7.6.14

Ovar possui a primeira imagem do Imaculado Coração de Maria

 Imagem do Imaculado Coração de Maria (de Ovar)
 executada em 1946 pela Casa França
FOTO: Fernando Pinto
Jornal JOÃO SEMANA (01/05 e 01/06/2014)
TEXTO: Manuel Pires Bastos

Em 1946 foi colocada na Igreja Matriz de Ovar uma nova imagem, sob a denominação de Imaculado Coração de Maria, em substituição de outra mais antiga que passou a estar ao culto na Capela do Furadouro.
A nova imagem, ligada às revelações de Nossa Senhora em Fátima foi sinalizada pelo jornal “João Semana” em 25/07/1946 como sendo a primeira que se esculpiu com esse tí­tulo em Portugal (e, obviamente, no mundo), o que constitui uma honra para Ovar.
Só que, por razões que nos escapam, estas particularidades têm sido, desde então, silencia­das pelos historiadores de Fátima.
Este texto, em complemento de outros que vimos publicando desde 2005, é mais um desafio à transparência e à transmissão lógica dos factos.

1 - As razões deste trabalho

Em 1 de julho de 2005, num texto intitulado “Ovar no culto de Fátima” publicado no quinzenário ovarense “João Semana”, demos a notícia de termos encontrado na­quele jornal e no Arquivo Paroquial de Ovar documentação comprova­tiva de que a imagem do Imaculado Coração de Maria que desde 1946 se encontra ao culto na Igreja Ma­triz da cidade vareira é “a primeira que em Portugal se esculturou se­gundo as indicações da vidente de Fátima”[1].


Por sugestão do Município lo­cal, o mesmo tema foi desenvol­vido em 2006 na revista concelhia “Dunas & Perspectivas”[2], agora sob o título “O culto de Fátima no concelho de Ovar”, onde à in­formação referida acrescentámos alguns pormenores sobre a aqui­sição daquela imagem quando da comemoração do Tricentenário da Padroeira de Portugal, e sobre a sua entrada solene em Ovar em 12 de julho de 1946, com a presença do Bispo do Porto D. Agostinho de Jesus e Sousa que, por provisão de 8 do mês anterior [na carta, ao lado], autorizara subs­tituir a antiga imagem do Sagrado Coração de Maria[3] por outra que concentra “as duas devoções na mesma imagem: Senhora de Fáti­ma e Imaculado Coração de Ma­ria”[4].
Tanto quanto nos apercebemos, foi nula a reação a estas informa­ções por parte das instituições liga­das à temática desta obra de arte sa­cra a quem fizemos chegar o texto.
Ressalvamos duas exceções: Monsenhor João Gonçalves Gaspar, no seu livro “Macieira de Alcoba – Ermida e Imagem de Nossa Senho­ra de Fátima” (2006), e o Doutor Marco Daniel Duarte, na sua tese de doutoramento, que prestaram aten­ção aos dados por nós fornecidos em 2005 e 2006, sem que, no entanto, tivéssemos conhecimento de achegas adicionais provindas de outras fontes.
Só em 2013, alguns anos depois de o referido texto de 2005 ter sido editado na Internet, no sítio “Arti­gos do jornal João Semana”, é que nos chegaram alguns comentários, vindos de pessoas ligadas às famí­lias Fânzeres (de Braga), Thedim (da Maia) e França (do Porto), que davam e pediam informações sobre esta questão, para nós tão apaixo­nante como inexplorada.
Igreja Matriz de Ovar (década de 40)
Nesse ano de 2013, decorrendo em Fátima uma grande exposição dedicada ao Imaculado Coração de Maria, seria lógico que se falasse da imagem de Ovar, de 1946, da qual déramos informação jornalísti­ca desde 2005.
Para maior estranheza, quando, em janeiro último, compulsámos a obra “Um caminho sob o olhar de Maria – Biografia da Irmã Maria Lúcia de Jesus e do Coração Ima­culado”[5], não encontrámos ali qualquer alusão à histórica imagem, que o “João Semana” de 25/07/1946 assevera ter sido esculturada segun­do as indicações de Lúcia. 
Porque o assunto ainda não le­vedou, e porque se nos depararam mais algumas achegas, vamos par­tilhar a nossa investigação para que seja possível que a “luz ilumine to­dos os que estão em casa”.





2 - O começo da história

A partir da publicação do 3.º volume das “Memórias de Lúcia” (1941), em que a vidente expõe a mensagem relacionada com a con­sagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria, as Irmãs do Sa­grado Coração de Maria desejaram ter nos seus colégios uma imagem alusiva à aparição, como incentivo à devoção dos primeiros sábados.

Pedida a colaboração das Irmãs Doroteias, estas, através de contac­tos com Lúcia, então a viver em Es­panha, dispuseram-se a recolher os dados necessários para satisfazer o objetivo em causa. Feito um esboço figurativo da aparição (na foto), foi este aprovado pelo Cardeal Patriar­ca e pelo Bispo de Leiria, e logo enviado à vidente, que em 1943 deu o seguinte parecer, escrito pelo próprio punho, e com emendas as­sinaladas por traços e uma cruz.
“A mão direita mais à altura do ombro como que refletindo, ao mesmo tempo, para os assistentes. Do lado esquerdo, o manto caindo menos para diante. O coração com os espinhos à volta. Nem o cora­ção, nem as mãos, nem a imagem tinha raios, era luz, reflexo”.
Depois de um encontro da primeira Diretora do Colégio do Sagrado Coração de Maria, Madre Chantal, com José Ferreira The­dim (1891-1971), em Lisboa, para o acerto dos pormenores referentes à imagem a esculpir, tudo levava a crer que a obra se concretizaria pe­las mãos hábeis daquele artista.
Sagrado Coração de Maria,
 calcando a serpente, atri­buto
distintivo da Imaculada Conceição

(Colégio do Instituto do Sagrado
Coração de Maria, Lisboa)


3 - Primeira fase de imagens

Algo de imprevisível terá for­çado Thedim a abandonar aquele projeto. Terá sido o compromisso de esculpir uma nova imagem de Nos­sa Senhora de Fátima – a Virgem Pe­regrina –, cujo esboço em fotogra­fia Lúcia tinha aprovado em 1943, e que, após o regresso da vidente a Portugal, em 15 de maio de 1946, depressa foi concretizado (1947)? Ou terá sido o facto de as Irmãs Cor­dimarianas, face à de­mora do escultor, terem optado por outro tipo de modelo de escultura? [Imagem ao lado]
Tais contratempos mereceram do antigo Reitor do Santuário de Fátima, Monsenhor Antunes Borges, em 1959, o seguinte co­mentário: “Longa foi a expectativa, não che­gando sequer a apa­recer aquela primeira imagem que devia servir de modelo para todas as outras”[6].
Entretanto, à Casa França passa a caber o protagonismo de exe­cutar essa imagem, a mesma que em 12 de julho de 1946 deu entrada em Ovar, bem como outras da mes­ma fase (com “o braço à altura do ombro”), entre as quais a da Igreja de Nossa Senhora da Conceição (1946), em pedra, que reproduz o modelo da de Ovar, e a da Igreja dos Clérigos (1948), ambas no Porto[7].

As imagens do Imaculado Coração de Maria das Igrejas
da Senhora da Conceição (à esquerda) e dos Clérigos (Porto)

A primeira, com data de 1946, e a segunda, de 1948. As primeiras pombas
só surgem junto da Imagem Peregrina a partir de dezembro de 1946. 
Marca de Maias Irmãos, na imagem do Imaculado Coração de Maria
da Igreja dos Clérigos do Porto (1948)

4 - Segunda fase de imagens

Irmã Lúcia junto à maqueta do Imaculado Coração
de Maria executada pelo Padre Mc Glynn (1947)
(No livro "A Vidente de Fátima Dialoga e responde
pelas Aparições", de Sebastião Martins dos Reis) 
Em 1947 é apresentada a Lúcia, no Colégio do Sardão (V. N. Gaia), uma recente maqueta (na foto, ao lado), executada pelo escultor Pa­dre Mc Glynn, correspondendo a uma segunda fase iconográfica do Imaculado Coração de Maria, que se demarca da primeira fase sobre­tudo pela posição das mãos, mais próximas da cintura, iconografia esta que será assumida por José Ferreira Thedim em duas imagens (1948 e 1949, particularmente na segunda, a mais preciosa, do Car­melo de Coimbra) e pela generali­dade dos escultores seguintes.

5 - Adenda

No livro “Um caminho sob o olhar de Maria”, a pág. 352 lê-se: “Há muito que a Irmã Lúcia de­sejava que se fizesse uma imagem representando Nossa Senhora na posição tomada quando mostrou o Seu coração Imaculado. Tinha feito diligências e deu indicações, por duas vezes vestiu uma menina representando esta aparição, para ser fotografada e servir de modelo, mas nunca acontecia (…)”.
Referem-se os autores neste texto à primeira fase iconográfica, na época em que Lúcia e as Irmãs Doroteias, correspondendo ao ape­lo das Irmãs do Sagrado Coração de Maria, procuravam, em colabo­ração com José Thedim, delinear a imagem do Imaculado Coração, que o próprio escultor deveria re­produzir, mas que viria a ser escul­turada por Albano França, proprie­tário da Casa França, do Porto.
Extrato do jornal “João Semana”, de Ovar, de 25/07/1946

(Continua...)

Notas
[1] “João Semana”, 25/07/1946
[2] “Dunas & Perspectivas”, n.º VI, no­vembro de 2006, págs. 89 a 106)
[3] A partir daí a imagem ficou ao culto na Igreja do Furadouro
[4] “Como se pede” do Bispo do Porto de 08/06/1946
[5] “Um caminho sob o olhar de Maria – Biografia da Irmã Maria Lúcia de Je­sus e do Coração Imaculado”, edições Carmelo, 2013
[6] Borges, Monsenhor Antunes, “Como surgiu a primeira imagem do Imacula­do Coração de Maria”, em “Fátima 50”, ano II, n.º 23, de 13/03/1969, pág. 10-16.
[7] Marco Daniel Duarte refere que José Thedim foi colaborador de Albano França, adquirindo parte dos utensílios de trabalho da Casa França

Artigo publicado no jornal JOÃO SEMANA (1 de maio de 2014)
http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.pt/2014/05/ovar-possui-primeira-imagem-do.html

--------------------------

Ovar possui a primeira imagem do Imaculado Coração de Maria

(Continuação)


6 – Primeiras tentativas de representação (1.ª fase)

Pintura a óleo executada pela Irmã
Henriquieta Malheiro Vilas Boas (1946)
Aprovada superiormente, em 21/12/1943, uma fotomontagem elaborada pelo Reitor do Santuário de Fátima Amílcar Martins Fontes, e corrigida a mesma por Lúcia, logo em 1946 surgiram, titubeantes, as primeiras versões da imagem do Imaculado Coração de Maria, de que se destacam:
a) O quadro a óleo da colega de Lúcia Irmã Henriqueta Malheiro Vilas Boas, doroteia (1876-1971), apresentado como “a verdadeira imagem da aparição do Imaculado Coração de Maria que a vidente de Fátima conservava profundamente gravada na sua viva e colorida ima­ginação”[1].
b) “A imagem do Imaculado Co­ração de Maria, executada no Porto, na Casa França [2], entronizada na Igreja Matriz de Ovar em 12 de ju­lho de 1946, e que o jornal “João Semana” identificava como “a nova imagem do Imaculado Coração de Maria, a primeira que em Portugal se esculturou, segundo as indicações da vidente de Fátima, e que foi oferecida por uma família devota desta vila”[3].
Um pormenor desta imagem de Ovar – “a mão direita mais ou menos à altura do ombro” – indicado por Lúcia em 1943, passa a identificar a primeira fase de esculturação deste modelo, repetido em imagens simi­lares da Casa França (Igreja de N.ª Sr.ª da Conceição, Porto, 1946)[4], de Maias Irmãos (Igreja dos Clérigos, Porto 1948) e de outros artistas.

7 – Outros modelos icono­gráficos

Como escrevemos, e por razões que não apurámos completamente, as Irmãs do Sagrado Coração de Maria, que na busca de um modelo de imagem do Imaculado Coração de Maria muito colaboraram com as Religiosas Doroteias (incluin­do Lúcia), e com o escultor José Thedim, acabaram por procurar outros artistas, que satisfizeram o seu pedido, mas seguindo modelos iconográficos diferenciados. Assim, enquanto no Colégio de Lisboa o Imaculado Coração de Maria é representado pela Virgem com um coração no peito e uma serpente sob os seus pés (tal como nas imagens de Nossa Senhora da Conceição), no do Porto quem pontifica é uma Senhora do Rosário, já que o Colé­gio tem esta titular como patrona.

A maqueta do Padre McGlynn
(1947)
8 – Um recuo na imagem de McGlynn

O Padre McGlynn junto
da imagem do Imaculado
Coração de Maria
A maqueta do Imaculado Co­ração de Maria (na foto) executada pelo escultor americano Padre Thomas McGlynn (1906-1977), e benzida pelo Papa em Roma em Março de 1947, após alguns acer­tos sugeridos pela vidente (ver J. S. 1/5/2014), marca uma 2.ª fase em relação à imagem de Ovar, apresentando as mãos espalmadas, frente à cintura.
Intrigante é o facto de McGlynn, que apresentara, em 1947, a maquete inovadora, tenha seguido, dez anos depois, o modelo da primeira, ao esculpir, entre 1956/58, em Roma, em mármore de Pietrasanta, a gigan­tesca estátua da fachada do Santuário de Fátima (4,73 m e 13 toneladas), inaugurada em 13/05/1959.

9 – As imagens de José Ferrei­ra Thedim (2.ª fase)

Livre de compromissos com as Religiosas do Coração de Maria, José Ferreira Thedim pôde idealizar e executar duas novas criações de estatuária fatimita: a Imagem Pere­grina de Nossa Senhora de Fátima, e o antigo projeto assumido com Madre Chantal em 1944-45, mas agora estribado no modelo da ma­queta do P.e McGlynn, apadrinhada por Lúcia em 1947 quando religiosa doroteia em V.N. de Gaia.
A entrada da Irmã Lúcia no Carmelo de Coimbra em 25/3/1948 impulsionou o escultor a levar a cabo a missão adiada. Escreve Lúcia nesse mesmo ano: “O The­dim espera dar-me a imagem do Coração Imaculado de Maria para a festa do dia 8 de dezembro” [5].
A primeira imagem do Imaculado Coração de Maria
executado por José Ferreira Thedim (1948)
Porque a imagem (na foto) não lhe agradou plenamente, veio uma segunda, que foi benzida em 25 de março de 1949, 1.º aniversário da sua Profissão Solene.
A propósito, lê-se na obra “Um caminho sob o olhar de Maria:
“Uma primeira imagem não foi aprovada pela Irmã Lúcia, por ter a mão direita demasiado erguida. Perante as apreciações da vidente, o escultor José Ferreira Thedim ofereceu essa, que se encontra no Carmelo do Bom Jesus de Braga, e realizou uma nova escultura. Agora, sim, tinha a posição das mãos que a Lúcia interpretava como o gesto maternal que levanta o filho caído: com a mão esquerda o filho que caiu, e com a mão direita ampara-o e abençoa-o. Este filho é cada um de nós, explicava... Na Profissão Solene foi uma fotografia desta imagem que serviu para o recordatório” [6].
Achamos que “a mão demasia­do erguida” aqui atribuída à primei­ra destas imagens (a de 1948, hoje em Braga), tê-la-ão relacionado os autores da obra com as imagens da 1.ª fase, como a de 1946 (de Ovar) [7].
Irmã Lúcia acolhendo­-se sob a mão direita
 da imagem do Carmelo de Coimbra, de José
 Ferreira Thedim, escul­pida em 1949
Quanto à simbologia da mão direita nestas duas imagens de Thedim, a Irmã Maria da Paz de Cristo, que conviveu com a Irmã Lúcia durante oito anos em Coim­bra, e hoje vive no Carmelo de Braga, refere que a vidente afirmava que na mão um pouco elevada da primeira (foto), via uma atitude “impositiva”, enquanto na segunda, de Coimbra (ao lado) ela descobria um gesto de acolhimento. Que teria imaginado Lúcia, em 1943, ao propor “a mão mais à altura do ombro”, tal como a recriaria, em 1946, a Casa França? Talvez um gesto de bênção e carinho de uma mãe que convida os seus filhos a cumprirem a mensagem de Fátima.

10 - Conclusão

Na sua tese de doutoramento, Marco Daniel Duarte afirma, acerca da imagem de Coimbra, benzida em 1949: “Trata-se, efetivamente, da primeira imagem escultórica do Imaculado Coração de Maria, pelo menos a que tradicionalmente se aceita como tal” [8]. Mas reco­nhece o autor que, não obstante, deve atender-se às investigações por nós publicadas no jornal “João Semana” de 01/07/2005 e na revista “Dunas” de 2006, onde se afirma, “em argumentação plausível”, que “a primeira imagem do Imaculado Coração de Maria está em Ovar”, sugerindo que o gesto da imagem de 1946 – e, acrescentamos nós, de muitas outras posteriores (inclusive na de McGlynn (1956-1958), seja “enquadrado num estudo mais desenvolvido que vise esclarecer essa genealogia final das primeiras representações do Imaculado Cora­ção de Maria a partir da Mensagem de Fátima”.
A “genealogia” parece-nos sim­ples e de boa cepa: nasceu da infor­mação da própria Lúcia ao corrigir a fotomontagem de dois esboços que lhe apresentaram em 1942 e em 1943: “A mão direita à altura do ombro, como que refletindo, ao mesmo tempo, para os assistentes”. Ao recuperar esta posição da mão direita, depois de ter experimentado uma nova postura (a da 2.ª fase, que Thedim assumiria com a total apro­vação de Lúcia), não terá o Padre McGlynn pretendido nobilitar essa “genealogia”, bem expressa na “pri­meira imagem que em Portugal se esculpiu segundo as indicações da vidente de Fátima”?

Notas
[1] Borges, Monsenhor Antunes, “Como surgiu a primeira imagem do Imaculado Coração de Maria”, Fátima 50, Ano II, n.º 23, pág. 10 a 14.
[2] Albano da Silva França, escultor de prestígio, formado na Escola de Belas Artes do Porto, com obras espalhadas por todo o país, inclusive em Fátima. Era filho do santeiro José da Silva França, e irmão de Olívio da Silva França (afilhado do san­teiro José Fernandes Caldas, da freguesia de Sequeira, Caldas, Guimarães, pintor da imagem de Ovar, e pai do escultor de arte Sousa Caldas, segundo informações de D. Maria Paula França Macedo da Cunha Mendes, neta do Olívio.
Sérgio de Oliveira e Sá, autor do livro “Santeiros da Maia no último ciclo da es­cultura cristão em Portugal”, em comentá­rio que nos enviou pela internet, opina que França Esculp. se refere a Albano França, e não a José Ferreira Thedim (Neto), como admitimos em textos anteriores.
[3] “João Semana”, 25/07/1946 (Ver transcrição mais completa da notícia em J. S. 01/05/2014).
[4] Imagem em pedra ançã, com algu­mas pombas (J. S. 01/05/2014).
[5] Ver Tese de Doutoramento de Marco Daniel Duarte "Fátima e a criação artística (1917-2007): o Santuário e a Iconográfica - a arte como cenário e como protagonista de uma específica mensagem"  
[6]  “Um caminho sob o olhar de Maria – Biografia da Irmã Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado”, Edições Car­melo, 2013.
[7] A relacionar rigorosamente a mão direita com a imagem de 1948, deveria tê-la descrito como “um pouco elevada”.
[8] Esta conclusão não corresponde, de facto, à realidade, já que a primeira imagem, como se constata, é de 1946. A imagem de 1948 é, simplesmente, a primeira de José Ferreira Thedim.

Artigo publicado no jornal JOÃO SEMANA (1 de junho de 2014)
http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.pt/2014/05/ovar-possui-primeira-imagem-do.html




(Leia os comentários deixados no referido artigo)

3 comentários:

Fatimita disse...

Mui caro João Semana,

Tenho uma dúvida. É que o senhor escreveu que "veio uma segunda, que foi benzida em 25 de março de 1949, 1.º aniversário da sua Profissão Solene". Porém, não foi a profissão solene de carmelita da Ir. Lúcia em 31 de maio de 1949? Estudo Fátima, e interessa-me chegar a essas minúcias. Correta ou errada, gostaria de saber - se o senhor puder fazer-me a gentileza - de onde o senhor retirou essa informação, sobre ter sido o 1° aniversário da profissão solene em 25 de março de 1949.

A fotografia da Ir. Lúcia com a primeira imagem de Thedim é, portanto, de 1948? Há autoridade que ateste a data da foto? Há um antigo foto postal com esta foto, que acredito que deva ser o primeiro foto postal com uma fotografia assim, adulta, da irmã. Para fins historiográficos, seria interessante poder datar tanto a foto como o postal.

Muito obrigado

Fernando Pinto disse...

Caríssimo “Fatimita”

Tem toda a razão. De acordo com o livro “Um caminho sobre o olhar de Maria” (Edições Carmelo 2013, pág. 352), há que retificar, em sequência temporal, algumas datas referidas acima (n.º 9 do texto “As imagens de José Ferreira Thedim”):
1- 25/03/1948 – Entrada da Irmã Lúcia no Carmelo de Coimbra;
2- 13/05/1948 – Tomada do Santo Hábito;
3- José Ferreira Thedim empenhou-se em fazer uma imagem do Coração Imaculado de Maria;
4- Porque essa 1.ª imagem não agradou totalmente à Irmã Lúcia, por ter a mão direita um tanto elevada, o escultor comprometeu-se a executar, de emergência, uma 2.ª imagem, com a mão direita reclinada em jeito de afago. Estava prevista a sua entrega para 01/12/1948;
5- 24/02/1949 – O Sr. Bispo de Leiria benze a 2.ª imagem;
6- 25/03/1949 – Chegada da imagem ao Carmelo, com a presença do Sr. Bispo de Coimbra, coincidindo com o 1.º aniversário da entrada da Religiosa como carmelita;
7- 31/05/1949 – Votos Solenes da Irmã Maria Lúcia do Coração Imaculado, com foto desta imagem na pagela recordatória.

Padre Manuel Pires Bastos
(Pároco de Ovar e Diretor do jornal “João Semana”)
E-mail: manuelpiresbastos@sapo.pt

Paróquia São Salvador Ílhavo disse...

Deixo informação sobre a imagem de Ilhavo. Atenciosamente

http://patrimonioreligiosodeilhavo.blogspot.pt/2014/04/virgem-do-rosario-de-fatima-em-ilhavo.html