TEXTO: Fernando Pinto
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| A moega e a moenda |
A moega é a peça de moinho constituída por uma caixa de
madeira (vasilha) em forma de pirâmide invertida, com um orifício no vértice
por onde sai, regulado, o grão para a moenda (pedra superior, redonda e
giratória, mais conhecida por mó, na qual se trituram os cereais ou outros
produtos nos moinhos).
Na década de 80, ía muitas vezes buscar farinha ao moinho
de José da Silva Pode, na Ponte Reada, para que a minha mãe pudesse fazer pão
num pequeno forno de barro que tínhamos ao fundo do quintal. (Como todas as
crianças, preferia ficar a ver as séries de aventura que passavam na televisão
em vez de ir fazer os habituais recados próprios da minha idade).
Já na companhia do moleiro (moendeiro ou dono da moenda),
com as pernas morenitas enfarinhadas, ficava a ver cair, a conta-gotas, os
grãos de milho da moega para a moenda. Na minha imaginação pareciam pingos
dourados a precipitarem-se do tecto de uma gruta, ou, então, uma espécie de
ampulheta, de relógio feito de grãos de areia. Mas toda aquela espera valia “a
canseira”, já que o cheirinho do pão caseiro a sair do forno fazia crescer água
na boca de qualquer um...
O moinho do Pode, na Ponte Reada, junto à linha de caminho-de-ferro |
As crianças e adolescentes de hoje passam a maior parte
dos seus tempos livres enfiados em casa. Alguns, quando não estão com os olhos
colados na TV, ou no monitor do computador, moem, vezes sem conta, a paciência
aos progenitores. Agora pergunto: quantos pais, nos dias que correm, “fazem
farinha” dos seus filhos?
Fotos: Manuel Pires Bastos (1) e Fernando Pinto (2)
Fotos: Manuel Pires Bastos (1) e Fernando Pinto (2)
Artigo publicado no jornal JOÃO SEMANA (15 DE JUNHO DE 2010)

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