8.8.13

Os sinaleiros e o cabo Dias

Cabo Cardoso
Jornal JOÃO SEMANA (15/01/2012)
TEXTO: Dulcídio Vaz Pinto

Os sinaleiros constituíram, seguramente, uma referência no panorama local desde os anos 40 do século passado até finais da década de 60.
Vem isto a propósito de uma conversa tida, há algum tempo atrás, com o senhor Mário Gonçalves Leite Dias, que soma a bonita idade de 74 anos, mais conhecido por cabo Dias, antigo militar da Guarda Nacional Republicana, que prestou serviço no Posto de Ovar desde 1966 até 1993.
Homem de fortes convicções, depreendemos das suas palavras, e à medida que conversávamos, que, ao longo de 27 anos, sempre pautou a sua ação pela isenção e imparcialidade, procurando em todas as suas intervenções, que foram muitas, atuar de forma firme, sem violência, com delicadeza, mas sempre sem baixeza. Vislumbrava-se no seu rosto uma expressão conspícua quando dizia, e cito: “a minha querida Guarda”.
O cabo Dias sustenta que a passagem de testemunho dos sinaleiros civis para elementos das forças de segurança se dá em 1968, ano em que, de acordo com o antigo militar, a GNR (que já prestava serviço em Ovar desde 07/02/1945) passou a desempenhar essa missão, que se estendeu até 1970, altura em que a PSP substituiu a Guarda Nacional Republicana no policiamento da então vila de Ovar.

Cabo Dias e o militar Hernâni

Tudo leva a crer que o cabo Dias tem razão, como o comprova a fotografia aqui publicada, tendo como figura central o também cabo Cardoso, em 1968, a coordenar o trânsito no centro da vila. Numa outra foto temos uma imagem familiar a qualquer ovarense que há dezenas de anos tenha passado pelo centro de Ovar e visto na entrada do posto da Guarda um quadro frequente: neste caso, o cabo Dias e outro militar chamado Hernâni. Uma última fotografia mostra-nos o cabo Dias no dia 4 de julho de 1984, em serviço de escolta ao então Presidente da República General António Ramalho Eanes, aquando da inauguração do Infantário em Válega.

O cabo Dias fazendo escolta ao Presidente da República General Eanes

Importa ainda salientar a permanente disponibilidade que o cabo Dias e o cabo Cardoso sempre me demonstraram, quer nas informações prestadas, quer na cedência de algum material fotográfico, a fim de ser publicado, possibilitando, desta forma, que a úrgica informação não estiolasse por esquecimento, ou simplesmente ficasse enredada nas procelas do tempo. Um bem-haja pela generosidade, sempre bem-vinda, destes grandes senhores.

Artigo publicado no jornal JOÃO SEMANA (15 de janeiro de 2012)
http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.pt/2013/08/os-sinaleiros-e-o-cabo-dias.html




LEIA também o texto "Os sinaleiros", do nosso colaborador Orlando Caió. Clique no título (link, a azul).

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