18.2.10

Cronologia do restauro dos Passos de Ovar (1942-1943)

Aos dados fornecidos pelo Sr. Manarte – "Para a História dos Passos de Ovar" – sobre os esforços feitos pela comunidade vareira para o arranjo das Capelas em 1942, juntamos os que nos fornece o “João Semana” de então:

João Semana 9/7/1942
“Promovida pela actual Mesa da Irmandade dos Passos d’Ovar e a expensas da mesma, vai ser feita a restauração das pinturas das capelas dos Passos e das suas respectivas imagens. O serviço do restauro principiou já no Passo que fica junto à Escola do Conde Ferreira e continuará nos seguintes, se para isso houver recursos e na medida em que os houver. Está encarregado desse serviço o distinto pintor German Iglesias, de Penafiel”
“(…) Ao examinar as capelas dos Passos e as imagens, viu o artista com horror o estado lastimoso em que as deixaram os enfeites e as ornamentações que aí anualmente se fazem: imagens mutiladas, pregos espetados nas mesmas e na talha, dourados estragados, etc.”

J. S. 20/8/1942
Capelas dos meados do século XVIII, talvez únicas na Península na sua estrutura ornatos e pinturas, “apesar de meio apagadas, causam ainda boa impressão aos seus visitantes”.
A construção de pedra e cal começou em 1748.
“Até aí (as Capelas) eram portáteis e as suas figuras de colmo com fardas alugadas na ocasião em que se expunham ao público”.
Acaba de ser restaurado o Passo do Horto, junto à Escola Conde de Ferreira (ou do Castelo), que esteve exposto em 15 e 16 de Agosto de 1942. “Está um encanto, um primor”. “Já não parece o mesmo que o artista encontrou cheio de lixo, com as imagens mutiladas (só dedos faltavam uns 22), pregos espetados nas mesmas”.
É intenção continuar, para o que a Irmandade vai fazer uma subscrição. “A obra merece bem a simpatia e o auxílio de todos”.

J. S. 15/10/1942
A subscrição pública, que vai em 3.292$50, está longe de cobrir as despesas, “orçadas em cerca de 25 contos, apesar de o artista se limitar a uma exígua remuneração dos seus valiosos serviços”.
Já estão prontas 2 capelas – Horto e Encontro. “Está agora a ser restaurado o terceiro Passo, que fica junto do quartel dos Bombeiros, indo essa obra já muito adiantada”.

J. S. 24/12/1942
Estão 4 Capelas restauradas. Faltam 3: S. Tomé, Calvário e Igreja.
“O valor artístico destas capelas (…) ficou bem patente depois que lhes tocou o hábil pincel de German Iglesias que não se limitou somente a avivar as pinturas antigas mas completou-as com novas pinturas cheias de cor e de vida (No Passo da Verónica acrescentou à pintura antiga a Oração no Horto e o beijo de Judas, este no recanto à esquerda, tapando um antigo Calvário, de que se vê agora, em “janela”, a imagem de Cristo - ver gravuras).
Vão adiantadas as obras na capela de S. Tomé. A subscrição vai em 9.000$00.


J. S. 1/4/1943
Realizou-se “a tradicional e majestosa procissão do Senhor dos Passos, que aqui atraiu uma enorme concorrência de forasteiros”, e que “foi imponente e bem organizada”. “Todas as capelas um primor”.
A subscrição vai em 15.285$05. Em 8/7/1943 chega aos 18.998$75.

J. S. 16/12/1943
“(…) A Mesa da Irmandade para levar a efeito esse restauro contou de antemão com a generosidade dos fiéis e sobretudo dos vareiros, aos quais enviou muitas centenas de circulares, a pedir subsídios; e justo é reconhecer que muitos responderam generosamente à chamada”.
Anda em obras a última Capela. A receita está em 21.298$75.
(Em 27/1/1944 chega aos 31.755$00, graças a um subsídio de 10.000$00 da Câmara Municipal).
Registe-se que a Matriz estava também a recolher fundos para grandes obras de beneficiação, iniciadas em 1941, e que outras subscrições estavam em curso, como a da Casa da Ordem Terceira.

J. S. 16/3/1944
Vai realizar-se a Festa dos Passos. “Revestirá a solenidade dos anos anteriores e será um dia de festa para Ovar”.
“A Mesa da Irmandade que tanto se empenhou pela obra de restauro das capelas, que tantos sacrifícios custou, não consentirá que entre as imagens sejam colocadas, como antigamente, avencas e flores, permitindo assim a todos poderem apreciar a beleza expressiva dessas esculturas e a sua magnífica exposição, e evitando que tudo se deteriore”.

J. S. 31/3/1949
Foi comunicado à Câmara Municipal que passam a ser considerados como Imóveis de Interesse Público os “Passos de Ovar”, os quais, compostos por uma série de capelas isoladas, foram construídos em meados do século XVIII. (O Decreto oficial, n.º 37-450, só seria promulgado em 16 de Junho seguinte).
O jornal louva os cuidados das mesas administrativas da Irmandade, particularmente a actual, com destaque para o mesário Manuel Coelho da Silva Capoto, e espera a ajuda do Estado “na sua conservação e aumento. (Em 30/6, ao comunicar a publicação da notícia no “Diário de Governo”, o “João Semana” conclui: “Há necessidade de obras de vulto a fazer ali, como o douramento da rica talha, etc., que sem o subsídio dos cofres públicos serão difíceis, hoje em dia”).

Artigo publicado no quinzenário ovarense
JOÃO SEMANA (1 de Fevereiro de 1999)

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