30.1.10

Hotel Mar e Sol do Furadouro

Jornal JOÃO SEMANA (15/11/2009)
TEXTO: José de Oliveira Neves

Seguindo, ao cimo da Rua Jornal “O Comércio do Porto” (paralela à Avenida Central), na direcção do Norte (onde actualmente se situa a Rua dos Patrícios de Lisboa), havia algumas casas de pedra e cal e vários palheiros, a que se seguia, na mesma direcção, e até à costa, para lá da floresta, um enorme emaranhado de dunas.
O Hotel Mar e Sol nasceu a norte do Furadouro, sobre as dunas, frente ao mar



Foi num sítio destes, rodeado de dunas e virado para o mar e para a futura Avenida do Infante D. Henrique (a Avenida marginal, construída posteriormente, tal como a nova Rua Gago Coutinho, mais tarde a passar-lhe ao lado), que um conjunto de vareiros amigos da sua terra resolveu edificar o Hotel Mar e Sol.
O “João Semana” de 28/12/1944 publicou a escritura da sociedade construtora, indicando a designação social e os nomes dos sócios, documento que passo a transcrever:
“Sociedade de Melhoramentos da Praia do Furadouro”
“Por escritura desta data lavrada pelo notário abaixo assinado, foi constituída uma sociedade por quotas de responsabilidade limitada, entre Álvaro Ferreira Malaquias, António Cândido Soares de Almeida, Doutor Augusto Júlio Arala Chaves, Crispim José da Rocha, Colares Pinto Irmãos, Fernando Hugo de Araújo Sobreira, Joaquim Correia Dias, Manuel Gomes da Silva Bonifácio, Manuel Rodrigues de Almeida & Irmão, Manuel Rodrigues Pepolim, Manuel Soares Pinto e D. Maria Eugénia Gomes Rodrigues Leite Arala Chaves, também conhecida por Maria Eugénia Leite Arala Chaves, e sob a denominação supra.
Ovar, 28 de Novembro de 1944
O Notário: António Gonçalves Santiago”
Nas várias investigações que fiz, não consegui descobrir a data do início da construção do hotel. Mas recordo-me muito bem de que andava ainda na Escola Primária, não devendo errar muito se escrever que começaram em 1944, logo após a conclusão da escritura, cabendo ao nosso conterrâneo Eng. Arala Chaves fiscalizar e acompanhar a obra durante os trabalhos de edificação.
O “João Semana” de 28/3/1946 informava:
“A nossa praia vai acordando do marasmo de praia esquecida e desprezada, felizmente. O seu bairro piscatório já tem algumas construções, novas ruas se vão preparando, e um grande hotel lá anda em construção e em estado de andamento tal, que é de crer seja inaugurado ainda este ano”.

O Mar e Sol, após a abertura da rua marginal (actual Avenida Infante D. Henrique).
Nos anos 75-80, antes da sua demolição, o Hotel deu guarida a famílias regressadas de África  
Na sua “Monografia de Ovar”, o Dr. Alberto Lamy afirma que o Hotel Mar e Sol foi inaugurado em Junho de 1946.
Num folheto publicitário desta unidade hoteleira arquivado na Biblioteca Municipal de Ovar podemos ler:
“Os seus aposentos são, sem excepção, dotados de água corrente e todos os requisitos higiénicos, possuindo também ‘apartments’.
O Hotel Mar e Sol, um edifício com 50 quartos e uma arquitectura no estilo “Português Suave” foi, durante muitos anos, a melhor unidade hoteleira doconcelho e o ponto de encontro e recreio dos banhistas mais abastados.

Foi, também, o palco de grandes bailes, cujas receitas reverteram, parcialmente, a favor de actividades caritativas, nomeadamente a chamada ‘Sopa dos Pequeninos Pobres do Furadouro’ que teve início a 18/8/1953”.Até meados dos anos 60, era naquele hotel que se faziam os grandes banquetes e se celebravam as festas de casamento e outros eventos das famílias ovarenses com mais recursos.
Entretanto, porque nas margens da Ria se iam desenvolvendo novas atracções turísticas captadoras de muitos frequentadores da nossa Praia, o Hotel Mar e Sol passou por diversas vicissitudes, estando em vias de encerrar em 1953 e 1959.
Com o propósito de ser reestruturada, a empresa passou, em 1966, a ser propriedade da Sociedade Hoteleira do Furadouro, Lda., criada por escritura de 2 de Agosto desse ano.
Não conseguindo resolver os problemas existentes num edifício cada vez mais degradado, a mesma sociedade resolveu vendê-lo, em 1981, a Fernando Pereira Marrafa, comerciante de antenas de TV e artigos para campismo, que alugou a cave do prédio para ali funcionar uma discoteca (“A Pildra”).Em 1985 já o hotel tinha sido derribado.Hoje, quem passar pelo local, encontra uma obra em vias de acabamento, incaracterística, inacabada, desalinhada, deixando-nos em situação de expectativa em relação ao que há anos para ali fora projectado.
Oxalá se conclua brevemente e surja ali um edifício que dignifique a nossa praia.

Artigo publicado no quinzenário ovarense
JOÃO SEMANA (15 de Novembro de 2009)

2 comentários:

dezenho dezenho disse...

http://pictures2.todocoleccion.net/tc/2009/07/24/14312986.jpg

Fernando Pinto disse...

Obrigado pelo link. Cumprimentos do jornalista Fernando Pinto