22.12.10

No tempo da Guarda Fiscal no Furadouro

Jornal JOÃO SEMANA (15/8/2009)

TEXTO: Joaquim Santos

Como diz o ditado, tristezas não pagam dívidas. Quando entro numa pequena sala de minha casa e vejo cerca de seiscentas fotografias, desde o médico ao mendigo e outros, finco meus olhos nelas, e logo me dá vontade de largar outros afazeres que tenho no meu dia-a-dia e de pegar na esferográfica e no papel para escrever um pouco sobre cada uma daquelas figuras, passando a esquecer os meus sofrimentos e achaques pessoais.
É meu dever esclarecer os leitores que não me conhecem, nem o meu trabalho, que não me julguem como fotógrafo, porque não o sou. Fui, e continuo a ser, um simples angariador de fotografias, sobretudo desde que comecei a escrever o livro “Memórias de um Vareiro dos Anos de 1930”, com o título a recordar o passado da minha vida e da de muitos outros meus conterrâneos.
Também quero lembrar que estas fotografias estão colocadas em caixas fixadas em painéis, e algumas em álbuns, dentro da sala atrás citada.
Refiro que de 3 a 15 de Agosto de 2002 fiz uma exposição com muitos destes trabalhos na sede do Clube Desportivo do Furadouro, na Avenida Central daquela praia. Ao longo desta exposição pude ver no rosto de várias pessoas quanto gostaram do meu trabalho ali presente, deixando escritas algumas bonitas dedicatórias.

Factos do passado

Porque, quanto ao futuro do nosso país e dos nossos jovens, sou um tanto pessimista, pensando que não há esperanças de melhorar, vou hoje relembrar factos do passado relacionados com um trio da Guarda Fiscal que passou por várias praias do país, incluindo a do Furadouro, constituído por elementos da mesma família.


1- António Maria da Silva Monteiro Castro, de Água Levada, freguesia de Avanca, concelho de Estarreja, onde nasceu em 1860. Dele, poucos conhecimentos retenho.


2- José da Silva Castro, nascido a 5 de Setembro de 1885, filho de António Monteiro. Em 1942, indo eu trabalhar para a empresa Colares Pinto, no Carregal, ali encontrei este José Castro, já reformado da Guarda Fiscal, exercendo o cargo de capataz daquela empresa de lacticínios, que abrangia uma área de terrenos de cultivo e pinhais calculada em seis quilómetros quadrados.
A minha convivência com ele foi longa. Apesar de tanto tempo passado – nessa altura eu era muito jovem –, ainda me lembro de alguns bons conselhos que ele me deu. Era um bom homem, excelente tocador de instrumentos de corda, que ele tocava, depois das suas horas de trabalho, nas desfolhadas do milho, nas escolhedelas de feijão, nas fogueiras e pavilhões de S. João, etc., fazendo vibrar o sangue dos velhos e dos jovens.


3- António da Silva Castro, nascido a 22 de Agosto de 1904, filho de José da Silva Castro. Convivi com este homem durante vários anos, dentro e fora do rancho “As Morenitas do Torrão do Lameiro”, onde ele tocava viola e violão. Vivia perto do Furadouro, onde moravam, lado a lado, uma das suas filhas e o filho Joaquim Castro.
Lembro que a missão da Guarda Fiscal na Praia do Furadouro era acompanhar a venda ou lota do pescado das companhas de pesca das bateiras, fazer a ronda das praias na zona que lhe competia, e outros serviços de fiscalidade à ordem do Estado português.

Artigo publicado no quinzenário ovarense
JOÃO SEMANA (15 de Agosto de 2009)

3 comentários:

Picachouricos Guarda Fiscal disse...

o BLOG "PICACHOURIÇOS GUARDA FISCAL" QUE PROCURA PRESERVAR A MEMÓRIA DA GUARDA FISCAL ELOGIA ESTA "BIOGRAFIA" SOBRE A FAMÍLIA DE GFs QUE PASSARAM PELA PRAIA DO FURADOURO.

Vitor de Castro Loureiro disse...

Ao Jornal João Semana.
Sr. Joaquim Santos

Foi com enorme satisfação que deparei, na Internet, com as fotos de meus ascendentes, bisavô Antonio Maria da Silva Castro, meu avô José Maria da Silva Castro e meu tio Antonio da Silva Castro. o trio familiar que vocês reverenciaram em memória dos Guardas Fiscais que representaram três gerações em serviço para o Estado Português.
Como filho de Celeste de Jesus da Silva Castro uma das filhas de José Maria da Silva Castro, já falecida, sinto orgulho de pertencer à familia Castro e poder agradecer por lembrarem do trio familiar que pelo que sempre ouvi souberam honrar a farda que vestiram, agindo com dignidade, caráter e honestidade, porque os três morreram pobres, coisa que nos dias de hoje é difícil constatar.
Eu sou Vítor de Castro Loureiro, vivo e moro em São Pulo, Brasil, há 55 anos, sempre que fui a Portugal fiquei no Furadouro, onde tenho muitos primos.

Cordiais saudações e muito obrigado pelo artigo.

Vitor de Castro Loureiro
vitorcastroloureiro@hotmail.com

Fernando Pinto disse...

Caro Vítor, obrigado pela visita ao blogue do nosso jornal. Vamos entrar em contacto consigo por e-mail. Abraço