![]() |
| Padres Manuel Lírio e José Ribeiro de Araújo, fundadores do jornal “João Semana" |
O Padre
José Ribeiro de Araújo, nascido em 1883 – há 130 anos – terá sido o
impulsionador da fundação do jornal, cuja ideia foi fruto da vocação literária
e jornalística do Padre Manuel Lírio, nascido dois anos antes, e da necessidade
de enfrentarem o período crítico que a Igreja vivia, nessa altura, no nosso
país. Um e outro escreveram e lutaram juntos, ao longo de 39 anos, até 1953,
quando terminaram o seu percurso terreno: o segundo deles em 6 de junho, com
72 anos de idade, e o primeiro em 19 de novembro, com 69 anos.
Tê-los-emos
sempre presentes.
Manuel
Pires Bastos
Padre José Ribeiro de Araújo (1883/1953)
Jornal JOÃO SEMANA (15/06/2013)
Jornal JOÃO SEMANA (15/06/2013)
Pesquisava
na minha biblioteca de família quando deparei com um livro litúrgico (Rituale
Romanum editado em 1907), com a assinatura do Padre José Ribeiro de Araújo
datada de 1908, ano da sua ordenação sacerdotal, e contendo, no seu interior,
uma memória do seu falecimento, ocorrido em 6/6/1953.
Quem foi
este sacerdote? De onde era natural? Que semente deixou na comunidade vareira?
Nasceu em
Perosinho, Vila Nova de Gaia, em 14/11/1883, filho de Joaquim Ribeiro de Araújo
e de Ermelinda Domingues Coelho. Ordenado sacerdote em 25/10/1908 por D.
António Barroso, Bispo do Porto, de quem corre o processo de canonização,
requereu licença para celebrar missa em 30/10/1908.
Vindo para
Ovar em 1909, como coadjutor do abade Dr. Alberto de Oliveira e Cunha, natural
da Murtosa (1858-1936), tomou o encargo da capelania do Sobral e, a partir daí,
desenvolveu um trabalho profícuo na comunidade vareira, restaurando a
Congregação Mariana (1921), fundando a associação das Damas de Caridade (1923),
convertida, em 1945, na Conferência Feminina de S. Vicente de Paulo, e, em
1924, o grupo de escuteiros, reorganizado e oficializado como Grupo N.º 66
(atual 549 do Corpo nacional de Escutas).
Porque os
primeiros anos da Primeira República criaram clivagens com a Igreja Católica,
nomeadamente pela confiscação dos bens eclesiásticos e pela lei de separação
de poderes Igreja-Estado, fazia falta nas casas ovarenses uma publicação de
inspiração cristã que defendesse os valores espirituais que estavam a ser
beliscados pelo novo governo. Aqueles dois jovens padres, saídos há pouco do
Seminário com uma mão cheia de projetos, fundam o jornal "João Semana" (celebra
100 anos em 1 de janeiro de 2014), cujo título foi adotado como homenagem ao
Dr. João José da Silveira (1812-1896), figura típica de Ovar imortalizada em
“As Pupilas do Senhor Reitor” e que revivemos nestes 150 anos das comemorações
da chegada de Júlio Dinis a Ovar.
O
Padre Cura, como era conhecido, colaborou no Almanaque de Ovar, e publicou no
“João Semana”, a partir de 1945, artigos de história local que, em 1952, deram
origem ao livro Poalhas da História da Freguesia e Igreja de Ovar. Já em 1920
publicara Monografia de Perosinho.
Sacerdote
exemplar e prestante cidadão, serviu dignamente a Igreja e a vila de Ovar, ao
longo de 44 anos, quer no exercício da sua missão pastoral, quer como professor
no Colégio Ovarense e orientador da juventude no Escutismo.
Faleceu na
sua casa, na rua Visconde de Ovar, em 6/6/1953, sendo sepultado em jazigo
familiar no cemitério de Ovar, cujo município atribuiu o seu nome a uma rua.
Para
realizar este trabalho pesquisei os jornais “João Semana” (1953), “Notícias de
Ovar” (1953, e revista “Dunas” (n.º 7 de 2007), e solicitei informações ao
Arquivo Diocese do Porto.
Padre Manuel Rodrigues Lírio (1881/1953)
Para além
de ter sido sacerdote, o Padre Lírio foi professor, jornalista, historiador e poeta.
Nasceu na Lagoa de S. Miguel a 23 de agosto de 1881, e faleceu na sua
residência, em Ovar, vai fazer 60 anos no próximo dia 19 de novembro (e não a
14, como vem mencionado na Monografia e Dicionário da História de Ovar).
Na
lápide da sua sepultura esqueceram-se de colocar o dia da sua morte.
Como vem escrito na edição de 26/11/1953 do “Notícias de Ovar”, apesar das polémicas
em que esteve envolvido – foi preso por defender a causa monárquica –,“a terra
sagrada que o cobre não ocultará o prestígio do seu nome”.
Jornal JOÃO SEMANA (15/06/2013)
TEXTO: Fernando Pinto
Numa tarde,
em casa do meu primeiro Diretor, José Manuel Ferreira Casaca, enquanto
fazíamos as últimas emendas no seu futuro livro “A Região de Entre-os-Rios”,
falámos um pouco do jornal “João Semana” e dos seus fundadores, Padres Ribeiro
de Araújo e Manuel Lírio. O Sr. Casaca, Diretor deste quinzenário desde 1976 a
2000, foi uma das pessoas que me fizeram entender quanto este periódico
deveria ser mais acarinhado pela comunidade vareira. (No dia 24 de junho faz 9
anos que este nosso amigo partiu. Se estivesse entre nós, completaria 80
primaveras no dia 6 de outubro).
Tal como o
Sr. Casaca, o Padre Lírio dava muita importância à historiografia local,
porque um povo sem memória é um povo triste e pobre.
![]() |
| Lápide da sua sepultura do Padre Manuel Rodrigues Lírio (Cemitério de Ovar) |
Em 1918, no
texto que abriu, quatro anos mais tarde, a sua obra “Os Passos de Ovar”,
contava em “duas palavras”:
“Fomos um
dia (...) à capela do Calvário, em cata de um livro velho (...). Nas suas
primeiras páginas divisáramos então, sem lhe ligarmos grande importância, uma
lista de padres ovarenses muito extensa (...). A nossa curiosidade, porém, que
já se não satisfazia só com a vista do abandonado calhamaço, que lá continuava
coberto de pó e bolor no seu conhecido poiso, levou-nos a rebuscar outros, a
remexer, a procurar. (...)”.
Ao longo da
sua vida, o Padre Lírio encontrou outros tantos livros e documentos preciosos
para a preservação da história daquela secular Irmandade dos Passos, alguns dos
quais se encontram nas mãos de particulares. Seria importante que esse espólio
estivesse ao alcance dos investigadores.
Para além destas obras, o Padre Lírio deixou-nos, entre outros, os seguintes títulos: Almanaque de Ovar e Monumentos e Instituições Religiosas (subsídios para a história de Ovar), e Memórias Anedóticas de In Illo Tempore.
Para além destas obras, o Padre Lírio deixou-nos, entre outros, os seguintes títulos: Almanaque de Ovar e Monumentos e Instituições Religiosas (subsídios para a história de Ovar), e Memórias Anedóticas de In Illo Tempore.
Artigos publicado no jornal JOÃO SEMANA (15 de junho de 2013)
http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.pt/2013/11/joao-semana-centenario-vista-os.html
CLIQUE NOS LINKS, A AZUL, PARA LER MAIS TEXTOS SOBRE ESTES DOIS PADRES.
http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.pt/2013/11/joao-semana-centenario-vista-os.html
CLIQUE NOS LINKS, A AZUL, PARA LER MAIS TEXTOS SOBRE ESTES DOIS PADRES.



Sem comentários:
Enviar um comentário