Jornal JOÃO SEMANA (01/10/2000)
TEXTO: Mário Miranda
A Alquilaria Constantino, situada no Largo da Estação dos Caminhos-de-ferro, tinha grande movimento no período da minha infância e até 1932/34, chegando a possuir duas parelhas de cavalos, bem tratados pelo seu cocheiro, José Loureiro, e sempre prontos para levar a Arada ou a S. Vicente os brasileiros que desembarcavam na estação, carregados de malas. O transporte era feito em “charabans”, como então se chamavam.
Por vezes, dada a quantidade de malas, estas tinham de ser bem amarradas, já que as estradas a isso obrigavam. E tudo, depois, lá seguia em ordem, sem que os passageiros tivessem de ficar em terra…
TEXTO: Mário Miranda
A Alquilaria Constantino, situada no Largo da Estação dos Caminhos-de-ferro, tinha grande movimento no período da minha infância e até 1932/34, chegando a possuir duas parelhas de cavalos, bem tratados pelo seu cocheiro, José Loureiro, e sempre prontos para levar a Arada ou a S. Vicente os brasileiros que desembarcavam na estação, carregados de malas. O transporte era feito em “charabans”, como então se chamavam.
Por vezes, dada a quantidade de malas, estas tinham de ser bem amarradas, já que as estradas a isso obrigavam. E tudo, depois, lá seguia em ordem, sem que os passageiros tivessem de ficar em terra…
Ainda me recordo também de este tipo de carruagem ser
utilizado para transportar o médico Dr. Salviano Cunha, pai do saudoso Dr.
Mário Cunha, ao posto médico da estação da C.P.. Só que o Dr. Salviano, pouco
tempo depois, veio a usar como meio de locomoção uma moto, que julgo ter sido a
primeira a chegar a Ovar.
O Sr. Constantino tinha ainda duas “LANDAU”, fechadas com
duas portas laterais e quatro lugares – sendo dois à frente e dois atrás – geralmente
preferidas para casamentos.
Os fins-de-semana estavam sempre ocupados com este género
de serviço, havendo duas parelhas de cavalos, prevendo a hipótese de aparecer
mais do que um casamento. Nunca era por falta de transportes que estes não se
realizavam…
Aos cavalos jamais faltava comida, porque o Sr.
Constantino transaccionava, em quantidade, fardos de palha. Era frequente
receber na estação dos Caminhos-de-ferro vagões de palha vinda do Alentejo.
(Mesmo depois de ter acabado com as carruagens, porque os automóveis lhe vieram
estragar o negócio, a venda de palha continuou ainda durante anos).
Acompanhei muito de perto a azáfama da Alquilaria, tendo
tido oportunidade de conversar, variadíssimas vezes, com o Sr. Constantino, que
tinha sempre diversas histórias para contar acerca da sua movimentada vida,
diariamente ocupada com os cavalos, as carruagens, os cocheiros.
Nas viagens mais distantes, muito além dos limites do
concelho, quase sempre para estrangeiros vindos no caminhos-de-ferro, era ele
que conduzia e quem fixava o custo.
Ainda hoje estão de pé os edifícios da sua residência e
da Alquilaria, que não sofreram alterações.
Na altura, existiam ainda dois “charabans”: um do Realeiro
e outro do Jerónimo. Só que os animais destes não apresentavam o aspecto físico
dos do Constantino, e creio mesmo que não faziam grandes percursos.
Artigo publicado no jornal JOÃO SEMANA (1 de outubro de 2000)
http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.pt/2016/04/a-alquilaria-constantino.html
Artigo publicado no jornal JOÃO SEMANA (1 de outubro de 2000)
http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.pt/2016/04/a-alquilaria-constantino.html










Perfilavam-se na Praça da República [na foto], e não havia horários. A primeira partia, com lotação algumas vezes incompleta. 


