15.9.12

Centenário do nascimento de Mário Almeida (1911-2011)

Mário Almeida (1911-1984)
Jornal JOÃO SEMANA (15/06/2011)
TEXTO: Fernando Pinto

Há nomes que Ovar não pode esquecer... Mário da Cruz Almeida é um desses nomes. Se ainda estivesse entre nós, este vareiro, nascido em 27 de Maio de 1911, teria completado no mês passado 100 anos. (Faleceu na freguesia de Vitória, no Porto, no dia 28 de Abril de 1984, com 72 anos, após doença prolongada).
O jornal “Notícias de Ovar”, pela pena do seu Director António Coentro de Pinho, lembrava, em 3 de Maio desse ano, dias após o seu desaparecimento, que Mário Almeida era “descendente duma família de artistas, pois corria-lhe nas veias o sangue dos Valérios que, oriundos da quase vizinha freguesia de São Tiago de Riba Ul (Oliveira de Azeméis), se fixaram em Ovar, em 1811, por o seu decano, António José Valério, músico muito distinto, ter sido chamado para dirigir a Banda Ovarense (a Música Velha)...”
O “João Semana” lança um apelo às pessoas que conviveram com Mário Almeida, pai de Rui Almeida, autor das fotografias do filme “Mudar de Vida”, do cineasta Paulo Rocha (ver imagem em baixo) para que escrevam algumas linhas sobre este artista multifacetado, que se dedicou à música (incluindo a tradição do Cantar os Reis), ao teatro, à poesia, ao cinema e à fotografia.
Em 1939, segundo Alberto Sousa Lamy, inaugurou as novas instalações do “Studio Almeida”. Em Ovar, para além do ramo da Fotografia, abriu a Marimar, Lda.
Foi ainda dirigente do Orfeão, da Banda Ovarense, da Junta de Turismo do Furadouro e da Associação Desportiva Ovarense. Jornal JOÃO SEMANA (15 DE JUNHO DE 2011)


Jornal JOÃO SEMANA (01/10/2011)
TEXTO: António Luís Pedroso de Lima

A propósito de um Centenário

Tendo tido a fortuna de ser genro de Mário Almeida e de com ele conviver nos últimos trinta nos da sua vida, não posso deixar de me congratular e agradecer ao jornal “João Semana”, pela homenagem que representa a evocação do seu centenário e a oportunidade que me deu de nela poder participar.
A sua ação amiga esteve sempre presente nos momentos bons e maus da minha vida. Foi decisiva a sua intervenção quando proporcionou à sua filha Maria a possibilidade de se licenciar em Matemática em Coimbra, onde a encontrei na Universidade. Nessa altura era raro o acesso das mulheres à faculdade. Maria foi das primeiras vareiras a licenciar-se (em 1954), se não foi mesmo a primeira. Sem este encontro em Coimbra, toda a minha vida teria sido diferente – e dificilmente poderia ser melhor –, e isso deveu-se a uma iniciativa arrojada e inovadora do meu sogro.
Presentemente, a sua ação é ainda bem viva pelo facto de a minha mulher ter herdado a casa onde Mário Almeida viveu desde que se casou, em 1931, onde montou o primeiro Stúdio Almeida, que remodelou na década de 40, emprestando-lhe muito do seu talento e reconhecido bom gosto. Hoje é uma casa de férias da família, uma espécie de casa encantada, especialmente para os meus netos.

Uma das cenas do filme "Mudar de Vida" (1966)
Foto de Rui Almeida
Mas se a minha dívida de gratidão é grande, penso que Ovar também muito beneficiou da sua ação. Contribuiu para a sua projeção no exterior, com a realização de revistas de sucesso como “Aqui Ovar” e “Areias Douradas”, com a organização de cortejos históricos, em Lisboa e Aveiro, com a realização de filmes como “O Moliço”, sobre os encantos da Ria e o trabalho dos moliceiros, e com a produção de belíssimas coleções de fotografias sobre Ovar, Ria e Furadouro. Pertenceu a várias associações vareiras, como o Orfeão de Ovar, as Bandas Ovarenses, os Rotários, a ADO, em algumas das quais foi dirigente. Igualmente participou na criação do Cine-Teatro e do primeiro hotel no Furadouro.
Há poucos anos, a família doou o seu espólio cinematográfico à Cinemateca Portuguesa, que assegura a conservação dos filmes (alguns dos quais em nitrato), e no corrente ano foi doado ao Centro Português de Fotografia o seu espólio fotográfico (que inclui uma enorme quantidade de chapas de vidro). O espólio cinematográfico e fotográfico de Mário Almeida encontra-se, assim, preservado e à disposição de investigadores nacionais e estrangeiros que os queiram aproveitar.
A única virtude que encontro nestas considerações, nitidamente aquém da estatura e importância de Mário de Almeida, é que, exatamente por isso, poderão suscitar outras contribuições de pessoas mais habilitadas (eu nem sequer sou vareiro) que “escrevam algumas linhas sobre este artista multifacetado”, de acordo com o apelo do jornal "João Semana" de 15 de junho de 2011.

Artigo publicado no jornal JOÃO SEMANA (1 DE OUTUBRO DE 2011)
http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.pt/2012/09/centenario-do-nascimento-de-mario.html

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