TEXTO: Raquel Elvas(*)
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| Imagem de S. Cristóvão (séculos XV/XVI), muito deteriorada, de que será feita uma réplica que passará a ocupar o nicho da fachada, guardando-se a antiga |
Está, como então foi anunciado, em fase de restauro. Em terras de Ovar. E nas mãos de uma técnica vareira, Raquel Elvas, especialista na matéria, que nos forneceu uma informação actualizada sobre o seu trabalho. Ela aqui fica, para conhecimento de todos.
“Está a ser alvo de intervenção pelo Atelier de Conservação e Restauro do Núcleo Museológico de Arada, a escultura de S. Cristóvão da Igreja Matriz de Ovar.
Tratando-se de uma escultura em pedra de Ançã, calcário muito poroso, com baixa resistência mecânica e elevado coeficientes de absorção de água, desde logo possui elevada susceptilidade aos agentes de alteração.
Depois de um diagnóstico ao seu estado de conservação, concluiu-se que os principais agentes de alteração da escultura têm a sua origem na cristalização de sais minerais patentes no seu interior, provocando danos mecânicos que se manifestam através de lascagem, escamação, esfoliação, pulverização, etc., e que se traduzem por fortes transformações na aparência da superfície. Foram detectadas uma série de lacunas e várias lacunas de material pétreo, assim como inúmeros repintes e preenchimentos resultantes de intervenções anteriores.
A intervenção de conservação rege-se pelo princípio da intervenção mínima, limitando-se esta ao estritamente necessário, respeitando a obra no seu aspecto estético e histórico, bem como na sua matéria original. Os tratamentos realizados e a realizar pretendem eliminar ou estabilizar os fenómenos de deterioração que a vêm prejudicando.
A intervenção iniciou-se com uma limpeza mecânica da peça, para remoção de sujidades superficiais (poeiras, teias de aranha, dejectos de pombos, etc.); remoção mecânica (a bisturi) dos inúmeros repintes existentes, tentando tornar visível a maior área de policromia original; e uma limpeza química de algumas manchas de origem biológica existentes.
O tratamento em curso é a extracção de sais solúveis, através da aplicação de pachos de pasta de papel embebidos em água desionizada, em toda a superfície da escultura.
Quando este tratamento for concluído, irão ser preenchidas todas as fissuras, procedendo-se à consolidação da escultura, melhorando a sua resistência mecânica ao introduzir modificações na sua estrutura interna, dificultando também o acesso e migração interna da água e soluções salinas prejudiciais.
Segue-se a fixação da policromia que se encontrar em destacamento, e a aplicação de uma camada de protecção, caso se verifique que o produto usado na consolidação apresenta um grau de hidro-repelência satisfatório”. (*) Técnica de Conservação e Restauro
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| Imagem de S. Cristóvão na frontaria da Igreja Matriz de Ovar FOTO TIRADA NOS ANOS 90, DA AUTORIA DE FERNANDO PINTO |
Artigo publicado no jornal JOÃO SEMANA (1 DE JANEIRO DE 2007)


