22.7.09

S. Cristóvão - Toda uma lição teológica

Perde-se na bruma do tempo e da lenda a história do nosso Padroeiro. Não obstante, será sempre proposta e modelo de vida para todos aqueles que querem ser (trans)portadores de Cristo (Cristovãos).


A tradição apresenta-o “armado” de um cajado, símbolo do viajante, transportando aos ombros robustos o Jovem Jesus, vencendo com Ele o rio profundo – símbolo das dificuldades que cada um encontra no seu percurso diário.
Na atitude clássica com que nos é dada a figura de Cristóvão, há a reter:
– Colocar ao serviço dos outros as capacidades de que se é dotado;
– O despojamento, simbolizado pelo bordão;
– A ternura, personificada na simplicidade e alegria com que transporta os mais fracos
Depois, é toda uma lição teológica a extrair:
– A força, combinada com a sedução por Cristo, torna-se humildade e dom: faz com que cada um seja sacerdote;
– O despojamento torna-se riqueza, porque quem serve o Rei não é pobre: faz-se caridade, que é o cume da perfeição;
– Quem se dá em alegria não se desgasta: é profeta, porque converte e anuncia a esperança a todos os homens que se abeirem dele.
S. Cristóvão é, pois, sacramento de serviço, comunhão fraterna e profetismo nesta comunidade que somos chamados a edificar e a renovar, ainda que seja preciso recomeçar todos os dias.
Nisso, é S. Cristóvão o nosso modelo.

(Texto distribuído na Missa da Festa do Padroeiro de Ovar, em 25/7/90). Aguarela da Pintora Beatriz Campos, cuja memória evocámos na última edição do "João Semana".

Artigo publicado no quinzenário ovarense

JOÃO SEMANA (1 de Agosto de 1990)

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