4.10.10

Origem vareira das Olarias do Concelho de Santa Maria da Feira

Jornal JOÃO SEMANA (01/06/1988)
TEXTO: Manuel Ferreira Regalado



Há 75 anos…
De Ovar para Lourosa
Manuel Dias Resende (o “do viúvo”), ali pelo ano de 1913, transferiu a sua olaria de louça de barro vermelho da Rua do Sobreiro, em Ovar, para o lugar da Terra Negra, da freguesia de Lourosa, concelho de Santa Maria da Feira, onde se fixou definitivamente com a família.
Mais tarde, seus filhos Manuel e Tomé construíram as suas próprias olarias nos lugares da Vergada, freguesia de Mozelos, e de Albarrada, S. João de Ver, respectivamente.
Até cerca de 1930, o barro usado nestas primeiras olarias vinha de Vagos para o cais da Ribeira de Ovar, em barcos mercantéis, através da Ria, e era, depois, transportado em carros de bois até ao seu destino.

Há 50 anos… em S. João de Ver
Na década de 30, o comerciante Albino Francisco de Sousa instalou uma nova olaria no lugar de S. Bento, S. João de Ver, e contratou como artista o José Pedro, de Ovar, que tinha encerrado a sua olaria no lugar da Ponte Nova.
Um cunhado do Albino Sousa, de apelido Lamas, seu associado, separou-se da sociedade e construiu olaria própria no lugar de Paçô, da mesma freguesia, contratando como artista o oleiro de Ovar, Eduardo Santos que trabalhava no jornal.
Entretanto, ao Lamas sucedeu Manuel Ferreira, que continua a trabalhar na fábrica de Paçô, com uma única roda de oleiro, na companhia dos filhos.

Em Argoncilhe
Manuel Dias Resende Leite instalou nova olaria no lugar de Pereira, freguesia de Argoncilhe, actualizando o processo de fabrico de vasos que passou a ser feito por máquinas.
Mais tarde, transferiu a fábrica para a firma ARGONCER, que se dedicou exclusivamente à fabricação de púcaros para extracção da resina dos pinheiros, a cuja indústria os sócios estavam ligados.
O Manuel Dias Resende Leite fundou, ao lado, nos mais modernos moldes de fabricação e cozedura, uma nova fábrica de olarias.

Actualmente…
Actualmente, só na fábrica do Manuel Ferreira, em S. João de Ver, não para fabrico das peças tradicionais de olaria, mas apenas uns produtos para a indústria da cera e pouco mais, pois todas as fábricas estão a dedicar-se exclusivamente ao fabrico de vasos para plantas e púcaros para resina.
Essas fábricas em actividade são as seguintes:
Vergada (Mozelos), viúva e filho de Manuel Resende; Albarrada (S. João de Ver), filhos de Tomé Resende; Paçô (S. João de Ver), filha e filho de Manuel Ferreira; Pereira (Argoncilhe), ARGONCER, Pereira (id.), Manuel Resende Leite.
Mas o mercado de vasos de barro está hoje seriamente ameaçado pelo consumo, em grande escala, dos vasos de plástico…

Artigo publicado no jornal JOÃO SEMANA (1 de junho de 1988)
http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.pt/2010/10/origem-vareira-das-olarias-do-concelho.html

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