Jornal JOÃO SEMANA (1/11/2009)
TEXTO: Manuel Pires Bastos
TEXTO: Manuel Pires Bastos
![]() |
| A. de Almeida Fernandes |
D. Afonso Henriques, pesem embora os seus oitocentos e tantos anos de túmulo, veio a terreiro em desafronta de um português mal-amado que dedicou toda uma vida de cabouqueiro da nossa história à época medieval, período em que Portugal se foi impondo como país autónomo e independente. Referimo-nos ao Dr. Armando de Almeida Fernandes, o medievalista português que, contrariando opiniões feitas e difundidas, e questionando, até às últimas consequências, a documentação disponível em áreas por explorar, abriu clareiras insuspeitadas, encontrando respostas para as interrogações que ele próprio, como outros investigadores, desde há muito vinha formulando.
O jornal “João Semana” foi intérprete privilegiado desta sua permanente sofreguidão pelo rigor historiográfico, o que aos leitores vulgares poderá parecer subtileza ou mero formalismo, mas que para os peritos em História constitui a suprema razão das suas pesquisas. Quem não se lembra da polémica aqui travada por Almeida Fernandes com o conhecido historiador José Mattoso a propósito de certas posições arbitrárias por este defendidas em relação ao Castelo da Feira, em detrimento do Castelo de Faria (Barcelos)? Nessa polémica aguerrida, alimentada ao longo de mais de um ano, Almeida Fernandes teve de usar alguma virulência verbal, já que a sua firmeza de convicções não teria sido bastante para quebrar a rigidez de algumas ideias defendidas pelo seu antagonista e que Fernandes provava não serem exactas.
Com Guimarães a luta foi diferente. Menos cara-a-cara, mas mais demolidora.Convidado a tecer loas ao “berço” e ao "fundador” da Pátria, Almeida Fernandes aceitou o repto, consciente de que, no convívio com as fontes arquivísticas de que alimentava o seu saber, sinalizara algumas pistas de tesouros por desvendar.
Nesse regresso às fontes, deu como certo que o nosso primeiro Rei nasceu em Agosto de 1109, não em Guimarães, cidade que os vimaranenses e a generalidade dos portugueses tinham como seu berço natal, mas em Viseu, quando sua mãe, D. Teresa, ali se encontrava em trabalho de parto.
Esta proposição, publicada em 1990/91 na revista visiense "Beira Alta" e, posteriormente, em 1993, no livro “Viseu, Agosto de 1109 – Nasce D. Afonso Henriques”, obra de 246 páginas, foi recebida com reticências pela crítica, inclusivamente pelo Dr. Freitas do Amaral e pelo Dr. Hermano Saraiva.
| Almeida Fernandes, na sua casa em Tarouca, acompanhado de Hermano Saraiva |
A aceitação como fiável desta tese pelo Dr. José Mattoso deu origem à reedição dessa obra em 2007, sendo o seu trabalho reconhecido pela generalidade dos participantes no Congresso “Afonso Henriques – 900 anos depois" (2009), e motivou a marcação de um colóquio subordinado ao tema “Dr. Armando de Almeida Fernandes”. Este acontecimento, da iniciativa do Presidente da Academia Portuguesa de História, Dr. Manuel Mendonça, será realizado em Ranhados, Viseu, no próximo dia 20 de Novembro, em parceria com a Fundação Mariana Seixas, a mesma instituição que anualmente promove o Prémio A. de Almeida Fernandes, destinado ao melhor trabalho sobre a Idade Média em Portugal e cuja entrega está marcada para 21 de Novembro.
Considerado, por muitos dos congressistas, como “um dos maiores investigadores de todos os tempos em Portugal”, Almeida Fernandes, que sofreu a incompreensão e o esquecimento, vê agora, postumamente, consagrados os seus méritos a nível nacional.
O jornal “João Semana”, onde o ilustre historiador publicou importantes textos, um dos quais deu origem a um livro de 448 páginas – "Faria e não Feira (1127-1128)", publicado em 1991 pela Sociedade Martins Sarmento, de Guimarães –, sente-se também honrado pela consagração que lhe está a ser prestada a nível nacional.
| Almeida Fernandes, num dos seus aniversários, participando numa Eucaristia celebrada em sua casa pelo Padre Manuel Pires Bastos. A seu lado a sua esposa D. Elda (à direita), sua filha Dr.ª Flávia e sua irmã D. Helena Amador, então residente em Ovar |
O jornal “João Semana”, onde o ilustre historiador publicou importantes textos, um dos quais deu origem a um livro de 448 páginas – "Faria e não Feira (1127-1128)", publicado em 1991 pela Sociedade Martins Sarmento, de Guimarães –, sente-se também honrado pela consagração que lhe está a ser prestada a nível nacional.
Artigo publicado no quinzenário ovarense
JOÃO SEMANA (1 de Novembro de 2009)
Fotos das Sessões LiteráriasApresentação, em Tarouca, da obra
Taraucae Monumenta Historica (1994)
![]() |
| O historiador Hermano Saraiva na apresentação da obra "Taraucae Monumenta Historica", em Tarouca |
![]() |
| Os participantes, após a sessão solene, em casa do Dr. Almeida Fernandes |
da obra História de Britiande
![]() |
| Em Lamego foi apresentada a obra "História de Britiande" |
Em 26 de Novembro, data do aniversário de nascimento do Dr. Almeida Fernandes (antigo colaborador do jornal "João Semana") foi entregue no Auditório da Câmara Municipal de Ponte de Lima o Prémio com o seu nome, que premeia um trabalho de investigação histórica sobre um tema da Idade Média. Este ano, o referido prémio, criado pelos Municípios de Lamego e Ponte de Lima, foi atribuído à obra "A Construção de Uma Identidade Urbana no Algarve Medieval", de Maria de Fátima Botão, publicada, em 2009, pela editora Caleidoscópio.
| Almeida Fernandes na sua Casa de Santa Apolónia, Tarouca |

















0 comentários:
Enviar um comentário