1.10.17

"Foi assim que foram. A história possível dos Alegre de 570 a 2015", obra de Manuel Alegre

Engenheiro Manuel Alegre
Deixando, em idade de reforma, a sua vida ativa, até então gasta em tarefas rudes do mundo profissional – engenheiro especializado em segurança no trabalho e no campo da hidráulica (Ponte de São João e Metro do Porto, portos e caminhos de ferro no Algarve, e instrução nacional de Patrões do Alto Mar), Manuel Domingos Alegre de Almeida Silva – Manuel Alegre para os amigos – não cruzou os braços nem pôs freio ao seu talento empreendedor. 
Habituado ao prazer de velejar e de escalar montanhas, aventurou-se decididamente a estruturar o mundo enredado mas sedutor da investigação genealógica, na tentativa de descobrir as suas origens e os horizontes que envolveram e moldaram a vida dos seus antepassados.
O autor sustenta que há três ramos na família Oliveira Alegre de Ovar, constituídos a partir de três irmãos, Teresa, Ventura e José Oliveira Alegre, nascidos de Francisco Oliveira Alegre e de sua esposa Andresa Maria Santos, sendo esta filha do capitão Afonso da Costa Soares de Albergaria e de Teodora Santos, entroncando, portanto, em família da nobreza antiga, com repercussão para além das fronteiras pátrias. M. P. B. (texto da 1.ª pág.)

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Jornal JOÃO SEMANA (01/10/2017)
TEXTO: Fernando Pinto

«Mais do que um simples encadeamento de nomes, que a ninguém ou a muito pouco interessados diria alguma coisa, foi julgado mais interessante e, sempre que possível, juntar a esses nomes datas, factos e histórias que os transformem em pessoas com significado.» (Manuel Alegre)

Lançada no Museu de Ovar, na tarde de 16 de setembro, a obra Foi assim que foram. A história possível dos Alegre de 570 a 2015, da autoria do engenheiro Manuel Domingos Alegre de Almeida  Silva, só veio a lume graças ao apoio de Acácio Coelho, empresário de Cortegaça, um dos poucos mecenas de concelho de Ovar. 
"Trabalhei sozinho durante sete anos. Depois, esta minha obra esteve dois anos em banho-maria, até que, se não fosse este senhor que está aqui presente, o Sr. Acácio Coelho, eu não conseguia publicar este trabalho, porque a impressão dos livros custa milhares de euros", adiantou Manuel Alegre, virando-se para o empresário de Cortegaça, que abriu a sessão partilhando com as pessoas que enchiam a Sala dos Fundadores do Museu de Ovar alguns pormenores da sua família, avós paternos e maternos, bem como um episódio da sua passagem por terras de África.
"Esta tua solidariedade, Manel, trouxe-me até ti, por isso estou aqui, dando-te os meus parabéns pela obra fantástica que realizaste", disse Acácio Coelho.

Acácio Coelho, empresário de Cortegaça que apoiou a obra de Manuel Alegre


Professor Rui Lourenço

António Soares Albergaria
A obra de Manuel Alegre, como explicou Rui Lourenço Gil, Professor da Universidade Católica Portuguesa, é apresentada em três livros e um CD: o 1.º volume trata dos Alegres migrados para Tentúgal e para o Porto, nomeadamente para a Foz do Douro e para Lordelo do Ouro, e alguns destes migrados para o Brasil; o 2.º volume (II parte) aborda os Alegres que foram para Lavra, vila do concelho de Matosinhos; o 3.º volume (III, IV partes e anexos) fala dos Alegre que permaneceram em Ovar, embora alguns tenham depois migrado para os Estados Unidos e Brasil (III parte), abordando o tronco comum de todos estes ramos do Alegre, que entronca  na família Soares Albergaria, tema que foi abordado por António Soares Albergaria, apaixonado pela Genealogia; os anexos oferecem a genealogia do novo ramo Soares de Albergaria e a participação dos Oliveira Alegre na Primeira Guerra Mundial; e o CD traz documentos, como folhas de assentos (nascimentos e óbitos).
Para o Professor Rui Lourenço, este relato genealógico da família Alegre "é uma história com histórias pessoais e de circunstâncias de vida", porque não é apenas dos Alegres, mas de todas as famílias colaterais com quem os Alegres estabeleceram relações conjugais. "Em rigor, é de uma das famílias Alegre de Portugal, porque não foi possível ao autor, por muito esforço que tenha feito, estabelecer nexo com pelo menos mais duas linhas de famílias Alegre, daí o subtítulo da obra", disse o Professor Rui Lourenço.

Rui Lourenço, Inês Amorim, Manuel Alegre, Domingos Silva, Pedro Braga da Cruz,
padre Manuel Pires Bastos e Acácio Coelho, na Sala dos Fundadores do Museu de Ovar,
durante a apresentação da obra


Padre Manuel Pires Bastos
Este trabalho exaustivo do engenheiro Alegre narra "histórias de pessoas pobres e de pessoas ricas", tinha afirmado, minutos antes, na sua fecunda intervenção, Inês Amorim, Professora do Departamento de História da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. "Quando está a falar de determinado personagem, o autor, a certa altura, apercebe-se de que ele foi piloto de um barco, e lá anda atrás das fotografias dos naufrágios, dos passageiros, das mulheres, que, normalmente, não são faladas, nem têm nada, aparentemente, a dizer. No entanto, compila-as, entrevista-as, mostra as fotografias e apresenta estas histórias." 
Segundo o P.e Bastos, estamos aqui perante uma obra de peso: "Não a pesei, mas, segundo informações, são cerca de 6 kg de sabedoria e de história, muito ligada à comunidade vareira. Toda a gente já ouviu falar das varinas, dos mercantéis, da gente ligada à pesca." O pároco local, também ele historiador, lembrou que "muitas das coisas que são ditas nesta obra estão nos livros paroquiais de Ovar, que são dos mais antigos, de 1588. 
Manuel Alegre começou por agradecer ao diretor do Museu, Manuel Cleto, e a todos os amigos que vieram de longe para assistirem a esta apresentação.


"Cheguei a trabalhar 10 horas por dia nisto, até aos sábados e domingos. Comecei pelos livros paroquiais, depois fui comprar tudo o que era monografias dos sítios; na Casa dos Pescadores de Matosinhos tive acesso a uma coisa que o Estado Novo fazia, ou seja, não havia pescador nenhum que habitasse num bairro social que não  fosse fichado, e essas fichas são uma base de dados espetacular; os jornais, os livros, os diários náuticos, os sítios na Internet.. Até andei nos cemitérios! Este meu trabalho foi uma caderneta de cromos", disse Manuel Alegre.


Durante uma hora, o engenheiro deu uma aula de genealogia (e de náutica, como se pode comprovar na foto, em que explica o código internacional de sinais utilizado pela navegação marítima e que serve de comunicação entre dois ou mais navios).
Manuel Alegre referiu ainda que os seus antepassados começaram a "saltar daqui para fora" devido à fome (escassez de sardinha) e ao paludismo (febre dos pântanos da Ria).

Américo Oliveira canta a canção "Ovar", evocativa dos valores vareiros,
 acompanhado ao piano pelo P.e Manuel Pires Bastos

Também marcaram presença na sessão Pedro Braga da Cruz, presidente do Conselho de Administração do Porto de Aveiro, e da Assembleia da Câmara Municipal de Ovar, amigo e colega de curso de Manuel Alegre (a quem coube o papel de mediador do encontro), Domingos Silva, vice-presidente da CMO, entre muitos ovarenses e amantes desta ciência chamada Genealogia.


Francisco Rafael Pinto, filho da pianista vareira Cristina Santos

O evento foi abrilhantado por trechos musicais interpretados pela pianista vareira Cristina Santos e seus talentosos filhos Francisco Rafael e Maria Pinto.


Recorde-se que Manuel Alegre tinha dado, em 28 de agosto de 2014, no Museu de Ovar, uma palestra sobre a "Família Marage", texto que pode ser consultado na Internet, em http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.pt/2015/01/marage-uma-familia-do-mar.html




FOTOS: Jornalista Fernando Pinto
VÍDEO: António Valente - MONTAGEM: Fernando Pinto

Artigo publicado no jornal JOÃO SEMANA (1 de outubro de 2017)

2 comentários:

Manuela disse...

Boa noite,
Descendo da Teresa de Oliveira Alegre, irmã do José e Ventura de Oliveira Alegre, que casou com Manuel Rodrigues Aleixo. No assento de casamento de Teresa, diz que seus avós maternos são António Afonso e Teodora dos Santos, mas ainda não consegui recuar mais.
Gostei imenso deste artigo, que será útil para o segundo livro que espero poder, ainda, escrever sobre as minhas Raízes.
Cordialmente,
Manuela Castelão Barbosa

Manuela disse...

Sou descendente de Teresa de Oliveira Alegre, c.c. Manuel Rodrigues Aleixo, neta materna de Teodora dos Santos e do Capitão Mór de Estarreja, António Afonso da Costa Pereira Soares de Albergaria. Muito interessada em genealogia, venho a "construir" a genealogia da minha família há uns 4 anos, tendo publicado um livro com tudo o que encontrei (edição muitíssimo limitada e particular.
Tenho por tudo isto, um interesse muito particular, em contactar com o Engº Manuel Alegre e muito gostaria que me dissessem como o posso fazer.
Cordialmente,
Manuela Castelão Barbosa