros, a reme­xer, a procurar. (...)”.
Ao longo da sua vida, o Padre Lí­rio encontrou outros tantos livros e do­cumentos preciosos para a preservação da história daquela secular Irmandade dos Passos, alguns dos quais se encon­tram nas mãos de particulares. Seria importante que esse espólio estivesse ao alcance dos investigadores.
Para além destas obras, o Padre Lírio deixou-nos, entre outros, os seguintes títulos: Almanaque de Ovar e Monumentos e Insti­tuições Religiosas (subsídios para a história de Ovar), e Memórias Anedó­ticas de In Illo Tempore. 

Artigos publicado no jornal JOÃO SEMANA (15 de junho de 2013)
http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.pt/2013/11/joao-semana-centenario-vista-os.html

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