18.2.10

Para a história dos Passos de Ovar

Texto de uma carta de Francisco Manarte, que foi Presidente da Irmandade dos Passos quando das obras (1942-1949) e posterior classificação (16/06/1949) das Capelas como “Imóveis de Interesse Público”, enviada em Janeiro de 1999 à Redacção do “João Semana”.

"Reverendo M. Pires Bastos

(…) Quanto ao artigo “PASSOS DE OVAR”, dizia o jornal de 1 de Dezembro de 1998 que “faltavam poucos meses para se completarem 50 anos sobre a classificação dos Passos de Ovar como monumentos de interesse público”.

Vale a pena lembrar um pouco dessa “história”.
No restauro feito anteriormente, os “moradores” das Capelas tiveram de ser mudados por tempo indeterminado para outra morada, o antigo Estúdio Almeida, situado na Rua Padre Ferrer, em Ovar, para se tratar da pintura das paredes que estavam a esfarelar.
Assim se iniciou o restauro da primeira Capela – a do Castelo –, com muito amor e sacrifício dos Ovarenses que, conhecedores da grave “doença” que no momento afligia a Irmandade dos Passos (“a falta daquele material com que se compram os melões”), nunca negaram a sua ajuda.
Ainda as obras da primeira Capela não estavam terminadas e já havia dinheiro para o início das obras na segunda Capela, o mesmo acontecendo com as restantes que faltavam; e assim se foi conseguindo o milagre do restauro dos Passos de Ovar, levado a efeito por uma Irmandade que não se deu por vencida quando, antes do restauro, lhe foi negada a classificação de interesse público para as suas Capelas.
Nesse recuado tempo, quando Ovar teve conhecimento de Os Passos de Ovar terem sido classificados como monumentos de interesse público, já o restauro tinha sido feito. E foi por isso que, em sinal de protesto, o Presidente da Irmandade se demitiu do cargo que anteriormente ocupava.
Assim termina a história do restauro dos Passos de Ovar, feito pelo autor destas linhas, modesto entalhador que também não deixou de ser mobilizado para diversos trabalhos, entre os quais a moldura da bela reprodução que German Iglesias pintou em pouco mais de duas semanas – O GÓLGOTA, que se encontra numa das paredes da Capela com o mesmo nome (ou Calvário), em Ovar. (…)”

Francisco Manarte (Estados Unidos)

Artigo publicado no quinzenário ovarense
JOÃO SEMANA (1 de Fevereiro de 1999)

Sem comentários: