Jornal JOÃO SEMANA (15/03/2016)
TEXTO: Orlando Caió
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| Alberto Ramires |
Alberto
Ramires é um nome incontornável na área dos parques de entretenimento e
diversão em Portugal. Filho de mãe
espanhola – de seu nome Agostinha Ramirez – e de pai português, viera ao mundo
no dia 2 de Maio de 1921 na freguesia de Santa Maria, concelho da Covilhã,
distrito de Castelo Branco.
Construtor
do próprio “poço da morte”
Em meados
da década de 1940 construíra o seu próprio “Poço da Morte” com 6 metros de
diâmetro por 7 metros de altura, onde, na qualidade de principal atração, arriscava
a vida montado numa moto da marca inglesa Williers. A afinação da moto era
feita pelo conhecido mecânico Alexandre Seixas. Na véspera das atuações,
Alberto Ramires levava a moto à garagem do referido mecânico, ao tempo situada
na Travessa Júlio Dinis.
Alberto
Ramires foi o primeiro artista português a atuar no Poço da Morte que, nas
décadas de 1940 e 1950, era uma das principais atrações que percorriam as mais
importantes feiras do País, assim como festas e romarias.
Pouco tempo
depois de sozinho ter alcançado notável sucesso, convencera a sua irmã mais
nova, Zulmira Ramires, a formar com ele uma dupla. E passaram a atuar em
simultâneo, montados cada um na sua própria moto, rodopiando pelas
paredes de madeira do “Poço da Morte” – sem qualquer rede de proteção, a uma velocidade próxima
dos 90 quilómetros/hora.
A ideia da dupla era algo de novo que agradava ao
público, e os “Irmãos Ramires” passaram a ganhar a vida desafiando a morte.
Alberto Ramires chegou a atuar no Poço da Morte em
diversos locais de Ovar, por exemplo no Furadouro, por altura das Festas do
Mar, e em Arada durante os dias de Festa de Nossa Senhora do Desterro, depois
de atuações na Feira de Março em Aveiro, festas de Lamego, Covilhã, Espinho,
Palácio de Cristal no Porto e ilhas da Madeira e dos Açores.
Alberto Ramires, que crescera em Viseu e viveu algum
tempo em Aveiro, fixou-se em Ovar na década de 1950, depois de ter residido no
lugar de Souto, Santa Maria da Feira.
Em finais da referida década deixara de ser artista do
Poço da Morte, para se dedicar exclusivamente a outros géneros de diversão
como por exemplo os carrosséis de girafas e aviões e as pistas de automóveis
elétricos.
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| Moto antiga Williers |
Na decisão de deixar o “Poço da Morte” talvez tenha
pesado o facto de numa das atuações ter esmagado as pontas de alguns dedos da
mão direita.
Conheci-o em finais da década de 1950 ou inícios da
década de 1960, quando na cabine de comando da pista de automóveis instalada
no local onde atualmente se encontra o Palácio da Justiça e no Largo dos
Combatentes – bem perto da sua residência –, de microfone na mão e com
estilo, anunciava: – “Vamos para nova corrida e nova viagem, que esta
terminou!”.
Depois da incursão pelos carrosséis e pistas de
automóveis, Alberto Ramires viria ainda a fundar em 1965 uma empresa de
plásticos industriais, à qual foi dada o nome “Fapral”, que funcionou até Março
de 2013 em São João de Ovar, junto à estrada nacional 109.
Alberto Ramires foi de certo modo um aventureiro, mas também
um homem de coragem, inteligência e visão, que a 16 de Julho de 2011 chegaria
ao fim da corrida da vida, já com a bonita idade de 90 anos.
Artigo publicado no jornal JOÃO SEMANA (15 de março de 2016)
http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.pt/2017/06/alberto-ramires-do-poco-da-morte-fapral.html
http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.pt/2017/06/alberto-ramires-do-poco-da-morte-fapral.html


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