4.10.12

Jerónimo Alves Vieira – Identificação de uma testemunha do Milagre do Sol em Fátima

Jornal JOÃO SEMANA (15/10/2007)
TEXTO: Manuel Pires Bastos

Em 13 de Outubro de 1917, em Fátima, a multidão  observando o Sol.
Jerónimo Alves Vieira é o 2.º à direita da foto, de boina na cabeça

Avelino de Almeida, Chefe de
 Redacção de “O Século”
Devem-se a Avelino de Almeida, Chefe de Redacção de “O Século”, duas reportagens sobre os acontecimentos de 13 de Outubro de 1917 na Cova de Iria, a que assistiram entre 30 mil a 50 mil pessoas.
Quer “O Século” de 15/10/1917 – “Coisas espantosas– Como o Sol bailou ao meio-dia em Fátima” –, quer a “Ilustração  Portuguesa” de 29/10 – “O milagre de Fátima” – ofereceram ao país inteiro, incluindo às classes mais cultas, nesses  textos de excepcional qualidade jornalística, um relato vivo e apaixonante do surpreendente “Milagre do Sol”, ilustrado com sugestivas fotos do repórter Judah Bento Ruah.
Desconheço se foi iniciado algum trabalho de identificação das personagens retratadas nessas fotos e, no caso positivo, se tem havido algum êxito na pesquisa. (A obra “Documentação Crítica de Fátima”, que reproduz essas fotos - III - 1 - 1917/1918 -, não indica estar a elaborar-se esse trabalho).
Como achega a esse possível levantamento, aqui deixo  uma preciosa contribuição, só possível por uma circunstância feliz: estando eu em conversa sobre assuntos de interesse histórico e regional a serem publicados no semanário “João Semana”, de que sou director, a interlocutora – D. Maria Dulce Almeida da Costa Vieira – referiu-me que o seu sogro, Jerónimo Alves Vieira, fora um dos protagonistas da aparição de 13 de Outubro, ficando registado numa das históricas fotografias tiradas por Ruah.
Se, para  mim , esta referência foi uma esplêndida boa nova, sê-lo-á também para  os estudiosos das aparições. Para os nossos leitores será, pelo menos, uma interessante curiosidade.
Jerónimo Alves Vieira
Jerónimo Alves Vieira, "o regedor do Brandião", do lugar com esse nome, da freguesia de Aguiar de Sousa, concelho de Paredes, onde nasceu em 1873, filho de Manuel Almeida da Rocha e da Ana Martins Vieira, era ainda solteiro em 1917, mas já abastado lavrador.
Entusiasmado pelas notícias que chegavam da  Cova da Iria e estimulado  pela previsão de um milagre anunciado para o dia 13 de Outubro, resolveu pôr pés a caminho, acompanhado por dois amigos, o Medas (do lugar assim chamado, da freguesia de Melres) e o Castro de Branzelo (outro lugar da mesma freguesia).
No dia 12 de Outubro, ainda cedo, os três fizeram, a cavalo, o percurso até à estação de Recarei, embarcaram no comboio da linha do Douro para o Porto, dali continuando na linha do Norte até Chão de Maçãs, onde pernoitaram, tomando, na manhã seguinte, o caminho de Fátima, em burros alugados a lavradores das redondezas.
Marcou-o tão profundamente tudo o que viu na Cova da Iria no início da tarde do dia 13, que se tornou um apaixonado defensor das aparições, a ponto de ser procurado na sua terra e nas feiras de Paredes e Penafiel por pessoas desconhecidas que queriam ouvi-lo falar do milagre a que assistira.
– Eu estive lá e vi  tudo! – afirmava, entusiasmado. – Antes, chovia torrencialmente. Depois o Sol brilhou e começou a bailar. Eu vi. Com  o Medas e o Castro!
Muitos dos que o ouviam tornavam-se peregrinos de Fátima.
O seu entusiasmo não escapou à devassa da polícia, que o interrogou.
– Eu sou um homem de palavra! – respondia ele com firmeza. (E era. Daí vir a ser nomeado, mais tarde, regedor da freguesia, passando a ser conhecido como “o regedor de Brandião”.)
Duas páginas da "Ilustração Portuguesa"
Lúcia, Francisco e Jacinta, os três videntes de Fátima
Tendo-se apercebido de que fora fotografado na hora da aparição, fez questão de procurar e adquirir a revista que perpetuava a sua presença num acontecimento que sempre haveria de considerar o mais importante a que assistira na sua vida.
Era com muito orgulho que os filhos António Martins Vieira, Jerónimo, Adriano e Adão Alves Vieira alguns dos quais frequentaram os Seminários do Porto, os dois últimos de rosto anguloso como o pai, sempre que viam essa imagem divulgada em livros sobre as aparições, afirmavam, felizes, perante colegas e amigos: – Este é o meu pai!
Com esta identificação de uma testemunha do Milagre do Sol, espero que Jerónimo Alves Vieira passe, a partir de agora, a ter o seu nome definitivamente ligado ao perfil do homem austero que vemos na imagem, assistindo, em Fátima, há precisamente 90 anos, ao Milagre do Sol.

Artigo publicado no jornal JOÃO SEMANA (15 DE OUTUBRO DE 2007) 
http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.pt/2012/10/jeronimo-alves-vieira-identificacao-de.html


Nota: Onde se lia, no artigo publicado no jornal "os filhos Joaquim, Jerónimo e Adão", deve ler-se, segundo o autor, "os filhos António Martins Vieira, Jerónimo, Adriano e Adão Alves Vieira, alguns dos quais frequentaram os Seminários do Porto"


ADENDA -----------------------------------------

O perfil de Jerónimo
O perfil do Jerónimo de Alves Vieira, na 1.ª foto, é perfeitamente idêntico ao de seu filho Adão Alves Vieira, falecido em Ovar, onde foi diretor artístico do Orfeão local.

O fenómeno é explicado por meteorologistas, mas os fiéis acreditam em mão divina
"Olhei para o sol e vi. Foi bom, significa muita coisa e é um sinal", diz Palmira Dias, enquanto enxuga o suor do rosto. Esta peregrina de Ovar, 67 anos, que se deslocou ontem ao santuário de Fátima "para renovar a fé" assistiu, tal como a multidão a perder de vista naquele recinto da Cova de Iria, ao fenómeno do sol que a muitos comove. (Jornal "Diário de Notícias", 13 de maio de 2012)
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