23.4.15

Padre António de Oliveira Carvalho

Jornal JOÃO SEMANA (15/01/2013)
TEXTO: Manuel Pires Bastos

Padre António de Oliveira Carvalho
Conheci o Padre António de Oliveira Carvalho sendo ele Pároco da Carregosa, do concelho de Oliveira de Azeméis, e sendo eu um estudante no Seminário, natural do mesmo concelho.
Passei a conviver mais proximamente com ele em atividades pastorais em 1961, quando, também, já sacerdote, fui nomeado Pároco de Macinhata da Seixa, no mesmo concelho e Vigararia.
Já bastante idoso, o Padre Carvalho não dava a entender, pela sua discrição e reserva, o gosto que nutrira na juventude pela escri­ta, pela pintura e pela música, qualidades essas de que só tomei consciência mais tarde em Ovar, sua terra natal, onde viu a luz do dia em 14 de abril de 1904, no seio de uma família modesta, mas prestigiada. Foram seus pais Francisco de Oliveira Carvalho e Maria José Valente de Oliveira.
Como muitas crianças com aptidões para estudos mas sem meios para se ma­tricularem nos liceus ou nos colégios de então, o pequeno António foi encaminhado para o Seminário, onde cultivou as suas tendências literárias e artísticas e as suas capacidades humanas.

"Serões da Herdade", romance
do P.e António de Oliveira Carvalho
Terminando o curso teológico em 1929, exerceu, durante um ano letivo, o professorado no Colégio de Espinho. Ordenado sacerdote em dezembro do ano seguinte, celebrou a sua Missa Nova em Ovar em 18 de janeiro de 1931[1], iniciando a sua missão sacerdotal ao serviço da Diocese do Porto como Coadjutor em Santa Marinha (Vila Nova de Gaia), e em Fânzeres (1938). Foi sucessivamente Pároco de Vila Maior (Feira, 1938), Vila Chã (Amarante), Pindelo (Oliveira de Azeméis, 1942) e Carregosa, onde permaneceu 38 anos (1/1/1942 a 25/1/1991).
Recolhendo-se na terra natal em 1991, viria a falecer em Macieira de Cambra em 7/1/1995, sendo sepultado em Ovar.
A sua vocação literária manifestou-se em ensaios de escrita, particularmente na redação de um romance campesino – “Serões da Herdade”[2], inspirado nas terras rurais que pastoreou nas faldas das serras do Marão e da Freita, inspiração a que não falta um toque subtil do estilo de Júlio Dinis em “As Pupilas do Senhor Reitor”, romance que ele admirava por nomear pessoas de quem ouvia falar ou por recrear costumes e paisagens que ele mesmo conheceu em criança.
Como compositor musical, o Padre António de Oliveira Carvalho publicou, com partituras para piano, “Avante Juventude”, hino para a Juventude Católica, e um hino para a Cruzada Eucarística, ambos em edição de Eduardo da Fonseca, de Porto, e ainda uma canção romântica – “Solidão” –, editada em 1942 pela Litografia Invicta, do Porto, cuja letra vem inserida nos “Serões na Herdade”.
Quanto à sua dedicação à pintura, conhece-se um quadro de sua autoria em casa de Beatriz Carvalho, na Rua Camilo Castelo Branco, 16, Ovar.

Notas:
[1]“João Semana”, 15/02/1995.
[2] O romance “Serões na Herdade”, de 308 páginas, foi publicado pela Livraria Simões Lopes, do Porto, em 1948, em edição do autor, que se esconde sob o pseudónimo de Vale Solar.

Artigo publicado no jornal JOÃO SEMANA (15 de janeiro de 2013)
http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.pt/2015/04/padre-antonio-de-oliveira-carvalho.html

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