2.10.10

Ria de Aveiro no século XVII

TEXTO: António Pinho Nunes

Na revista “National Geographic” de Agosto de 2003, sob o título “Recuar 400 anos”, é referida a publicação de um CD dos “Tesouros Cartográficos da Sociedade de Geografia de Lisboa”. A ilustrar o artigo, vem um mapa da ria de Aveiro do século XVII, o qual pretende destacar a Barra.
Uma vez que a gravura se apresentava cortada dos lados, adquiri o CD e obtive o mapa completo, que se apresenta aqui, com a designação de “Atlas de João Teixeira – Séc. XVII (Descripção da Barra de Aveiro)”.

(Clique no mapa para aumentar)

É um mapa belíssimo, a quatro ou cinco cores, em que se vê e lê a Ria de Aveiro daquele tempo, desde Ovar até Vagos.
Entretanto, ao ver este mapa, o Dr. Bernardo disse-me que o Dr. Lamy (a quem nada escapa!) publicou um mapa semelhante a este no 1.º volume da Monografia de Ovar. É assinado pelo mesmo João Teixeira, é dedicado a S. M. e tem a data de 1648. Não tem a profusão de dados que aquele apresenta. Presume-se, assim, que seja de uma data anterior, ou seja um esboço do outro.
Vamos, então, dar uma volta pelas terras próximas da ria, começando do lado Norte.
Temos, assim, o “Mar Oceano”, com a Rosa dos Ventos a indicar o Norte; uma faixa amarela do areal, o “Mar interior de Ovar”; Ovar com a sua igreja; daí até ao rio Vouga há floresta; “Angeja – aqui chega a maré” (pelo rio Vouga); mais um rio, sem nome, afluente do Vouga na margem esquerda e outro que conflui neste.
Descemos, agora, ao “Mar interior de Ovar” para ver uma área reticulada que se supõe sejam marinhas de sal. A seguir, temos “marinhas e terras de pão”.
Seguimos, agora, para a cidade de Aveiro, com uma grande área de salinas, até perto de Vagos.
De Aveiro estamos logo em Verdemilho e vamos a Sosa, passando por Ílhavo. Voltando ao “Mar Oceano” para irmos até à Barra, encontramos a Capela de “Nossa Senhora das Areias” (que naquele tempo pertencia à paróquia de Ovar).
Continuamos pela beira-mar e chegamos até à Barra. Junto à entrada, há um “reduto” (um forte) e, mais acima, “paus para baliza da barra”.
Terminada esta longa viagem, são horas de almoçar. Ali, nada melhor que uma boa caldeirada de enguias. No regresso, é de passar pela “Loja do Viajante” (o Posto de Turismo de então), para comprar, como recordação, este mapa-postal ilustrado que, ampliado e devidamente emoldurado, se pendurará na sala de visitas da nossa casa como uma preciosidade a mostrar aos amigos.

Artigo publicado no quinzenário ovarense
JOÃO SEMANA (15 de Dezembro de 2005)

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