5.3.13

Nos 50 anos do Museu de Ovar

Museu de Ovar
[FOTO: Fernando Pinto]
Jornal JOÃO SEMANA (01/02/2011)
TEXTO: Fernando Pinto

“(...) Embora Ovar seja rico sob o ponto de vista etnográfico, dado a sua população desde os primórdios ter vivido da terra e da pesca, quer na ria quer no mar, criando assim usos e costumes próprios que depois difundiu, o Museu, ao que se poderia supor, não se limitou a ser um repositório da etnografia da região. Alargou a sua acção a outros campos, e é assim que nele há, praticamente desde o início, um pequeno mundo – que felizmente, ano a ano, se tem vindo a ampliar – de tudo, desde a pintura (nas suas diversas formas e escolas), à escultura, artesanato, medalhística, numismática, etc.” (José Augusto de Almeida, em “Ovar e seu Concelho”, Dezembro de 1985)


Há 25 anos, José Augusto de Almeida escrevia num artigo de que transcrevemos esta passagem, que o Museu de Ovar era “um Museu diferente”.
Hoje, passados 50 anos da sua inauguração, em 8 de Janeiro de 1961, o Museu continua a ser, tal como o sonhou o seu fundador, um espaço sui generis.
O Museu de Ovar é mais o que está guardado do que aquilo que se mostra. Esta casa ovarense, situada na Rua Heliodoro Salgado, foi reconhecida em 1975 como Instituição de Utilidade Pública, e tem passado, nos últimos meses, por várias fases, nunca deixando de surpreender os visitantes com  os eventos que leva a cabo.
“Quisemos comemorar as Bodas de Ouro com uma Exposição ligada à terra, aproveitando-a para homenagear D. Beatriz Campos, não só como artista que era, mas também com uma vertente humana, na medida em que ela foi também colaboradora do Museu e, durante alguns anos, depois que o marido António Coentro de Pinho morreu, ficou como Presidente da Assembleia Geral dos Órgãos Sociais do Museu”, disse em entrevista ao jornal “João Semana”  Manuel Brandão, seu actual Director.

Homenagem do Museu de Ovar à artista ovarense Beatriz Campos
[FOTO: Fernando Pinto]

Até ao fim de 2011, inseridas nas comemorações dos 50 anos do Museu, realizar-se-ão mais três exposições relacionadas com Ovar e o espólio do Museu, e irá ser publicado um livro relatando a história do Museu e que, por indicação do Vereador da Cultura, Vítor Ferreira, estará à venda na próxima Feira do Livro. “Parte da obra, desde o nascimento até 1974, foi escrita pelo Sr. Manuel Silva, membro da Direcção desde o início. De 1974 até aos dias de hoje a recolha foi feita por mim. Tem ainda uma  terceira parte, em homenagem a todos aqueles que integraram os Órgãos Sociais desta casa. Estamos também a pensar editar uma medalha e um selo comemorativo do cinquentenário”.
A melhor prenda que o Museu podia ter nesta data, segundo o seu Director, era um Museu novo. “Se tivéssemos um edifício de raiz, tínhamos obras suficientes para rechear uma dúzia de salas”, afirmou,  acrescentando que, por enquanto, estão satisfeitos com as duas salas de exposições temporárias. “Fizemos  na sala principal uma pequena alteração. Retirámos as bonecas com trajes tradicionais, que eram muitas, algumas das quais foram colocadas numa sala do rés-do-chão. Agora podemos admirar o tecto daquela sala, que é lindíssimo”.


Pormenor do tecto de uma das salas do Museu de Ovar
[FOTO: M. Pires Bastos]
Antigamente eram 13 as salas do Museu. Neste momento, as duas salas grandes, a da Lavoura e a de Artes e Ofícios, estão em remodelação, para ficarem como reservas visitáveis, ou seja, com objectos que podem ser admirados a qualquer altura. Mas, apesar de todas estas remodelações, o Museu de Ovar continua com a mesmas dificuldades com que se deparou, no início, José Augusto de Almeida e seus colaboradores. As acessibilidades são um dos problemas graves a solucionar. “Quando se fizerem obras nas salas de baixo, se houver possibilidade, será colocado um elevador para o 1.º andar. Não podemos privar as pessoas com dificuldades de locomoção de visitar o nosso Museu. Isso está sempre no nosso pensamento, para além de que a lei o exige. O acesso ao Museu passará, então, a ser feito pela parte antiga da garagem, onde teremos uma sala de entrada com uma referência àquilo que se vai encontrar no seu interior”, adiantou Manuel Brandão, sublinhando que, para que possam arrancar com um projecto desta natureza, têm que ser ajudados financeiramente. O apoio que recebem das Autarquias, tanto da Câmara como da Junta de Freguesia, é muito reduzido.

Artigo publicado no jornal JOÃO SEMANA (1 de fevereiro de 2011)
http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.pt/2013/03/nos-50-anos-do-museu-de-ovar.html

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