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4.11.10

Os velhos tempos das fontes

Jornal JOÃO SEMANA (15/8/2005)

TEXTO: Mário Miranda

Já lá vai o tempo do Presidente Polónia, em que todas as fontes e chafarizes funcionavam em pleno e em que não havia água imprópria para consumo. Tudo estava bem conservado e limpo. (Dizia-se que a água da Rua da Fonte e a do Casal eram as melhores.)

A fonte que deu o antigo nome à actual Rua Alexandre Herculano
Também havia o chafariz na Rua Dr. José Falcão mais concretamente na entrada do Lamarão , o dos Campos e o da Ponte Nova, bem como as fontes das Luzes, dos Pelames, dos Combatentes e da Madria, e claro, o chafariz da Praça, que fornecia toda a parte central.
Quanto a água, embora não estivéssemos muito bem, pode dizer-se que, para o tempo, remediava, já que, de uma maneira geral, quase todas as famílias tinham poço. (Ovar era composta de casas baixas, vindo longe o sonho de casas em altura e, evidentemente, de apartamentos.)
A propósito do chafariz da Praça, recordo episódios passados durante o Carnaval com o nosso saudoso João Salvador. Brincalhão por natureza, naquela altura comprava uns quilos de rebuçados, que atirava às pernas das mulheres que de toda a área próxima vinham ao chafariz, de cântaro à cabeça, para se abastecerem.
Acontecia que os miúdos, para apanharem os rebuçados, metiam-se no meio das pernas das mulheres que, zás, lhes atiravam com o cântaro para cima.
Quem se ria com a garotice era o sempre bem disposto – ou ele não fizesse parte dos “Camandrios” –, o bonacheirão do João Estarreja, com olaria no Alto de Saboga, onde aqueles cântaros eram fabricados...
Mas deixemos de brincadeiras e vamos a coisas mais sérias.
Logo que chegou à Presidência da Câmara, o saudoso Carlos Silva deu, de imediato, continuidade à instalação de águas para toda a vila, fazendo, inclusive, um contrato com um técnico dos Serviços Municipalizados de Águas do Porto para orientar todos os trabalhos em construção. Assim, com Carlos Silva, Ovar teve, pela primeira vez, água canalizada, água que, na altura, foi considerada a melhor do país.

Fonte Júlio Dinis
Mas o que me fez aqui vir recordar as fontes é o trabalho de restauro mandado fazer nessa altura, fixando em todas elas azulejos com quadras apropriadas, e na do Casal, também a imagem de Júlio Dinis.
Nos nossos dias, todas as fontes estão completamente abandonadas.
Lembro a das Luzes, cheia de silvas, num local onde os restos de cinco moinhos em declive, se apresentam com o aspecto de total abandono, bem perto de um hotel que recebe turistas estrangeiros…
Esse local, se fosse bem aproveitado – a fonte, ao menos algum dos moinhos, e a antiga levada –, poderia torna-se um recanto aprazível, complementando a parte poente, já intervencionada.
Mas às vezes fico a pensar se os responsáveis têm razão ou não em investirem neste sector. É que tive conhecimento de que há pouco, no Areinho, uns energúmenos, a altas horas da noite de um fim-de-semana, ao saírem das discotecas, esfaquearam todos os sacos de lixo ali depositados, espalhando pelo chão o seu conteúdo, num acto que revela falta de maturidade (de cultura e de educação, nem falar!).
Destas acções, que dirão as mamãs dos insurrectos?...

Artigo publicado no quinzenário ovarense
JOÃO SEMANA (15 de Agosto de 2005)

18.5.08

Fontes que choram de mágoa

Jornal JOÃO SEMANA (15/11/2002)
TEXTO: Fernando Pinto

A cidade de Ovar, para além do Carnaval e do famoso Pão-de-ló, também é conhecida por ser um Museu vivo do Azulejo.
Encontrámos, há dias, muitos painéis de azulejo num pranto que metia dó. Não, não foi numa dessas fachadas que acabam por ir abaixo depois de lhe serem retirados os cobiçados ladrilhos… Foi na fonte situada na Rua Dr. João Semana, perto das Luzes, fonte que agora está seca e cuja água conspurcada apenas sacia a sede ao lodo.

Fonte, que choras de mágoa,
Como tu é a dor do Mundo.
Começa num fio de água
E acaba num mar profundo.


Lindos versos, os que se encontram na quadra que faz companhia à fonte. Só é pena estarem, também eles, ao abandono, tapados por um mar de silvas, como se pode ver na foto.
Quem é que pode fazer alguma coisa pela frescura das fontes vareiras? Faltam ideias para acabar com este desmazelo? Que não seja por isso: primeiro, começávamos por limpar as silvas e o lixo ali depositado. E não é assim tão pouco! As quadras tornar-se-iam, deste modo mais legíveis, não tão “picantes” para quem as quisesse ler com os olhos e não com o auxílio das mãos desprotegidas.
Depois limpávamos os granitos, substituíamos as pedras partidas, picávamos a parede e colocávamos argamassas novas. Os azulejos que estivessem danificados seriam trocados por réplicas e procederíamos ao restauro dos “quase sãos” no próprio local, caso o cimento-cola que os segura deixasse, é claro. (É um erro colá-los com este material, porquanto a remoção torna-se, depois, quase impossível).
Para que não viesse a acontecer um acidente, principalmente com as crianças que se aproximam das nossas fontes, colocaríamos um gradeamento de ferro forjado, desse que embeleza algumas varandas vareiras. É que o perigo espreita a todo o instante… Depois, era só deixar a água correr. O resto dos procedimentos deixamo-los para quem sabe…
Fica aqui o nosso alerta para que olhem um pouco mais pelo nosso património.

Artigo publicado no jornal JOÃO SEMANA (15 DE NOVEMBRO DE 2002)
http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.pt/p/textos-editados-neste-sitio-172.html