18.7.11

Alexandre Herculano – O Homem

Jornal JOÃO SEMANA (15/09/2010)
TEXTO: Orlando Caió


Alexandre Herculano (1810-1877)



Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo, historiador, jornalista, poeta e romancista, nasceu em Lisboa no dia 28 de Março de 1810, no seio de uma família da classe média.
Aos 11 anos, Herculano foi estudar com os padres da Congregação do Oratório de S. Filipe de Néri, que lhe ensinaram latim, grego, francês e filosofia, mas que também o tornaram um cristão convicto e um profundo conhecedor da Bíblia. Tendo sido sempre um espírito religioso, não deixa de ser curioso que os principais detractores da sua obra historiográfica fossem homens da igreja, que não lhe perdoaram a audácia de secularizar as origens da nacionalidade, dispensando a alegada intervenção divina na batalha de Ourique.
Herculano, juntamente com Almeida Garrett, é considerado o introdutor do romantismo em Portugal. Os seus primeiros contactos com a literatura ocorreram em ambiente pré-romântico, nos salões da Marquesa de Alorna. Foi ele, pois, que introduziu no nosso País o romantismo histórico, tão característico do romantismo. A inspiração directa veio-lhe naturalmente do romancista inglês Walter Scott, e dessa figura maior da literatura francesa que foi Victor Hugo.
Os méritos do cidadão Alexandre Herculano, escritor e estudioso, eram reconhecidos quase unanimemente pelos seus contemporâneos, e por isso foi distinguido com as mais diversas honrarias. Aceitou algumas de natureza científica, mas as distinções honoríficas sempre as recusou, ao contrário de outros conhecidos intelectuais do seu tempo.

Casa de Alexandre Herculano em Vale de Lobos (Santarém)
(FOTO DO JORNALISTA FERNANDO PINTO)
Em 1866 viria a casar com D. Mariana Meira, namorada da juventude, e pouco tempo depois retirou-se para a sua quinta de Vale de Lobos, bem próximo de Santarém, onde permaneceu até ao fim da vida, ocupado com a produção de azeite de qualidade, e com os seus escritos políticos e literários. Viria a falecer a 13 de Setembro de 1877, em consequência de uma pneumonia, poucos dias depois de uma curta viagem a Lisboa.
Da sua vasta obra, podemos destacar “Eurico o Presbítero”, “O Bobo”, “Lendas e Narrativas”, “O Alcaide de Santarém”, “A Dama de Pé de Cabra” e “O Monge de Cister”.
Pena é que este grande vulto das letras e da nossa história Pátria, 200 anos volvidos após o seu nascimento, seja praticamente um desconhecido para a maioria dos estudantes portugueses.

Artigo publicado no quinzenário ovarense
JOÃO SEMANA (15 de Setembro de 2010)
http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.com (TEXTO N.º 132)

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