4.7.09

Electricidade em Ovar

TEXTO: Manuel Pires Bastos

Em 1878, Lisboa assistiu a uma experiência de iluminação eléctrica, através de 6 candeeiros de arco voltaico, como os que existiam na avenida da Ópera, em Paris. Foi isto no Largo do Chiado.
Alguns anos depois, em 1889, a Avenida da Liberdade, entre a baixa pombalina e a parte moderna da capital, transformava-se, entre as 21 horas e a 1 hora da madrugada, numa apetecida “zona de passeios nocturnos”. (Antes, e apenas desde 1848, era o gás que iluminava as noites lisboetas.
Só a partir de 1902, porém, com a criação da Central Eléctrica de Santos, que alimentava os carros da recém-criada Carris, e com a construção, pelas antigas Companhias de Gás, da Estação Central da Boavista, outras áreas de Lisboa foram beneficiadas por este melhoramento, que alastrava pelo País fora não só com a abertura da nova Fábrica de Electricidade da Junqueira (1908), da Central do Tejo (1919) e da Central do Castelo do Bode, mas também graças a investimentos particulares que ofereceram a alguns concelhos, redes eléctricas próprias, a partir de geradores privados.

Em Ovar, a primeira experiência de luz eléctrica foi feita em 17 de Outubro de 1913, a partir da central eléctrica da “Companhia Portuguesa de Iluminação e Tracção de Ovar”, na Rua Gomes Freire (actual edifício dos SMAS), com inauguração oficial em 1 de Dezembro seguinte.
Registe-se que Ovar e Espinho foram as primeiras terras do Distrito de Aveiro a beneficiar de distribuição pública da luz eléctrica, tendo o jornal “A Pátria” afirmado, em 8/5/1919, que a vila tinha a melhor luz do país. (cf “Monografia de Ovar”, II, pág. 48-52).


As cerimónias da Semana Santa de 1914 na Igreja de Ovar beneficiaram já da “iluminação profusa, mesmo deslumbrante que por um preço muito razoável e só devido à boa vontade da respectiva e ilustrada direcção, lhe forneceu a fábrica de energia eléctrica”.
Em recente reunião das autarquias locais com responsáveis da EDP, foi focada a necessidade da criação de sub-estações em Ovar, “em função do alargamento da nossa zona industrial”, e a conveniência do aumento da potência, apesar das “dificuldades financeiras que levam a EDP a alguma contenção no investimento”.

Nota: As imagens e respectivas legendas publicadas neste "post" foram retiradas do 2.º volume da Monografia de Ovar, de Alberto Sousa Lamy.

Artigo publicado no quinzenário ovarense
JOÃO SEMANA (15 de Fevereiro de 1991)

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