TEXTO: António Pinho Nunes
Na 1.ª edição da “Monografia de Ovar”, o Dr. Alberto Lamy refere-se à extinção do concelho de Pereira Jusã e diz que “em 1914, na sessão camarária de 3 de Janeiro (…), foi decido que se vendessem em hasta pública os antigos paços do concelho de Pereira Jusã com todas as suas pertenças” [na foto].
![]() |
| O pelourinho no primitivo local, antes de 1914, ano em que foi vendido |
Entretanto, alguns anos antes da reconstituição do pelourinho (no qual está inscrita a data de 1989), Alberto da Fonseca Figueiredo, residente em Valdágua, descobriu em casa de D. Palmira Pereira (residente no lugar de Pereira e muito próximo do actual pelourinho), o que lhe parecia ser o tal globo que rematava a coluna e que, por sinal, ainda servia de pia a um cão…Convencido de que estava ali uma parte importante do pelourinho, pediu a pedra à senhora, que lha ofereceu.É curioso que, ao contrário do que informa o P.e Miguel, o globo não parece ter sido mais escavado do que foi inicialmente, isto é, para ser encaixado no topo da coluna. A abertura com 0,12 m de diâmetro, a profundidade com 0,19 m e a perfeição do trabalho de cantaria dão a indicação de que era assim que o globo encaixava, à justa, no topo da coluna.
Desta, nem vestígios. Pessoa idónea afirmou-me que estava na casa de uma familiar, no lugar da Azenha.
No entanto, não vi lá jeitos de nada…
![]() |
| O pelourinho, reconstituído na actualidade, junto ao antigo tribunal |
Portanto, parece que podemos chegar à conclusão de que aquela pedra é o tal remate do pelourinho de Pereira Jusã.
Além disso, as fotos (a antiga e a actual) e a própria pedra encontrada, revelam que se trata do mesmo globo.
Onde pára, agora, essa relíquia?
Está no lugar mais indicado, que é o Museu de Ovar, por oferta feita pelo referido Sr. Alberto Figueiredo, em 10/1/2005. Junto, está uma outra preciosidade que pertenceu à Câmara do Concelho de Pereira Jusã, e que é a sua última bandeira. Após a extinção do concelho, em 1852, essa bandeira foi levada para Ovar e serviu como bandeira da Câmara. Pena é que esteja tão danificada!
E, já agora, ao falar em Pereira Jusã, não posso deixar de lamentar a degradação progressiva em que se encontra a casa-capela da “Quinta do Fonseca”, frente ao actual pelourinho. Oxalá me engane, mas estou cada vez mais convencido de que aquela preciosidade é mesmo para cair.
Artigo publicado no jornal JOÃO SEMANA (15 de Julho de 2005)
http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.pt/2009/08/o-pelourinho-de-pereira-jusa.html


Sem comentários:
Enviar um comentário