| Engenheiro Manuel Alegre |
Habituado ao prazer de velejar e de escalar montanhas, aventurou-se decididamente a estruturar o mundo enredado mas sedutor da investigação genealógica, na tentativa de descobrir as suas origens e os horizontes que envolveram e moldaram a vida dos seus antepassados.
O autor sustenta que há três ramos na família Oliveira Alegre de Ovar, constituídos a partir de três irmãos, Teresa, Ventura e José Oliveira Alegre, nascidos de Francisco Oliveira Alegre e de sua esposa Andresa Maria Santos, sendo esta filha do capitão Afonso da Costa Soares de Albergaria e de Teodora Santos, entroncando, portanto, em família da nobreza antiga, com repercussão para além das fronteiras pátrias. M. P. B. (texto da 1.ª pág.)
«Mais do que um simples encadeamento de nomes, que a ninguém ou a muito pouco interessados diria alguma coisa, foi julgado mais interessante e, sempre que possível, juntar a esses nomes datas, factos e histórias que os transformem em pessoas com significado.» (Manuel Alegre)
Lançada no Museu de Ovar, na tarde de 16 de setembro, a obra Foi assim que foram. A história possível dos Alegre de 570 a 2015, da autoria do engenheiro Manuel Domingos Alegre de Almeida Silva, só veio a lume graças ao apoio de Acácio Coelho, empresário de Cortegaça, um dos poucos mecenas de concelho de Ovar.
"Trabalhei sozinho durante sete anos. Depois, esta minha
obra esteve dois anos em banho-maria, até que, se não fosse este senhor que
está aqui presente, o Sr. Acácio Coelho, eu não conseguia publicar este
trabalho, porque a impressão dos livros custa milhares de euros", adiantou
Manuel Alegre, virando-se para o empresário de Cortegaça, que abriu a sessão
partilhando com as pessoas que enchiam a Sala dos Fundadores do Museu de Ovar
alguns pormenores da sua família, avós paternos e maternos, bem como um
episódio da sua passagem por terras de África.
"Esta tua solidariedade, Manel, trouxe-me até ti, por isso estou aqui, dando-te os meus parabéns pela obra fantástica que realizaste", disse Acácio Coelho.
| Professor Rui Lourenço |
| António Soares Albergaria |
Para o Professor
Rui Lourenço, este relato genealógico da família Alegre "é uma história
com histórias pessoais e de circunstâncias de vida", porque não é apenas
dos Alegres, mas de todas as famílias colaterais com quem os Alegres estabeleceram relações conjugais. "Em rigor, é de uma das famílias Alegre
de Portugal, porque não foi possível ao autor, por muito esforço que tenha
feito, estabelecer nexo com pelo menos mais duas linhas de famílias Alegre, daí
o subtítulo da obra", disse o Professor Rui Lourenço.
| Rui Lourenço, Inês Amorim, Manuel Alegre, Domingos Silva, Pedro Braga da Cruz, padre Manuel Pires Bastos e Acácio Coelho, na Sala dos Fundadores do Museu de Ovar, durante a apresentação da obra |
| Padre Manuel Pires Bastos |
Segundo o P.e Bastos, estamos aqui perante uma obra de peso:
"Não a pesei, mas, segundo informações, são cerca de 6 kg de sabedoria e
de história, muito ligada à comunidade vareira. Toda a gente já ouviu falar das
varinas, dos mercantéis, da gente ligada à pesca." O pároco local, também
ele historiador, lembrou que "muitas das coisas que são ditas nesta obra
estão nos livros paroquiais de Ovar, que são dos mais antigos, de 1588.
Manuel
Alegre começou por agradecer ao
diretor do Museu, Manuel Cleto, e a todos os amigos que vieram de longe para
assistirem a esta apresentação.
"Cheguei a trabalhar 10 horas por dia
nisto, até aos sábados e domingos. Comecei pelos livros paroquiais, depois fui
comprar tudo o que era monografias dos sítios; na Casa dos Pescadores de
Matosinhos tive acesso a uma coisa que o Estado Novo fazia, ou seja, não havia
pescador nenhum que habitasse num bairro social que não fosse fichado, e essas fichas são uma base de
dados espetacular; os jornais, os livros, os diários náuticos, os sítios na
Internet.. Até andei nos cemitérios! Este meu trabalho foi uma caderneta de
cromos", disse Manuel Alegre.
Durante uma hora, o engenheiro deu uma aula
de genealogia (e de náutica, como se pode comprovar na foto, em
que explica o código internacional de sinais utilizado pela navegação marítima
e que serve de comunicação entre dois ou mais navios).
Manuel Alegre referiu ainda que os seus antepassados
começaram a "saltar daqui para fora" devido à fome (escassez de
sardinha) e ao paludismo (febre dos pântanos da Ria).
| Américo Oliveira canta a canção "Ovar", evocativa dos valores vareiros, acompanhado ao piano pelo P.e Manuel Pires Bastos |
Também marcaram presença
na sessão Pedro Braga da Cruz, presidente do Conselho de Administração do Porto
de Aveiro, e da Assembleia da Câmara Municipal de Ovar, amigo e colega de curso
de Manuel Alegre (a quem coube o papel de mediador do encontro), Domingos Silva, vice-presidente da
CMO, entre muitos ovarenses e amantes desta ciência chamada Genealogia.
O evento foi abrilhantado por trechos musicais interpretados pela pianista vareira Cristina Santos e seus talentosos filhos Francisco Rafael e Maria Pinto.
| Francisco Rafael Pinto, filho da pianista vareira Cristina Santos |
O evento foi abrilhantado por trechos musicais interpretados pela pianista vareira Cristina Santos e seus talentosos filhos Francisco Rafael e Maria Pinto.
Recorde-se que Manuel Alegre tinha dado, em 28 de agosto
de 2014, no Museu de Ovar, uma palestra sobre a "Família Marage", texto que pode ser consultado na Internet, em http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.pt/2015/01/marage-uma-familia-do-mar.html
FOTOS: Jornalista Fernando Pinto
VÍDEO: António Valente - MONTAGEM: Fernando Pinto
Artigo publicado no jornal JOÃO SEMANA (1 de outubro de 2017)
