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| João Arada e Costa |
Jornal JOÃO SEMANA (01/01/1978)
TEXTO: Arada e Costa
Não pretendemos desenvolver a sua história. Ela está bem documentada na “Monografia de Ovar” da autoria do nosso ilustre conterrâneo Dr. Alberto Sousa Lamy.
Simplesmente dar a conhecer aos que ainda não sabem, que ela sulcava as águas da Ria, de Ovar a Aveiro, transportando pessoas e cargas. Desde o sábado até ao pôr do Sol de segunda-feira os pobres não pagavam a passagem.![]() |
| Cais da Ribeira - Ovar - ponto de partida e de chegada da Barca da Misericórdia (Fotografia do início do séc. XX) |
O produto da exploração da Barca da Misericórdia revertia em favor dos pobres, dando-lhes auxílio na doença e proporcionando-lhes sepultura condigna após a morte.
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| Nossa Senhora da Boa Morte (Pietá) |
A família instituidora era dona da quinta de S. Roque na Ribeira, cuja área cobria 69.000 metros quadrados. Ali edificaram o pequeno oráculo do santo. Na doação que deixaram de uma parcela da quinta, desde o rio velho até ao moinho de vento, se determinava que as esmolas revertiam para o culto do santo e para mandar rezar três missas no dia de Natal na capela de Santa Catarina: a primeira pelos doadores, a segunda em louvor a S. Roque, e a terceira a Nossa Senhora da Boa Morte, cujo culto e imagem foi também da sua devoção.
Consultámos um livro da Barca da Misericórdia, que possuímos entre volumoso maço de documentação, com o termo de abertura lavrado em 10 de Fevereiro de 1831.
Está assinado e comprovado pelo Provedor da Comarca, Luís Manuel Ferreira da Veiga. Desse velho livro destacamos e respeitamos a seguinte transcrição:
Contas da receita e despeza da Barca da Misericórdia d’esta Villa d’Ovar no anno de 1831 para o de 1832:
RENDIMENTO
- P[elo] dinheiro de Arrematação da Barca, na Lei moeda em ouro = 10$100 (10 mil e cem reis)
DESPEZA
- P se pagou de Receptuario ao Capitão-Mor Dom.ºs do Rosário Costa e ao boticário Joze Manoel Teix.ª de Pinho 85$190 (Líquido 15$810)
-P Inporte de Esmollas aos pobres d’esta vila e fora d’ellla e barcagens aos passageiros p.ª Aveiro (6$020)
-P D.º de Mortalhas p.ª os Defuntos pobres d’esta Freguesia (6$050)
- P D.º de prover estas contas ($500)
- E por esta forma se verão estas contas por feitas e acabadas ficando a receita pella despesa e assignarão,
Eu António Roiz Pepulim o sobre escrevi asegnei. O Juiz da Ihreja Domingos do Rozario Costa
O escrivão da Igreja
António Roiz Pepulim
Provedor da Igreja
Manoel José Marques
Artigo publicado no jornal JOÃO SEMANA (1 de janeiro de 1978)
http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.pt/2010/08/barca-da-misericordia.html
ADENDA -----------------------------------------
A Barca da Misericórdia
"A beneficência pública, a cargo da Mesa da Igreja, objetivara-se numa Misericórdia, e a particular originara no Curral do Concelho, o Albergue dos Peregrinos. Faltava casa para recolher e tratar os doentes pobres; mas em 1801 lançam-se os alicerces do Hospital, por iniciativa do benemérito e exemplar sacerdote e caritativo pároco desta freguesia, João de Sequeira Monterroso e Melo". (Era ainda Ovar uma freguesia da Feira, só alcançando independência administrativa em 1835". (in Almanaque de Ovar, 1916, pág. 49)



1 comentário:
Obrigado por intiresnuyu iformatsiyu
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