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| D. Maria II (recriação histórica) FOTO: Fernando Pinto |
Quem passeava pelo coração de Ovar, na tarde de 19 de Setembro, teve uma agradável surpresa: a cidade recuara no tempo e centenas de figurantes tomaram conta da renovada Praça da República dando vivas à Rainha D. Maria II, que pernoitara nos Paços do Concelho, para prosseguir viagem no dia seguinte, de barco, rumo a Aveiro.
A fachada da Câmara Municipal exibia bandeiras da Monarquia, e à janela surgiu a rainha D. Maria II, acompanhada dos dois filhos, o Príncipe Real D. Pedro e o Infante D. Luís, futuros reis de Portugal, observando o corrupio que se tinha instalado lá em baixo, na praça, enquanto as duas Bandas da terra tocavam peças de música, sob a regência dos respectivos maestros, as crianças jogavam ao pião e algumas mulheres exibiam na cabeça os característicos chapeirões. (Francisco António Pinto, em “O Despotismo”, conta que “quando a rainha D. Maria II visitou a vila, com os filhos, houve por bem esbofeteá-los à janela dos Paços do Concelho, por eles dali terem mofado da extravagância destes chapéus”).
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| Recriação da Visita de D. Maria II a Ovar (foto M. Pires Bastos) |
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| Acenando à rainha D. Maria II (foto: MPB) |
No dia 23 de Maio, um Domingo, pelas 8 horas da manhã, Suas Majestades e Altezas foram ouvir missa à capela de Santo António, e pelas 9 horas, o rei D. Fernando visitou o hospital, confessando aos presentes ter apreciado muito a bela paisagem que se espreguiçava até à ria.
Nos Anais do Município, Pedro Chaves adianta que “Suas Majestades e Altezas, e mais Ilustre Comitiva, tiveram a delicadeza de elogiar o jantar que a Municipalidade lhes ofereceu, em nome da população que representava, asseverando o Duque de Saldanha, que tinha sido esta recepção e hospedagem de Ovar, uma das melhores, que Suas Majestades tinham recebido no seu trânsito...”.
A azáfama aumentou na praça com a saída para a rua de D. Maria II, acompanhada do seu séquito, para que se desse início ao cortejo pelas ruas da cidade. As varandas das casas por onde passou encontravam-se decoradas com ricas colchas, as pessoas assomavam às janelas e, à passagem da caleche onde seguia a monarca, gritavam: “Viva a Rainha”.
Chegado o cortejo à Ribeira, a rainha discursou, ouviram-se cânticos, e passado algum tempo, a comitiva seguiu em dois barcos, rumo a Aveiro. Atrás deles foram outros barcos moliceiros.
Pretendeu-se, segundo os responsáveis desta iniciativa, reconstituir o ambiente da Vila de Ovar em meados do século XIX, revelando a forma como os ovarenses receberam, pela primeira vez na sua história, um monarca português.
Quem foi D. Maria II?
Em 24 de Setembro de 1834, com a morte de seu pai e com o fim da Guerra Civil, D. Maria é proclamada rainha de Portugal, subindo ao trono com apenas 15 anos de idade, passando a governar um país fragilizado. (A recriação histórica da visita de D. Maria II a Ovar evoca esse momento feliz da História de Portugal, em que um país pacificado após os conflitos da primeira metade do século XIX, procurava a almejada estabilidade…)
Em 1835, D. Maria II casou com Augusto de Leuchtenberg, mas esta união foi breve, devido ao falecimento de seu marido. Casou, segunda vez, em 9 de Abril de 1836, com Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha, de quem teve onze filhos, vindo a falecer do último parto, no Palácio das Necessidades, a 15 de Novembro de 1853, aos 34 anos.
Artigo publicado no jornal JOÃO SEMANA (1 de Outubro de 2009)
http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.pt/2010/06/d-maria-ii-de-volta-ovar.html
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