15.5.09

O Visconde de Ovar

Jornal JOÃO SEMANA (15/06/1998)
TEXTO: Mário Miranda

O número de obras sobre a História Vareira, algumas esgotadas, Não se pode dizer que tenha aumentado nos últimos tempos, razão porque afirmo que o nosso Património Cultural não está mais rico.
Como já aqui disse, os “Almanaques de Ovar”, de 1912 a 1918, do Padre Manuel Lírio e do Padre José Ribeiro de Araújo, podiam ser reunidos num volume, pois têm matéria de muito interesse.

O ilustre dinisiano Manuel Cascais de Pinho, muito conhecedor da História local, é autor de um excelente livro manuscrito, compilado com muita perseverança e uma pormenorizada investigação, sobre o Visconde de Ovar que o levou a consultar o Arquivo Histórico-Militar de Lisboa, Arquivo Distrital de Aveiro e Arquivo da Universidade de Coimbra, bem como pedir elementos à Torre de Tombo e, inclusive, a deslocar-se propositadamente ao cemitério do Alto S. João para localizar e fotografar o jazigo com o brasão desse destemido militar.
Bom seria que o Pelouro da Cultura aproveitasse este valioso trabalho e o fizesse editar a um preço acessível a todas as bolsas. Era mais uma obra que iria valorizar o nosso Património Cultural.
Vou transcrever algumas partes do seu conteúdo – as que considero muito relevantes –, embora fosse minha vontade dar uma maior quantidade de informações, o que só não faço porque o espaço de que disponho não o permite.
Numa casa do tipo século XVIII, com a parte lateral já “modernizada”, sita na que, ao tempo, era denominada Rua do Cruzeiro da Ruela, hoje Visconde de Ovar, e fazendo esquina com a Rua do Sobreiro, agora Camilo Castelo Branco, nascia, em 25 de Dezembro de 1782, aquele que viria a ser o Barão e, mais tarde, o 1.º VISCONDE DE OVAR, ANTÓNIO COSTA E SILVA.

Entrou na Universidade de Coimbra em Outubro de 1798, mas, reconhecendo a pouca vocação que tinha para a vida da advocacia a que seus pais o haviam destinado, abandonou Coimbra e veio assentar praça no regimento de artilharia da Corte, a 10 de Setembro de 1801.
Foram muitos os feitos heróicos deste emérito oficial, sobretudo durante a Guerra Peninsular, tendo-lhe sido concedidas inúmeras condecorações. Assim, entre outras, e ao lado das de comendador da ORDEM DE AVIZ e oficial da ORDEM DA TORRE E ESPADA, possuía medalhas portuguesa e inglesa do comando das batalhas de NIVELLE E ORTAEZ e a cruz das seis campanhas da GUERRA PENINSULAR.
Falecia a 8 de Julho de 1856, pelas sete da tarde. Uma salva fúnebre de quinze tiros dada pela artilharia de campanha no Alto de S. João, secundada por três descargas de fuzilaria, deram sinal à cidade de que um grande do mundo tinha descido à terra da igualdade.
Entre as numerosas personalidades que assistiram ao funeral distinguiam-se o Duque da Terceira, Ministro da Guerra e da Marinha, os ajudantes de campo de El-Rei, os generais que pertenciam ao corpo de artilharia, e um grande número de individualidades da Alta Nobreza.
Aqui fica este breve apontamento. Oxalá ele possa contribuir para a publicação da obra referida, que nos pode dar, a par e passo, o conhecimento deste inesquecível oficial, que ficou para sempre na História Militar Portuguesa.
Não quero terminar este texto sem referir à louvável iniciativa da Direcção do Museu de Ovar que, em 1982, sugeriu ao executivo camarário que fosse colocada na casa do heróico militar vareiro uma lápide comemorativa do 2.º centenário do seu nascimento, ocorrido em 28 de Dezembro de 1782.
A câmara de então ignorou completamente um Homem do Povo que lutou pela liberdade e por ela sofreu o exílio, chegando a ser condenado a morrer na forca!

Artigo publicado no jornal JOÃO SEMANA (15 de Junho de 1998)
http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.pt/2009/05/o-visconde-de-ovar-texto-mario-miranda.html

NOTA: Sugerimos à actual Câmara Municipal de Ovar que, tendo em conta a celebração do 2.º Centenário das Guerras Peninsulares, aceite a sugestão do nosso saudoso colaborador Mário Miranda, publicando o referido manuscrito de Manuel Cascais de Pinho, infelizmente também já falecido.

4 comentários:

Pedro disse...

Caro Fernando Pinto,

Estou a escrever um trabalho sobre uma família do Minho que se ligou por casamento à família do Visconde de Ovar. Gostava de conhecer o brasão do Visconde, pois não consigo encontrar uma descrição do mesmo em nenhum lugar. Chegou a encontrá-lo no Cemitério em Lisboa? Importa-se de mo descrever?
O meu e-mail é:
pedromoraiscoimbra (arroba) portugalmail (ponto) pt

Agradeço antecipadamente qualquer ajuda. Com os melhores cumprimentos,
Pedro Coimbra

Fernando Pinto disse...

Caro Pedro, mal tenha a informação que pretende entrarei em contacto consigo. Abraço e obrigado pela visita!

roberto b disse...

caros leitores,procuro noticia na edição do jornal "joão semana" (junho ,julho ou agosto de 1992,não tenho aerteza do mes).se alguem puder dar indicações de como aceder a estas edições via net,agradecia.

Fernando Pinto disse...

Caro Roberto, envie o seu pedido para o e-mail do jornal "João Semana".

jornaljoaosemana@sapo.pt