22.2.17

A mais antiga história de Ovar

Jornal JOÃO SEMANA (01/02/2017)
TEXTO: Manuel Pires Bastos

A Trupe de Reis JOC/LOC de Ovar apresentou este ano, como primeiro número do seu programa (saudação), um texto baseado num documento histórico de Ovar datado de 28 de abril de 1026, e que vem publicado (em latim e em português) nas páginas 36, 37 e 38 da obra “Ovar na Idade Média” (C.M. Ovar, 1967) do historiador vareiro padre Miguel de Oliveira.


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Do texto original reproduzimos parte da tradução portuguesa:
“Cristo. Em nome de Deus, eu Meitili, faço-te a ti, Octício carta de venda de toda a quarta parte das nossas propriedades, que possuí­mos por herança de pais e avós, na vila de Cabanões e em Muradões, sob o monte Castro de Recarei, no território da cividade de Santa Maria, junto do curso do rio Ovar (…) porque nos resgataste do cati­veiro a mim Meitili e a minha filha Guncina e nos tirastes das barcas dos Normandos, dando por nós um manto de pele de lobo, uma espada, uma camisa, três lenços, uma vaca e três moios de sal, tudo no valor de 70 módios, em presença dos próprios senhores que moravam na casa de Santa Maria da Civi­dade, Tedom, Galindes, Fernando Gonçalves e Erro Teles, e do preço nada deixaste de pagar. (…) E eu Meitili reboro por minha mão esta carta de venda, perante as testemu­nhas presentes: Ederónio, Cáceme, Erigo, David, Songemiro. Notário, o abade Vasco”.
(O Castro de Recarei situa­-se em S. Martinho da Gândara. Cássemes é o nome de um lugar de S. Vicente de Pereira. A Casa de Santa Maria da Cividade é o Castelo da Feira.)

A mais antiga história de Ovar

Voz: Este ano, em noite de Reis,
Diferente é o nosso saudar,
Trazendo à memória
A mais velha história
Da antiga terra de Ovar.

Coro: Há mil anos, em mil e vinte e seis,
Cumprindo dura sina,
Vão p’ra o mar,
De canastra e rapichéis,
Meitili e Guncina.
Noite de abril. Cobre o mar
Um céu de anil,
E num esteiro há um veleiro
Com piratas a espiar.

Trupe de Reis JOC/LOC 2017
(Foto: Fernando Pinto)
Voz: É um bando normando
Que assalta e rapina,

Coro: Que prende Meitili e Guncina.

Coro: O sol já brilha,
No veleiro há um debate
– Maravilha! – mãe e filha
Vão obter o seu resgate.

Voz: E um jovem pirata
Vendo tão bela donzela,

Coro: Suspira ficar cativo dela.

Voz: Este ano, na noite de Reis,
Diferente é o nosso saudar,
Trazendo à memória
Amais velha história
Da antiga terra de Ovar.

Coro: Há mil anos, em tarde de abril,
Finda tão dura sina,
Deixam o barco e o bando normando
Meitili e Guncina.
A um certo Octício,
Deram terras, p’ra as livrar,
Em Cabanões e Muradões,
Junto do rio Ovar.

Voz: E o bando normando
Alto preço determina

Coro: P’ra soltar Meitili e Guncina:
Uma espada,
Um manto de pele lupina,
Uma camisa, um animal
E muitos módios de sal.

Voz: Quando no esteiro há nevoeiro,
A voz do mar
Fala de um pirata a suspirar…

Letra de Manuel Pires Bastos

Artigo publicado no jornal JOÃO SEMANA (1 de fevereiro de 2017)
http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.pt/2017/02/a-mais-antiga-historia-de-ovar.html



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