TEXTO: Fernando Pinto
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| Isabel Ferreira recebendo a visita de algumas crianças no Atelier de Conservação e Restauro de Azulejo da Câmara Municipal de Ovar FOTOS: Fernando Pinto |
“Uma, duas, três, quatro, cinco cores. Tantas cores”, contaram todos com os olhos colados no azulejo. “O que é um painel?”, perguntou um dos miúdos. “É um conjunto de azulejos”, respondeu outro.
Isabel Ferreira pegou num dos ladrilhos e mostrou a marca da trincha, que fica bem visível no azulejo quando este é pintado à mão, sem as pessoas terem a preocupação de o pintar muito certinho.
“Em todos os azulejos de Ovar nota-se esta marca”, revelou a técnica, atraindo mais a atenção das crianças, quando lhes mostrou o forno onde são cozidas as placas de barro.
A visita prosseguiu até todos estarem satisfeitos. Na próxima visita, Isabel Ferreira prometeu que estes meninos e meninas vão poder pôr a mão na massa e criarem os seus próprios padrões.
Ovar começou a apresentar, a partir da segunda metade do século XIX, um bom número de casas cujas fachadas eram revestidas com azulejos, porque este material, além de ser resistente, de funcionar como isolamento térmico e de ser higiénico, dá outra vida aos edifícios. A “moda” veio do Brasil, trazida pelos emigrantes, e ficou. As fábricas do Porto, de Vila Nova de Gaia e de Aveiro também ajudaram a fixar o azulejo, não permitindo que esta arte de embelezar as fachadas e os interiores dos edifícios caísse por terra.
A origem do azulejo
O emprego deste material na ornamentação é antiquíssimo, sendo encontrado no Egipto há cinco mil anos.
Na Península Ibérica os azulejos têm origem árabe – a palavra azulejo deriva do termo árabe “Al zulej”, que significa pequena pedra lisa e polida – e surgiram a partir do século VIII. Há azulejos maravilhosos, de Norte a Sul de Portugal, muitos deles a precisarem de trato.
Artigo publicado no jornal JOÃO SEMANA (1 de novembro de 2012)
https://artigosjornaljoaosemana.blogspot.com/2011/03/descoberta-do-azulejo.html








