Jornal JOÃO SEMANA (15/10/2014)
TEXTO: Fernando Pinto
“Um
dia é da caça, o outro do caçador”
Nos dias 7, 21 e
28 de setembro o jornal “João Semana” acompanhou a abertura da caça às aves
aquáticas em Ovar. Nesses três domingos convivemos com dezenas de caçadores,
vindos do norte e centro do país, e pudemos constatar que Ovar tem neste
desporto, que ainda é visto com algumas reservas pela opinião pública, uma
fonte de turismo a explorar.
O bucólico lugar da Ribeira, em vez de despertar com o
habitual canto do galo, acordou, na manhã de 7 de novembro último, dia da
abertura da caça às aves aquáticas em Ovar, com os tiros dos caçadores.
“Aquela placa retangular, a vermelho e branco, quer dizer
que ali para dentro é um santuário, que não se pode caçar”, disse um dos
caçadores veteranos ao jornal “João Semana”, quando se preparava para guardar
na mala do carro a espingarda e as peças de caça que tinha abatido.
“A sinalização venatória é para ser cumprida, porque a
caça rege-se por leis bem específicas e, se o caçador não as seguir à risca,
sujeita-se a uma coima”, lembrou António Alcides Sousa, presidente do Clube
de Caça e Pesca de Ovar (CCPO), em entrevista ao nosso jornal.
Alguns caçadores facilitam e não cumprem as leis, mas o
verdadeiro caçador, segundo o Presidente do CCPO, não anda por aí aos tiros a
tudo o que lhe aparece pela frente. “No caso dos patos, nós, caçadores, quando
ferimos um e não o apanhamos, preferíamos ter falhado o pato”, assegurou António
Alcides Sousa. “Estou convencido de que os erros que são cometidos por alguns
caçadores são por ignorância, daí a importância de a GNR e o ICNF [Instituto da
Conservação da Natureza e das Florestas], irem também para o terreno
sensibilizar as pessoas para determinadas ações, em vez de ficarem apenas pelas
coimas aos caçadores que prevaricam, que transgridem as regras”.
A zona de caça em Ovar tem o n.º 3870, e é municipal.
Ainda não há caça associativa.
“Nós não passamos nenhuma autorização de caça se o
caçador não estiver legal, se não tiver licença de caça e uso de porte de
arma. E para tirar a licença tem de ter seguro de caça. Se quiser ser sócio do
CCPO, a joia de inscrição é de 100 euros e depois paga por ano 42 euros de
quotas”, explicou Alcides Sousa.
“Temos caçadores de Gaia, Barcelos, Anadia, Covilhã, do
norte e do centro do país”, disse o jovem Frederico Muge, vice-presidente do
CCPO, também ele caçador.
Francisco, carteiro da Ribeira, uma das pessoas
responsáveis pela logística e pelo repasto ao ar livre, é uma espécie de
anfitrião dos caçadores que nos visitam nesta altura do ano. Da sua horta
biológica, regada pela água da chuva e do rio Cáster, colhe os legumes que plantou
e que irão servir de acompanhamento às febras na brasa. “Durante o almoço
convivemos uns com os outros, há muita camaradagem”, disse aquele caçador.
“Nós, aqui em Ovar, temos a preocupação de só caçarmos
até à uma hora da tarde, para que as aves regressem ao seu habitat”, esclareceu
Frederico Muge, apontando para a zona do sapal, santuário que abriga, para além
dos patos, garças, flamingos, maçaricos, entre outras aves aquáticas, algumas
das quais se encontram em perigo de extinção, como é o caso da garça-vermelha.
Aos magotes, os caçadores vão saindo do meio dos
caniçais, envergando o tradicional camuflado, com as peças que caçaram presas
à cintura. O pato é a ave mais apetecida, mas podem caçar o galeirão, a
galinha-d’água, a narceja, a tarambola, entre outras espécies.
Para caçar na zona de Ovar, o caçador terá de fazer a respetiva
inscrição dentro dos prazos estabelecidos. “Tem de vir cá dois dias antes, ou
na véspera, e levantar a respetiva credencial, uma braçadeira de
identificação. Se não a tiver consigo, está ilegal”, explicou o presidente do
CCPO, acrescentando: “Os proprietários dos terrenos têm benefícios ao fazerem
a sua inscrição, desde que as suas propriedades estejam dentro da zona de caça,
como as da Ribeira e Marinha, por exemplo”.
Durante muitos anos, as pessoas iam ao armeiro,
compravam uma arma, e davam uns tiros, porque o caçador não tinha de pagar o
local onde caçava. Hoje tem de pagar tudo. Para se ser caçador é preciso gastar
cerca de 2 mil euros.
As malhas da lei começaram a apertar desde 2005. Na caça
em zonas húmidas não se pode caçar com munições de chumbo, para que as águas
não fiquem contaminadas. Os cartuchos são carregados com granalha de metais
como o aço, bismuto e tungsténio.
Se o caçador vier com uma peça de caça e não trouxer o
respetivo cartucho vazio, é autuado. Há também regras para o abate das respetivas
espécies. Cada caçador só pode caçar cinco patos por dia, e é permitido ir à
caça uma hora antes do nascer do sol, embora a jornada possa ser preparada a
partir da meia noite, e, ao fim do dia, a recolha acontece uma hora depois do
pôr do sol.
Em novembro, o pato-real volta a estar na mira dos
caçadores e os tiros voltarão a ecoar lá para os lados da foz do rio Cáster.
Artigo publicado no jornal JOÃO SEMANA (15 de outubro de 2014)
http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.pt/2014/12/caca-ao-pato-na-ribeira-de-ovar.html
http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.pt/2014/12/caca-ao-pato-na-ribeira-de-ovar.html













Começou por ser amador no boxe e, mais tarde, devido à sua técnica, passou a Profissional, travando inúmeros combates em Portugal – no Porto (Palácio de Cristal) e Lisboa (Coliseu dos Recreios) –, na vizinha Espanha e em França. Foi também, durante mais de duas décadas, chefe da secção de boxe do Futebol Clube do Porto, o seu clube de sempre.”



