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23.1.16

MARAGE – Uma família do mar

Jornal JOÃO SEMANA (15/09/2014)
TEXTO: Fernando Pinto

Ovar tem o seu chão assente sobre a areia que há milénios foi fundo do mar. Hoje, e desde há séculos, a seis quilómetros da costa, os ova­renses respiram a maresia que lhes invade o sangue e lhes estimula a alma, fazendo chegar às mais distantes paragens do país o seu nome honrado, aí criando novas raízes.
É o caso das famílias Oliveira Alegre e Marage que, segundo a investigação de um descendente, o engenheiro Manuel Alegre, levaram a arte da xávega e os negócios da pesca para outras praias da nossa costa, chegando alguns deles a cruzar o Atlântico como intrépidos timoneiros de navios mercantes. M. P. B.

O jornal “João Semana”, em parceria com o Museu de Ovar e a Câmara Municipal, organizaram uma palestra na noite do passado dia 28 de agos­to, orientada pelo engenheiro Manuel Alegre (na foto), da Universidade do Algarve e distinto genealogista, sobre o contributo de famílias vareiras na atividade piscatória em Portugal e com ramificações em vários pontos do mundo, com referência privilegiada à “Família Marage” (na gravura), do­cumentada desde o século XVIII.
Quem marcou presença na Sala dos Fundadores do Museu não deu o seu tempo como perdido. Para além de assistir à projeção de um filme e de ver curiosas fotografias sobre o tema “Marage – Uma família do mar”, pôde, em ambiente descontraído, conversar com o palestrante, e ouvir tocar algumas peças de música clássica por Cristina Santos e seu filho Francisco Pinto.
Esta iniciativa insere-se nas comemorações do Centenário do jornal “João Semana” (1914-2014).

Engenheiro Manuel Alegre
Foto: Fernando Pinto
“Quero agradecer a amabilida­de que tiveram na pessoa do Sr. Aba­de, Manuel Pires Bastos, por me ter convidado para estar aqui presente para conversar com vocês sobre al­gumas coisas que estão intimamente ligadas com Ovar”, disse o enge­nheiro Manuel Alegre no início da sua apresentação, confessando que teve vários momentos gratificantes ao entrar no Museu: “Primeiro, co­meçou com este cartaz. Está espe­tacular. O segundo encantamento que tive foi o de rever o meu antigo colega de estudo [Engenheiro Pedro Braga da Cruz] que já não via há muitos anos”, disse Manuel alegre.
Deixamos-lhe alguns extratos da intervenção do engenheiro Manuel Alegre, que esperamos venha a ter eco em obra editada:
“Aproveitava agora para conver­sarmos um pouco sobre uma coisa que eu há cinco anos atrás desconhe­cia totalmente dentro da minha famí­lia. Vivi numa casa com nove pes­soas. Dessas pessoas só estão vivos o meu irmão e a minha tia. Comecei aos poucos à procura, mas não que­ria fazer o trabalho que normalmente é feito pelos genealogistas. Queria aliar aos nomes que ia encontrando a história de cada uma das pessoas.
Vim aqui para falar da família Marage. A minha família chama-se Oliveira Alegre Marage, mas só é Marage a partir de determinada altu­ra. Antes, era sempre Oliveira Alegre ou Fernandes Alegre, Costa Alegre ou Ricardo Alegre.

De onde é que vêm estas fa­mílias? 
De Ovar. Provêm de terras vizinhas, como Beduído, Bunheiro e Pardilhó, que encadearam pessoas de Ovar e que aqui ficam 400 anos. Fui pesquisar e consegui encontrar Ma­rages em França, na Alemanha, em Itália e no Condado Portucalense. Depois, no sul de Espanha, no norte de África, na Arábia Saudita... O ano mais recuado a que consegui che­gar foi o de 634. Por volta de 1820 há uma crise generalizada: fome na pesca do arrasto, crise de morte nas famílias miseráveis, vítimas do palu­dismo por causa da cultura do arroz. As pessoas fugiam da morte. E para onde é que foram? Por acaso, desco­bri que foram para Tentúgal (Monte­mor-o-Velho). Porque andavam aqui na Ria, e o trabalho que faziam em Ovar era muito parecido com o que iriam fazer no Mondego. E ficam em Tentúgal durante 5 ou 6 anos. Nas­cem ali uma série de filhos. De um momento para o outro, dão um salto. Vão para Lordelo do Ouro ou para a vizinha Foz do Douro. Estão lá dois séculos. Depois vão para África. Al­guns, não todos. Há mui­tos que morrem na Foz.
(...) Contactei o jornal dos Pesca­dores de Matosinhos que me ofere­ceram a base de dados dos pescado­res. As mulheres Alegre quais são? São as que saem de Ovar e que vão para Matosinhos, e que depois casam com senhores que vêm de Lavra; e ficam por lá 150 anos. (...) Depois vão para Lisboa, mas lá é muito di­fícil de pesquisar, porque, como os fragateiros viviam nas suas fraga­tas, os filhos eram registados onde eles estavam atracados no Tejo. Em Belém, ou noutra freguesia onde es­tivessem a trabalhar. E depois, há os que dão um salto para o Brasil e para os Estados Unidos. Eu sei o percur­so de todos eles, mas o núcleo cen­tral está em Ovar. O primeiro nome que me apareceu foi o do Francisco Oliveira Marage, casado com Maria Ferreira, da Lagoa dos Campos, na Igreja de S. Cristóvão de Ovar, em 12 de setembro de 1837. Investigar estas pessoas demora muito tempo. É um trabalho ciclópico, mas que merece ser publicado em livro.

MARAGE. Apelido ou alcu­nha? 
Na minha família é uma al­cunha de certeza absoluta. Através do Sr. José de Oliveira Neves tive a felicidade de conhecer a D. Maria de Lurdes (na foto). Ela não tem o Alegre, mas sim o Mara­ge. O Alegre é que passou a ser a alcunha dela. O avô do avô da se­nhora Maria e o meu, são a mesma pessoa.
O engenheiro Manuel Alegre e dois elementos da família Marage
trocando memórias familiares - Foto: Fernando Pinto
(...) Há os Alegres que foram para Matosinhos (as mulheres); há os Alegres que foram para a Foz do Douro (homens); e depois há os Alegres que ficaram em Ovar, e des­ses que ficaram aqui nesta terra des­cendem os Marages comerciantes de sardinha em Matosinhos. Muitos deles partiram para o Brasil. Já in­vestiguei alguns, mas não chego a todos. E porquê? Como são recen­tes, chegamos a 1911 e, por direti­vas civis, o registo dos nascimentos, casamentos e óbitos, passou para o Registo Civil, que não são de acesso fácil.

Artigo publicado no jornal JOÃO SEMANA (15 de setembro de 2014)
http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.pt/2016/01/marage-uma-familia-do-mar.html

22.1.15

MARAGE – Uma família do mar

Ovar tem o seu chão assente sobre a areia que há milénios foi fundo do mar. Hoje, e desde há séculos, a seis quilómetros da costa, os ova­renses respiram a maresia que lhes invade o sangue e lhes estimula a alma, fazendo chegar às mais distantes paragens do país o seu nome honrado, aí criando novas raízes.
É o caso das famílias Oliveira Alegre e Marage que, segundo a investigação de um descendente, o engenheiro Manuel Alegre, levaram a arte da xávega e os negócios da pesca para outras praias da nossa costa, chegando alguns deles a cruzar o Atlântico como intrépidos timoneiros de navios mercantes. (M. P. B.)

Jornal JOÃO SEMANA (15/09/2014)
TEXTO: Fernando M. Oliveira Pinto

O jornal “João Semana”, em parceria com o Museu de Ovar e a Câmara Municipal, organizaram uma palestra no dia 28 de agos­to de 2014, orientada pelo engenheiro Manuel Alegre , da Universidade do Algarve e distinto genealogista, sobre o contributo de famílias vareiras na atividade piscatória em Portugal e com ramificações em vários pontos do mundo, com referência privilegiada à “Família Marage” (na gravura), do­cumentada desde o século XVIII.

Engenheiro Manuel Alegre
FOTO: Fernando Pinto
“Quero agradecer a amabilida­de que tiveram na pessoa do Sr. Aba­de, Manuel Pires Bastos, por me ter convidado para estar aqui presente para conversar com vocês sobre al­gumas coisas que estão intimamente ligadas com Ovar”, disse o enge­nheiro Manuel Alegre no início da sua apresentação, confessando que teve vários momentos gratificantes ao entrar no Museu: “Primeiro, co­meçou com este cartaz. Está espe­tacular. O segundo encantamento que tive foi o de rever o meu antigo colega de estudo [Engenheiro Pedro Braga da Cruz] que já não via há muitos anos”, disse Manuel alegre.
Deixamos-lhe alguns extratos da intervenção do engenheiro Manuel Alegre, que esperamos venha a ter eco em obra editada:
“Aproveitava agora para conver­sarmos um pouco sobre uma coisa que eu há cinco anos atrás desconhe­cia totalmente dentro da minha famí­lia. Vivi numa casa com nove pes­soas. Dessas pessoas só estão vivos o meu irmão e a minha tia. Comecei aos poucos à procura, mas não que­ria fazer o trabalho que normalmente é feito pelos genealogistas. Queria aliar aos nomes que ia encontrando a história de cada uma das pessoas.
Vim aqui para falar da família Marage. A minha família chama-se Oliveira Alegre Marage, mas só é Marage a partir de determinada altu­ra. Antes, era sempre Oliveira Alegre ou Fernandes Alegre, Costa Alegre ou Ricardo Alegre.
De onde é que vêm estas fa­mílias? De Ovar. Provêm de terras vizinhas, como Beduído, Bunheiro e Pardilhó, que encadearam pessoas de Ovar e que aqui ficam 400 anos. Fui pesquisar e consegui encontrar Ma­rages em França, na Alemanha, em Itália e no Condado Portucalense. Depois, no sul de Espanha, no norte de África, na Arábia Saudita... O ano mais recuado a que consegui che­gar foi o de 634. Por volta de 1820 há uma crise generalizada: fome na pesca do arrasto, crise de morte nas famílias miseráveis, vítimas do palu­dismo por causa da cultura do arroz. As pessoas fugiam da morte. E para onde é que foram? Por acaso, desco­bri que foram para Tentúgal (Monte­mor-o-Velho). Porque andavam aqui na Ria, e o trabalho que faziam em Ovar era muito parecido com o que iriam fazer no Mondego. E ficam em Tentúgal durante 5 ou 6 anos. Nas­cem ali uma série de filhos. De um momento para o outro, dão um salto. Vão para Lordelo do Ouro ou para a vizinha Foz do Douro. Estão lá dois séculos. Depois vão para África. Al­guns, não todos. Há mui­tos que morrem na Foz.
(...) Contactei o jornal dos Pesca­dores de Matosinhos que me ofere­ceram a base de dados dos pescado­res. As mulheres Alegre quais são? São as que saem de Ovar e que vão para Matosinhos, e que depois casam com senhores que vêm de Lavra; e ficam por lá 150 anos. (...) Depois vão para Lisboa, mas lá é muito di­fícil de pesquisar, porque, como os fragateiros viviam nas suas fraga­tas, os filhos eram registados onde eles estavam atracados no Tejo. Em Belém, ou noutra freguesia onde es­tivessem a trabalhar. E depois, há os que dão um salto para o Brasil e para os Estados Unidos. Eu sei o percur­so de todos eles, mas o núcleo cen­tral está em Ovar. O primeiro nome que me apareceu foi o do Francisco Oliveira Marage, casado com Maria Ferreira, da Lagoa dos Campos, na Igreja de S. Cristóvão de Ovar, em 12 de setembro de 1837. Investigar estas pessoas demora muito tempo. É um trabalho ciclópico, mas que merece ser publicado em livro.

O engenheiro Manuel Alegre e dois elementos da família Marage
trocando memórias familiares - FOTO: Fernando Pinto

MARAGE. Apelido ou alcu­nha? Na minha família é uma al­cunha de certeza absoluta. Através do Sr. José de Oliveira Neves tive a felicidade de conhecer a D. Maria de Lurdes (na foto, em cima). Ela não tem o Alegre, mas sim o Mara­ge. O Alegre é que passou a ser a alcunha dela. O avô do avô da se­nhora Maria e o meu, são a mesma pessoa.
(...) Há os Alegres que foram para Matosinhos (as mulheres); há os Alegres que foram para a Foz do Douro (homens); e depois há os Alegres que ficaram em Ovar, e des­ses que ficaram aqui nesta terra des­cendem os Marages comerciantes de sardinha em Matosinhos. Muitos deles partiram para o Brasil. Já in­vestiguei alguns, mas não chego a todos. E porquê? Como são recen­tes, chegamos a 1911 e, por direti­vas civis, o registo dos nascimentos, casamentos e óbitos, passou para o Registo Civil, que não são de acesso fácil.

O engenheiro Manuel Alegre acompanhado de Ilda Oliveira Elvas (“Marage”)
e de João Elvas, seu marido (colaborador do jornal “João Semana”)
FOTO: Fernando Pinto

Artigo publicado no jornal JOÃO SEMANA (15 de setembro de 2014)
http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.pt/2015/01/marage-uma-familia-do-mar.html

30.12.12

Os cães do Colares Pinto

Jornal JOÃO SEMANA (15/10/2012)
TEXTO: José Lopes Rodrigues

A Quinta do Colares Pinto era um importante complexo industrial agropecuário especializado em derivados de leite, desde o queijo e a manteiga, de excelente qualidade e muito prestígio, até às calçadeiras, botões, pentes, travessas e ganchos para o cabelo, abre-cartas e outros objetos de baquelite.
No complexo pecuário havia galinhas, patos, faisões, pavões, galinhas-da-índia (passavam a vida a gritar “estou fraca, estou fraca”), e outras aves de capoeira, algum gado mé-mé e gado mu-mu.
Grande atração para os visitantes era um touro de cobrição que faz favor! Ele era grande, com tudo grande, e estava preso a um tron­co cravado no chão com uma corrente que tinha uma argola que lhe entrava por um buraco da focinheira e lhe saía pelo outro.

Quinta Colares Pinto, Ovar
(…) Além de toda aquela bicharada, também por lá andavam uns poucos (uma boa vintena) de cães pastor-alemão, que patrulhavam as instalações e montavam guarda, um por carregamento aos canados com o leite, e, quando ia embora, lá ficava um pastor-alemão junto dos canados a arreganhar os dentes a quem se aproximasse demais. No entanto, nunca vi ninguém dar ordens aos cães para tal, nem soube de quem tivesse sido mordido, mesmo inadvertidamente. A presença deles era mais do que suficiente.
Naquele dia, porém, fomos alvo de um comportamento assaz estranho por parte dos cães, todos belos exemplares nascidos e ensi­nados lá na quinta.
Quando tentávamos atirar-nos à água, punham-se à nossa frente e empurravam-nos para trás, até com alguma violência. Mas, como tínhamos grande confiança neles e julgávamos que tudo não passava de brincadeira, às vezes conseguíamos fintá-los.
Então, os cães, uma boa meia dúzia deles, atiravam-se também à água e, nadando a par connosco, agarravam-nos com os dentes pelas alças do fato de banho e arrastavam-nos, soltando-nos somente quando estávamos totalmente em terra. Não rosnavam, nem nada, mas tão determinados estavam em tirar-nos da água que chegaram a ferir-nos nos ombros.
A dada altura, começámos a desconfiar que toda aquela obstinação não podia ser só brincadeira. Por isso, ao regressar a casa, resolvemos passar pelo complexo a indagar sobre o seu estranho comportamento.

Quinta Colares Pinto (1940). Apanhadores de moliço
Ficámos, então, a saber que em certos sítios, como era aquele onde tínhamos estado, o fundo da Ria era (e acho que ainda é) constituído por uma grande espessura de lodo preto e visguento, muito escorre­gadio, grande riqueza para os agricultores das terras ribeirinhas (e não só), mas letal para quem lá enfia os pés. Quanto mais lutamos para nos libertar, mais nos afundamos (e são inúmeros os casos dos que lá têm ficado).
Por ignorância e atrevimento próprios da idade, tínhamos corrido o risco de ser vítimas de uma tragédia (…).”

José Lopes Rodrigues (em “Meu Jardim, Meu Rio”, 2006 (capítulo “As Sandes da Glória e os Cães do Colares Pinto””, págs. 175-177)

Artigo publicado no jornal JOÃO SEMANA (15 de outubro de 2012)
http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.pt/2012/12/os-caes-do-colares-pinto.html

LEIA TAMBÉM O ARTIGO "Família Colares Pinto – para a memória de Ovar", publicado no n.º 13 da Revista REIS/1979)

ADENDA -----------------------------------------

Comentário:

Cada vez gosto mais do Jornal.
Possuo a foto de baixo, mas a de cima, não. Podem calcular a emoção que senti, ao ver as traseiras da minha velha e querida casa, já desaparecida! Foi um belo presente de Ano Novo. Vou tentar, com uma lupa forte, identificar alguns dos personagens. Vai ser difícil,pois os olhos já não ajudam. Vou dar volta às fotos que tenho e enviar-vos as que tiverem interesse. Do touro, o Debuxo, creio ter uma. Para mim, tudo o que diga respeito aquela Quinta, é uma relíquia. Passei grande parte da minha infância por ali. Gente boa e minha amiga, a minha adorada Ria e, mais que tudo, uma família que amei e de que poucos restamos. Vivo em Lisboa, nasci em Tomar, mas há um cantinho do meu coração, que continua a pertencer ao Carregal.
Desculpem este comentário tão longo, mas a idade e a vida, tornam-nos sensíveis às recordações.
Mais uma vez, obrigada e Bom Ano.
Maria Águeda (01/01/2013)

6.10.09

Os Ferreira Meneres de Ovar (pai e filho) – Irmãos Terceiros da Ordem da Trindade (Porto)

Jornal João Semana (1/10/2009)

TEXTO: Manuel Pires Bastos

Decorridos sete anos sobre a publicação, neste jornal, do texto “Família Meneres de Ovar” (“João Semana”, 1/10/2002), e sabendo do interesse que este assunto vem despertando não só entre a família mas até entre os genealogistas, entendemos acrescentar a esse trabalho alguns elementos extraídos dos assentos paroquiais e algumas particularidades relativas aos dois principais biografados, nomeadamente a sua participação activa e benemerente na Ordem da Santíssima Trindade, no Porto1.

Casamento de Bernardo Ferreira com Joana de Oliveira (16/05/1772)

“Aos dezasseis dias do mês de Maio de mil settecentos e settenta e dois anos, de manha, nesta parochial Igreja de S. Cristóvão de Ovar, feitas primeiro nella as três Canonicas denunciações Matrimoniays na forma do Sagrado Concilio Tridentino, e Constituições do Bispado sem resultar impedimento algum canonico mais do que parentesco em terceiro e quarto grao por duas vias, de que se mostrarao dispensados por Sentença do Juizo, de que foi Escrivão Domingos Mendes de Carvalho. Declarão in facie Ecclesiae por palavras de presente na presença do Reverendo Vigario e das testemunhas infra [assinadas], os contrahentes Bernardo Ferreira filho legítimo de Domingos Ferreira e de sua mulher Theresa Ferreira da Rua dos Ferradores, netto paterno de Manuel Ferreira e de Francisca de Oliveira, e matterno de João de Oliveira e de Esperança Ferreira todos da mesma rua dos ferradores da Ruella, e Joanna de Oliveira, filha legítima de Dionisio de Oliveira e de Rosa de Oliveira, da Rua do Pinheiro, neta paterna de Manoel Oliveira e de sua mulher Maria Pinho da mesma Rua do Pinheiro, e materna de José Rodrigues e de sua mulher Maria de Oliveira da Rua dos Ferradores da Ruella, e lhe deu as bençãos nupciais na forma do Rittual Romano. Por ser verdade se fez este termo, que assigno com as testemunhas infra.

João Bernardino Leite de Sousa (Pároco)
Manuel Dias Rebelo
Francisco Joaquim Gomes

Em Arq. Distrital Aveiro
Ovar C80 f.ªs 53 e 53 v.º.
Assento de Casamento de Francisco Ferreira Meneres com Ana de Oliveira.
(O nome Meneres não consta neste assento assim como no de seus pais e avós,
aparecendo, no entanto, no assento de baptismo de seu filho).
António Ferreira Meneres/pai (1808-1860) – Irmão e Benemérito da Ordem da Trindade

Nascido em Ovar, na Rua do Pinheiro da Ruela (hoje R. Licínio de Carvalho), em 12/08/1808, António Ferreira Meneres é filho de Francisco Ferreira Meneres e de Ana de Oliveira2.Nem os avós paternos, Bernardo Ferreira e Joana de Oliveira, residentes no entroncamento da Rua do Seixal (actual Rodrigues de Freitas) com a Rua dos dos Ferradores (actual Visconde de Ovar, ao fundo da Arruela), nem os maternos, Manuel de Oliveira Luzes e Antónia de Oliveira, da mesma Rua do Pinheiro, todos da zona nascente de Ovar, indiciam o antropónimo Meneres, que viria a enobrecer a família.

António Ferreira Meneres casou em Ovar, a 23 de Novembro de 1825, com Maria de Jesus (no óbito e no túmulo consta como Maria de Oliveira Lírio), filha de Francisco Pereira dos Santos e de Antónia de Oliveira, da Rua das Figueiras (actual R. Dr. José Falcão), neta paterna de outro Francisco Pereira dos Santos e de Arcângela Pinto, e materna de João de Oliveira Vinagre e de Maria de Oliveira, todos da mesma rua, a poente da então vila de Ovar.
Negociante de vinhos na cidade do Porto, ali fundou, na Praça da Ribeira, em 1845, a empresa com o seu nome3, alistando-se como Irmão Terceiro na Ordem da Trindade, e contribuindo, ao lado de milhares de Irmãos de todos os estratos sociais da cidade, para a conclusão da respectiva Igreja e dos seus anexos – Hospital e Liceu –, obras que haviam sido iniciadas em 1803, e que terminaram em finais do século, estando pronto o corpo principal da Igreja na década de 50, época em que a sua acção se tornou mais saliente.

“O N(osso) I(rmão) ex-Thesoureiro António Ferreira Meneres
dotou esta Celestial Ordem Terceira com riquíssimas alfaias.
Falleceu em 21 de Abril de 1860”
Em 29 de Junho de 1852, sendo Irmão Mesário, ofereceu um novo altar para a sala dos convalescentes, “para nelle se erigirem as imagens do Andor da SS.ma Trindade”4, e em 1856, já Mestre de Noviços, na gerência do Prior José António de Sousa Basto (Visconde da Trindade), ofereceu “uma valiosíssima chave do sacrário” feita “em ouro de moeda”, com laço “de lhama de prata bordado a ouro”5.
A Mesa da instituição dedicou-lhe, então, um retrato a óleo com dedicatória a que, quatro anos depois, seria acrescentada a data do seu falecimento (ver foto do quadro de 1856).
Formada, em 3/12/1856, uma comissão para angariar fundos para um valioso jogo de paramentos brancos (no valor de 5.471$00) para serem usados “nos dias clássicos da Ordem”, António Ferreira Meneres foi nomeado seu vice-presidente, exercendo ainda essa função quando do seu falecimento em 2/4/1860.
Possuindo “a grandeza de alma e as sólidas virtudes de verdadeiro cristão”, fez benemerências a outras instituições religiosas, nomeadamente às paróquias de S. Nicolau (Porto) e de Ovar. A esta ofereceu um guarda-vento e o monumental presépio confeccionado no Porto, nas oficinas de José Joaquim Teixeira Lopes. Contemplou também o Hospital de Ovar e todas as confrarias desta Paróquia, mormente a dos Passos, que o perpetuou numa tela pintada no Porto por J. Alberto Nunes Pinto, em 1861, e que ainda em 1922 estava exposta na Sacristia nascente da Capela do Calvário, encontrando-se hoje na Casa-Museu da Ordem Terceira de S. Francisco (cf. M. Lyrio, “Os Passos de Ovar”, 1922, pág. 58, e “João Semana”, 1/10/2002).


António Ferreira Meneres/filho (1830-1888) – Prior e Benemérito da Ordem

Nascido em Ovar, na Rua das Figueiras (actual Rua Dr. José Falcão), à entrada para a Oliveirinha, em 26/04/1830, António Ferreira Meneres, filho de António Ferreira Meneres e de Maria de Oliveira (Líria), foi, como seu pai, um próspero comerciante de vinhos do Porto.

Cidadão de sólida formação cristã, alistou-se, em 1851, na Ordem da Trindade, de que seu pai já era Irmão, instituição essa em que viria a exercer cargos importantes. (Era seu Definidor em Janeiro de 1861, menos de um ano após a morte de seu pai, quando da visita do Rei D. Pedro V ao Porto e à Ordem da Trindade, onde foi investido como real Protector).
Casou na Igreja de Cedofeita, Porto, em 9/2/1863, com Isabel Maria da Cunha, e um ano depois ofereceu ao Hospital da Trindade um equipamento6 e à Igreja outras importantes dádivas, entre as quais as vestes da imagem titular da Santíssima Trindade7.
Sendo Prior da Ordem (Provedor)8, contribuiu para a compra de um espaço destinado a cemitério privativo em Agramonte9, ultimando, em 1870, como Procurador-Geral, a respectiva documentação, e assinando, em 1872, correspondência relativa ao monumento erigido no mesmo cemitério ao Conde de Ferreira10.
Em 1873 assina, de novo, como Prior, cargo em que, no ano seguinte, é substituído por Francisco Ferreira da Silva Fragateiro11.
No capítulo “Os Retratos” da “História Documental da Ordem da Trindade” (págs. 993-994), António Ferreira Meneres figura em 14.º lugar entre as 16 personalidades ali biografadas e que faziam parte da extensa galeria de beneméritos.
Em 13/01/1875, estando ausente da sala de sessões, foi decidido pela Mesa colocar o seu retrato “entre os mais benfeitores”. Da acta consta a respectiva proposta, aprovada por unanimidade, e que é do seguinte teor:

(…) Os serviços prestados à nossa Ordem por este cavalheiro durante o longo período de 14 annos em que tem exercido succesivamente os cargos de Definidor, Procurador Geral, e ultimamente o de Prior, são taes, que se julga digno de reconhecimento d’esta administração. Fallarei, especialmente, dos que prestou durante o tempo de seu Priorado, tanto na acquisição do terreno para o nosso Cemitério privativo em Agramonte, como nos trabalhos das plantas para o zimbório da nossa Egreja. Para ocorrer às despesas da compra do terreno para o Cemitério, que tantas dificuldades venceu, para a conseguir, concorreu elle tanto para esta como para as obras que ali se teem feito, com a importante acquisição de cerca de cem indivíduos para irmãos d’esta Ordem; e para o das plantas generosamente contribuia com a importante cifra de quatrocentos e cincoenta mil reis (450$00), com que se satisfez ao Engenheiro, José de Macedo Araujo Jr., encarregado d’aquelles trabalhos. A este dispendio mencionarei mais os jornaes que pagou a determinado numero de operarios, que, durante o tempo que exerceu o cargo de Procurador Geral, satisfez por muito tempo na importancia de quatrocentos e tantos mil reis, sem que o offerente permitisse a de-claração do seu nome desta offerta: Por todas estas razões, submeto à consideração da Meza a seguinte PROPOSTA: Que a Meza resolva, que o retrato do digno Prior, seja collocado entre os mais bemfeitores na Secretaria d’esta Ordem.
Porto, Secretaria da Celestial Ordem 3.ª da SS. Trindade, 13 de Janeiro de 1875.
(Assignado) – Ignacio Teixeira Leite e Silva – Secretario. (…).




Igreja e Hospital da Ordem da Trindade

A acta refere ainda que, regressando à sala e aparecendo em continente o retrato collocado no seu lugar (…), o irmão Prior comovido em extremo agradeceu, em termos do maior reconhecimento, e com a modestia que lhe é natural, a prova de consideração que a Meza acabava de lhe dar, prosseguindo a sessão de forma normal, de novo sob a sua presidência12.
Por estas e outras benemerências foi-lhe atribuída a Comenda de N.ª Sr.ª da Conceição de Vila Viçosa e dado o título de Fidalgo Cavaleiro da Casa Real, com carta de Brazão de 20/12/1887.
Faleceu no Porto, na freguesia de Cedofeita, em 15 de Setembro de 188813.
Na Paróquia vareira houve Missa de 7.º dia e responso por sua alma, e na Igreja da Trindade, foram celebradas exéquias solenes por sua alma em 29 de Novembro seguinte, com a presença de familiares, alunos e professores, órfãos, elementos da mesa e outras pessoas, sendo cantado pelas alunas da Escola de Música da Ordem o “Libera me” de António Canedo, estando este maestro ao órgão. Ao centro da Igreja havia um pavilhão com o retrato do falecido, e a inscrição: A António Ferreira Meneres, ex-prior e insigne benfeitor da Ordem Terceira. Foi também colocada uma coroa no seu mausoléu, no cemitério privativo da Ordem14.

Dele afirma o Dr. Xavier Coutinho que “foi um cavalheiro tão caritativo como piedoso”, e que a sua actividade na Ordem “foi realmente excepcional”.
Ovar deve-lhe, tal como a seu pai, algumas benemerências, como o pequeno órgão de tubos existente no Coro da Igreja, construído em 1862 na Inglaterra pelos organeiros reais Bishop & Starr, e aceite pela Junta Paróquia em 13 de Outubro desse mesmo ano. Segundo o Dr. Zagalo dos Santos15, esta oferta tinha como imposição, feita pelo doador, “que a Junta garantisse a nomeação vitalícia do organista que indicasse, e fê-lo na pessoa de seu parente Manuel José de Oliveira Luzes, que morava defronte do Serrado e era pintor de tabuletas para o cemitério.”16.
O órgão de tubos (na foto, na actualidade) foi estreado, no dia seguinte, desconhecendo-se o nome do organista titular.


NOTAS:
1 A Arquiconfraria da Celestial Ordem Terceira da Santíssima Trindade da Redempção dos Cativos da Cidade do Porto sucedeu, em 1755, à 3.ª Ordem Dominicana, extinta nesse ano por Bento XIV. Teve a primeira sede na Capela de N.ª Sr.ª da Vitória, na Batalha, donde passou para a Igreja do Calvário Novo, na actual Cordoaria (1786 – 1804). cf. Coutinho, Bernardo Xavier, História Documentada da Ordem da Trindade, Porto, 1972, 2 volumes.
2 Esta informação fidedigna do assento do Baptismo contradiz a opinião de João Arada e Costa que, no “Notícias de Ovar” de 19/8/1982, em “Lembrando dois beneméritos”, o diz “nascido e criado ali à entrada da Oliveirinha” (próximo da Rua Dr. José Falcão).
3 A Empresa de Vinhos António Ferreira Meneres, cuja gerência se manteve na família até 1945 – durante um século preciso –, ainda hoje se mantém viva e prestigiada, de tal modo que a Casa Meneres e o Porto Meneres se tornaram não só um dos ex-libris da cidade como um notável embaixador dos vinhos do Porto no mundo.
4 Cf. Coutinho, cit. 1.º vol., pág. 589.
5 Livro 3.º das Actas, f.ªs 28 v.º; e Boaventura Silveira, A Ordem Terceira da Trindade e a Sociedade Portuense – séc. XXVII - XX, Porto, págs. 161, 1612.
6 Sessão Camarária do Porto, f.ª 9.
7 Boaventura, pág. 193.
8 O artigo 1.º do capítulo 5.º do Estatuto da Ordem da Trindade aponta que o Prior “será pessoa respeitável, Religiosa e rica”, com “perfeito zelo e disvello pela boa administração dos bens da Ordem, cuidando em que todos os Encarregados della preenchão seus deveres e gozem entre si d’uma perfeita paz e confiança”.
9 Copiador de Ofícios, n.º 3, pág. 12, 13 e 16.
10 Id. N.º 3, pág. 49.
11 Este Francisco Ferreira da Silva Fragateiro, que exerceu esta função durante 5 anos (1874-1879), poderá também ser natural de Ovar.
12 Numa busca que fizemos à galeria de benfeitores, não descobrimos esta tela, prometendo fazer novas diligências para que tal possa acontecer. Em compensação, encontrámos, em depósito, o retrato de seu pai, acima reproduzido.
13 Reg. Civil Porto, n.º 422, 1888.
14 “O Primeiro de Janeiro”, 30/11/1888.
15 Saibam quantos... em “Notícias de Ovar”, 27/3/1952.

16 Cit. Alberto Lamy, Monografia de Ovar, vol. 1, pág. 336, 2001.


Artigo publicado no quinzenário ovarense
JOÃO SEMANA (1 de Outubro de 2009)

Nota: Pode ver referência a António Ferreira Meneres (filho) no texto "OVAR E OS PELASGOS (Um sermão em 1903)"

9.2.09

Família Ferreira Meneres de Ovar

Jornal JOÃO SEMANA (1/10/2002)

TEXTO: M. Pires Bastos


Uma carta que recebemos a propósito do texto “Família Meneres visita Ovar” publicado no “João Semana” de 15/8/2002, e relacionado com a visita a Ovar do Eng. Cabral Meneres, residente na capital, mas oriundo da cidade do Porto, dá-nos o ensejo de clarificar alguns dados biográficos dos beneméritos António Ferreira Meneres (pai e filho), naturais de Ovar e origem de uma família ilustre.
Esses dados clarificadores retirámo-los das respectivas certidões de baptismo, que nos foram cedidas por Manuel Cascais de Pinho, e por uma carta que nos foi enviada de Lisboa, em 23/3/1982, por uma descendente dos dois protagonistas desta história (sua bisneta e neta, respectivamente), e são confirmados pelos retratos de um deles, o pai, existentes um na Casa-Museu da Ordem Franciscana de Ovar e outro na Ordem da Trindade, no Porto, e pela referência ao retrato do segundo, o filho, que esteve exposto na Ordem da Trindade, mas cujo paradeiro se desconhece hoje.

António Ferreira Meneres (pai)


OS RETRATOS

António Ferreira Meneres (pai) 

Um retrato de António Ferreira Meneres (Pai) que, até ser colocado na Casa-Museu da Ordem Terceira, se encontrava na sacristia nascente da Capela do Calvário, últimas das artísticas capelas dos Passos de Ovar, e que aqui reproduzimos, tem a seguinte legenda: “Ao Insigene Bemfeitor António Ferreira Meneres que dotou a Igreja desta Villa d’Ovar com ricas alfaias. Falleceu no Porto a 21 de Abril de 1860”. É assinado por J. Alberto Nunes Pinto, no Porto, e foi feito no Porto em 1861, por encomenda da Paróquia de Ovar. Anos mais tarde, a Ordem da Trindade dedicou-lhe um quadro idêntico, mas tendo no peito as insígnias daquela instituição, de que também foi destacado membro e grande benfeitor. (Na “História Documental da Ordem da Trindade”, por B. Xavier Coutinho, 1974, vem registada essa homenagem).

Assento de Baptismo (14 de Agosto de 1808)
Segundo a certidão de Baptismo, António Ferreira Meneres (pai) nasceu em Ovar a 12/8/1808 e foi baptizado dois dias depois. É filho de Francisco Ferreira Meneres e de Ana de Oliveira.
Se o apelido Ferreira lhe vem do avô paterno, Bernardo Ferreira, casado com Joana de Oliveira, do Seixal da Arruela, não é explícita a origem do apelido Meneres, já que também não era usado pelos avós maternos, Manuel de Oliveira Luzes e Antónia de Oliveira, da Rua do Pinheiro da Arruela. Nem o usavam os padrinhos, António de Oliveira Luzes, da Rua do Cruzeiro da Ruela, e Maria, filha de João Pereira Gomes, da Rua do Pinheiro da Ruela, nem as testemunhas, José Rodrigues da Graça Pombo e João de Oliveira Dias (Livro B-45 de Baptismos de S. Cristóvão de Ovar – Anos 1805 – 08, f.ª 321v.º, Arquivo Distrital de Aveiro).

Assento de Casamento de Domingos Ferreira com Theresa Ferreira (19/9/1739)
“Aos dezanove dias do mes de Setembro de mil setecentos e trinta e nove annos de manha nesta parochial Igreja de San Christovam da villa de Ovar feitas primeyro nella as tres canonicas dennunciações matrimoniais na forma do Sagrado Concílio Tridentino e Constituições do Bispado, sem resultar impedimento algum canonico em presença de mim o coadjutor o Licenciado Manuel da Costa Ruella e das testemunhas abaixo assignadas se casaram por palavras de presente in facie Eclesiae.
Domingos Ferreira filho de Manuel Ferreira e de sua mulher Francisca de Oliveira já defuntos com Thereza Ferreira filha de Joam Ferreira já defunto e de sua molher Esperança Ferreira, todos da Rua dos Ferradores desta freguesia. E logo lhes dei as bençois matrimoniais na forma do costume e por ser verdade fiz [este assento] que assinei com as testemunhas abaixo era ut supra.
O coadjutor o L.do Manuel da Costa Ruella
Francisco Pereira Anador
Ventura Dias de Resende”
À margem: Domingos Ferreira com Thereza Ferreira
Arquivo Dist. de Aveiro
Ovar c-77 fl.ª 79

Segundo Arada e Costa (“Lembrando Dois Beneméritos”, em “Notícias de Ovar” de 19/8/1982), este primeiro Ferreira Meneres, “nascido e criado ali à entrada da Rua da Oliveirinha, foi novo para o Porto”. (…) É de aceitar a tradição oral que o encaminha, desde a sua chegada ao Porto, para o ramo vinícola, onde prospera, a ponto de se tornar um reconhecido benemérito daquela cidade (Ordem da Trindade, de que foi Irmão Terceiro, e Igreja de S. Nicolau).

Assento de casamento de António Ferreira Meneres (pai), em 23/11/1828, com Maria de Jesus (Maria de
Oliveira Luzes no assento de Óbito) em Ovar, em 23 de Novembro de 1825
Em Ovar, dotou a Igreja com um guarda-vento e com um artístico presépio de António Teixeira Lopes, com oficina no Porto (mais tarde em Gaia, na Fábrica das Devesas), e deixou ao Hospital de Ovar (hoje Escola dos Combatentes) avultadas quantias, e à Irmandade dos Passos preciosas alfaias.
Diz João Frederico (“Memórias e Datas para a História de Ovar”): “O nosso culto religioso perdeu nele um beneficente abrilhantador. Este homem aventuroso não só tinha singulares aparências mas ainda a grandeza de alma e as sólidas virtudes de verdadeiro cristão”.

António Ferreira Meneres (filho)

Segundo o assento de baptismo, António Ferreira Meneres, filho de António Ferreira Meneres e de Maria de Oliveira Lírio, da Rua das Figueiras (actual Rua Dr. José Falcão), nasceu em 26/4/1830 e foi baptizado a 28 do mesmo mês pelo Coadjutor José de Santo Inácio e Sousa.
Os avós paternos são os citados Francisco Ferreira Meneres e Ana de Oliveira, da Rua do Pinheiro, e os maternos Francisco Pereira dos Santos e Antónia de Oliveira, da Rua das Figueiras. Foram padrinhos o P.e António Ferreira, por procuração de António André Godinho, e a avó materna, sendo testemunhas o P.e João Carlos da Costa Nunes e Manuel Francisco da Fonseca Bonito (Arq. Dist. de Aveiro, Baptismos Ovar 1829-33, cota n.º 52).


Fotos de Márcio Santos,
de Castelo Branco

Elucida-nos sua neta D. Maria Vitória Cabral Ferreira Meneres, em carta que nos enviou em 23/3/1982, a nosso pedido, que este seu avô foi o fundador da empresa de vinhos do Porto António Ferreira Meneres, há anos extinta, e que casou em Cedofeita, Porto, em 9/2/1863, com Isabel Maria da Cunha, de quem teve vários filhos.
Distinguido por D. Luís I com os títulos de Comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, (Decreto de 26/1/1878), e de Fidalgo Cavaleiro da Casa Real (Alvará de 10/1/1887) e com Carta de Brasão de armas emitida a 20/12/1887.


Armando de Mattos, em “Brasonário de Portugal”, Livraria Fernando Machado, Porto, 1940, na página 167, sob o n.º 679, faz a seguinte leitura do brasão:

“Ferreira – Meneres – Partido: I de oiro, um caduceu de vermelho; II de azul, uma cornucópia de prata, lançando uvas e moedas de oiro”.

Descrição das armas novas de António Ferreira Meneres (filho) - Um escudo partido em pala: na 1.ª, em campo de ouro, um caducéu vermelho com duas serpentes da sua cor, e na 2.ª, em campo azul, uma cornucópia lançando uvas e moedas de ouro, tendo por suportes dois grifos de ouro. Timbre: a cornucópia deitando moedas de ouro.



Sobre as benemerências de Ferreira Meneres (Filho), afirmava o historiador ovarense João Frederico Teixeira de Pinho: “No coro da Igreja, que é regular e modesto, figura um pequeno órgão oferecido, em 1862, por António Ferreira Meneres, seguidor das pisadas de seu pai, cuja memória assim vai honrando”.

Benemerência  de António Ferreira Meneres (filho) para o Hospital de Ovar

Faleceu no Porto, havendo Missa de 7.º dia e responso em Ovar em 24 Setembro de 1888, e exéquias solenes em 29/11/1888 na Igreja da Trindade (Porto), de cuja ordem foi dirigente e benemérito.
Ver "Os Ferreira Meneres de Ovar (pai e filho) Irmãos Terceiros da Ordem da Trindade (Porto)"

Os descendentes

José Manuel F. Bessa, descendente de António
Ferreira Meneres, a viver na Rússia
Dos filhos do casal António Ferreira Meneres (filho) e de D. Isabel Maria da Cunha, casados na Igreja de Santo Ildefonso em 9/2/1863, destacamos o primeiro e o último:
António, com duas filhas (Eugénia e Lurdes, esta já falecida, com numerosa geração),
e Eugénio Ferreira Meneres, nascido em Cedofeita (Porto) e casado, em 25/2/1897, em Santa Isabel, Lisboa, com Maria Vitória Cabral Teixeira de Queiroz, filha do Par do Reino Cons. Basílio Cabral Teixeira de Queiroz e de Elvira Lobo Teixeira de Queiroz, da Quinta do Mirante, no Porto. Deste casal houve 3 filhos: Basílio, falecido em criança, Eugénio Luís Cabral Teixeira de Queiroz Ferreira Meneres, engenheiro agrónomo, casado e, entretanto, falecido, e Maria Vitória Cabral Ferreira Meneres, a nossa informadora, que nos esclarece ainda:
"As famílias descendentes legítimas dos Ferreira Meneres são, actualmente, representadas por nós, Cabral Meneres, e pelas primas Meneres Borges, Meneres Bessa e Meneres Caldeira".

Outros Meneres

Existe uma outra família que usa o apelido Meneres (Clemente Meneres) que nada tem a ver connosco, nem descende dos meus antepassados de Ovar – Ferreira Meneres”.
Segundo M. Antonino Fernandes em “Carvalhos de Basto” (vol. VIII, 1998), pág. 454 e segs., e a Enciclopédia Portuguesa e Brasileira (vol. XVI, pág. 918-919), os Carvalhos Meneres, Pinto Meneres e Fonseca Meneres, por exemplo, descendem de Clemente Meneres, nascido em 1843 na Casa da Cruz, Feira, e falecido no Porto a 27/4/1916, senhor da Quinta do Romeu (Mirandela), adquirida a partir de 1874, depois de comerciar no Brasil e no Porto, e de sua mulher e prima D. Maria da Glória Guimarães.


Artigo publicado no quinzenário ovarense
JOÃO SEMANA (1 de Outubro de 2002)


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Nota:
Dado que este tema tem suscitado bastante interesse por parte dos nossos leitores, o texto original tem vindo a ser enriquecido com novos elementos, alguns enviados por José Manuel F. Bessa (descendente de António Ferreira Meneres, hoje a viver em Moscovo), a quem agradecemos a cedência do quadro com a foto de António Ferreira Meneres (filho) e o brasão de armas aqui editados.


A propósito do Porto Menéres de 1845


Vinho Porto Menéres (1845)
A propósito da garrafa de vinho Porto Menéres de 1845 aqui apresentada, o nosso leitor Jorge Braga, da Maia, Porto, dá-nos algumas achegas muito curiosas relacionadas com a sua paixão pelo colecionismo:
- Possui vários exemplares de garrafas iguais à que apresentamos na foto;
- São medalhadas em exposição no Brasil;
- Foram recolhidas quando um incêndio destruiu, em 1955, os armazéns da firma Ferreira Menéres, situados do lado sul do Douro, a 100 metros da ponte da Arrábida, e que passaram para a firma Companhia Arrozeira Mercantil)
- Estão na posse de Jorge Braga, que as recebeu do seu avô, que teve um jaguar SM1034, de há mais de 100 anos, carro que, depois, esteve na posse de Fernando Abreu, de Amarante, e que hoje se encontra recuperado.
- Há 30 anos, Álvaro Malaquias, de Ovar, quis comprar uma dessas garrafas por 50 mil escudos, mas o dono só vendia por 100 mil, pois colecionadores lhe diziam que cada garrafa valia 500 contos ou mais…

20.9.08

OS BELLOS - Uma grande família oriunda de Ovar

Jornal JOÃO SEMANA (01/02/2002)
TEXTO: José Maria Fernandes da Graça

A propósito de gastronomia lemos, em tempos, numa qualquer publicação, esta referência: “Culinária Portuguesa” (1936), de Oleboma (António Maria de Oliveira Bello).
“Escusado será dizer que desde o primeiro momento estes apelidos nos deram a impressão, muito próxima da certeza, de que estariam ligados a Ovar. Efectivamente, e depois de tentarmos, em vão, obter elementos esclarecedores junto de entidades que o poderiam fazer, fomos recentemente alertados para um livro existente na nossa Biblioteca sobre “A Família Oliveira Bello, de Ovar”.
Trata-se realmente de um trabalho exaustivo sobre a árvore genealógica desta família a partir de Francisco de Oliveira Bello, que viveu nos meados do século XVIII.

Fernando de Oliveira Bello,
natural de Ovar, filho de Francisco
de Oliveira Bello, donde procedeu
uma nobre família
Quatro membros masculinos desta família Oliveira Bello, que residia na Rua das Maravalhas, hoje Rua Castilho, em Ovar, tendo ficado órfãos de pai, emigraram para Lisboa, dando origem a outros ramos familiares, que depressa se tornaram conceituados na capital: Ramada Curto, Champalimaud, Pereira Coutinho, Ravara, Ortigão, Burney, Bustorff, Quartim Bastos, Santos Crespo, etc.
O livro é um manancial de elementos confirmativos das qualidades que sempre reconhecemos nos vareiros.

Os leitores mais idosos decerto se lembrarão de dois irmãos, Duarte e Fernando Bello, velejadores premiados internacionalmente, em Inglaterra, nos Jogos Olímpicos de 1948, conquistaram para o nosso país uma medalha de prata. Pois eram descendentes dessa família. Agora, no tempo actual, quase todos vemos nas nossas televisões a figura mediática do Miguel Sousa Tavares, prestigiado jornalista e analista político, a dissertar com muito saber e à vontade sobre a vida quotidiana no nosso País. Tem raiz vareira, é tetraneto de gente de cá.

Os irmãos Bello - Duarte (esq.) e Fernando (centro) - quando, em 1948,
venceram uma das regatas dos Jogos Olímpicos de Londres

Mas vamos à razão principal do nosso interesse: esse livro a que nos vimos referindo diz-nos que António Maria de Oliveira Bello, mestre gastronómico nascido em Lisboa em 31 de Maio de 1872 era neto de vareiros e de mulher nascida no Rossio de Abrantes, mas também filha de gente de Ovar. Casou com D. Josefa Macedo dos Santos, e faleceu na mesma terra em 1835.
Que foi figura de grande preponderância no meio lisboeta, poderemos sabê-lo através dos elementos recolhidos no livro referido:
“Fez parte da administração da Casa Bellos e Formigaes, fundada por gente de Ovar, foi deputado ao Parlamento em 1907 e 1908, administrador da companhia colonial de Navegação e da Sociedade Portuguesa de Seguros, director da Associação Comercial de Lisboa, membro da Sociedade de Propaganda de Portugal, Director do Automóvel Clube de Portugal e fundador da Sociedade de Gastronomia. Gastrónomo muito conhecido, escreveu dois livros muito notáveis no seu género; “Culinária” (1928) e “Culinária Portuguesa” (1935). Coleccionador de pedras de reputação internacional, era correspondente do “Geographic Magazine” em Mineralogia, membro da Academia de Ciências, e fez várias doações de pedras com valor geológico ao laboratório do Liceu Camões, à Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e ao Museu da Ciência em Londres. Foi, ainda, membro do Conselho Superior da Marinha Mercante, do Conselho Superior Técnico Aduaneiro, do Conselho Internacional de Turismo e da Sociedade Portuguesa de Ciências Naturais.
A leitura deste livro de Fernando Neves Bello [na foto], para quem gosta de Ovar, é um regalo. Porque mostra como nesta família estão espelhados os valores bem representados por tantos conterrâneos nossos que, por razões várias, tiveram que emigrar um dia para outras paragens (…)

Artigo publicado no jornal JOÃO SEMANA (1 de Fevereiro de 2002)
https://artigosjornaljoaosemana.blogspot.pt/2008/09/os-bellos-uma-grande-famlia-oriunda-de.html

22.3.08

Lembrando as Senhoras Silveiras

Jornal JOÃO SEMANA (01/07/1981)
TEXTO: Maria José Vinga

Foi por 1905. Devia eu ter seis anos quando, pela primeira vez, minha mãe me foi vestir de anjo a casa das Senhoras Silveiras, para eu ir na procissão do Senhor dos Passos.
Eram três irmãs solteiras, que habitavam a casa que já tinha sido dos pais, ali no largo do Quartel, onde vestiam anjinhos para festas e dirigiam uma agência funerária. As senhoras deixaram-me muito linda, com um vestido de seda branca e umas asas grandes e brancas nas costas. Creio ter sido por esta razão que eu fiquei a gostar das Silveiras, embora lhes tivesse de sofrer os perdigotos com que me agrediam quando falavam, inconveniente contrabalançado pela amabilidade das suas palavras, dos seus sorrisos e dos seus gestos sempre senhoris, delicados e atenciosos.
Fui crescendo, e comigo crescia também a amizade por D. Maria Luísa, D. Joaninha e D. Hortense. Já eu andava no Colégio e aos domingos ia visitá-las, com consentimento de minha mãe, pois das janelas de sua casa via-se o movimento da vila ou, mais propriamente, da Arruela.
Um dia, disse-me a D. Maria Luísa: – Sabe, quando eu era pequena, Ovar tinha menos gente. Quando se fazia uma festa na rua, não se podia fazer nada na Igreja. Mas agora há gente que chega para tudo: Igreja; cinema, cafés, jogo da bola. E tudo se enche. Depois que se montaram fábricas, veio gente de toda a parte viver para Ovar, e por cá ficaram para sempre. Nós somos hospitaleiros, mas nem sempre compreendidos.

Um dia, era eu já crescidita, estava à janela entre a D. Hortense e a D. Maria Luísa, quando passou um grupo de rapazes que olharam para cima com modos um tanto atrevidos D. Maria Luísa desviou-se um pouco para dentro, observando: – Sabe, minha querida, um botão de rosa tem o direito de escolher um cravo para a acompanhar na vida, mas é preciso saber escolher! Pois uma menina que esteja habituada a lavar os dentes não deve afeiçoar-se a um moço que não tenha esse hábito. Pois quando os hábitos e educação são semelhantes, há melhor compreensão, melhor ajustamento.
Sábios e santos conselhos, que ainda hoje são bem actuais!... (Que pena eu tenho de não os poder transmitir a todas as meninas de 16 anos do mundo inteiro!)
Estas boas senhoras deram na minha educação um toque subtil que eu jamais esqueci.
As Silveiras tinham mais três irmãs, que se chamavam D. Maria Mafalda, D. Estefânia e D. Hermínia, todas casadas, as primeiras com escrivães de Direito, e a última com o sr. Abreu, inspector dos caminhos-de-ferro. Este último casal tinha duas filhas que eram minhas colegas e grandes amigas.
Conheci também o único irmão das Silveiras. Era o sr. Isaque, farmacêutico, dono da farmácia das pontes, na Senhora da Graça, onde eu ia muitas vezes aviar receitas para a minha família.
Quando ficou viúvo, o sr. Isaque acabou com a farmácia e foi viver para a Quinta das Luzes, que tinha sido do avô paterno.
Toda esta boa gente – seis meninas e um rapaz – era herdeira de um nome célebre. Seu pai era o Dr. João José da Silveira, a quem o grande escritor Júlio Dinis imortalizou com o nome de “João Semana” no romance “As Pupilas do Senhor Reitor”, onde é apresentado como modelo do médico trabalhador e paciente. O Dr. Silveira foi, de facto, um benfeitor dos pobres, que o adoravam. Diariamente, à tarde, ia, a cavalo, visitar os seus doentes. Nas tardes de mais calor levava, aberto, um grande guarda-sol branco. Por casualidade, a montada era da mesma cor, pelo que chamavam o “João da burra branca” ao criado – um rapazito – que o acompanhava para tomar conta da azémola, nome que ele conservou até morrer.
E fico-me por aqui nesta peregrinação pelo meu passado.Casa das Silveiras no Largo do Quartel
Nesta casa residiu, depois do casamento, o Dr. João José da Silveira (o “João Semana” das Pupilas), que ali tinha o seu consultório, bem como sua esposa, D. Maria Luísa da Fonseca, e seus filhos Mafalda, Hortense, Hermínia, Isaque Júlio, Manuel Maria (falecido novo), Estefânia, Maria Luísa e Joana.

Casa onde residiu o Dr. João José da Silveira, o "João Semana" das Pupilas
No rés-do-chão do prédio, e já depois da morte do Dr. João Semana, as Senhoras Silveiras, que eram modistas, montaram um novo comércio – uma agência funerária (com porta para o caminho que dá para as Luzes), e alugaram outra parte a João Mendonça, que ali instalou uma oficina de sapataria manual e uma barbearia (esta última bem identificada na gravura).
Esta casa, verdadeiramente histórica, por ter sido a segunda casa do Dr. João Semana – a primeira foi a Quinta das Luzes, onde nasceu e viveu a mocidade estudantil –, veio a ser demolida em 1958, após ter sido vendida (1956) pelos herdeiros sobreviventes. Uma terça parte (pertencente às filhas solteiras) ficou para a criada Augusta, que passou a viver numa pequena habitação anexa (também visível na gravura) que, felizmente, ainda se conserva.
Chamamos a atenção dos leitores para o jardim dos Combatentes (do muro para cá) e para a estrada da Arruela, por onde passava grande parte do movimento da vila.
Resta acrescentar que a feliz criança que posou para a posteridade, acompanhando a já demolida casa das Silveiras, é o Dr. Joseph Fernando Pinho Cruz, residente em Elizabeth, nos Estados Unidos, a quem cumprimentamos.

Artigo publicado no jornal JOÃO SEMANA (1 DE JULHO DE 1981)
http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.pt/2008/03/prole-de-joo-semana-lembrando-as.html


ADENDA ----------------------------

Três das filhas, as que mencionámos primeiro, casaram fora. As outras são as personagens evocadas hoje por D. Maria José Vinga e que ficaram solteiras na casa natal. O Isaque, farmacêutico, viveu na Quinta das Luzes, que fora de seu avô paterno, e que lhe foi deixada por seus tios Manuel e Margarida Silveira, que lá faleceram solteiros. O Manuel Maria faleceu novo, vítima da tuberculose, quando estudava medicina.