12.3.09

A Procissão dos Terceiros há 100 anos

TEXTO (recolha): António Mendes Pinto

Segundo o Semanário regenerador “A Discussão”, de Março de 1903, o Definitório da Ordem Terceira empregou todos os seus esforços para que a Procissão das Cinzas se revestisse de esplendor, fazendo convites especiais para os cargos de directores da procissão.


Houve oferta de adornos e “melhoramentos” nos andores.
O 1.º – de N.ª Sr.ª da Conceição – foi completamente reformado à custa da zeladora D. Rosa Emília de Jesus (imagem retocada, nova peanha em talha dourada, das oficinas do escultor José Soares de Oliveira, do Porto, caixa magnificamente adornada com sanefas de seda branca, ramos de flores e silvas artificiais, e um bouquet, executado “no Colégio dos SS.mos Corações de Jesus, Maria e José de Ovar”).
O 6.º andor – Santo Ivo – recebeu uma almofada de seda roxa para receber a borla de Doutor em Cânones, e ricas flores artificiais, oferta da zeladora D. Teresa Lopes Conde.
O 7.º – S. Francisco nas Silvas – foi igualmente reformado por completo, e a imagem, encarnada de novo, tomou nova posição, sendo o andor substituído por outro de belo efeito, tudo devido à boa vontade da Mesa, da protectora D. Maria Godinho Camossa e de outros benfeitores.
O 8.º – S. Luís, Rei de França – ostentou, pela 1.ª vez, um “esplendor de prata de subido valor”, devido aos esforços da zeladora D. Maria José de Oliveira Pinto.
O 9.º – Santa Isabel de Portugal – recebeu novas flores, custeadas pela ministra irmã D. Maria Araújo de Oliveira Cardoso.
Foram ainda oferecidos um resplendor de prata para Santa Margarida (pelo Irmão Ministro, Dr. João de Oliveira Baptista), “um esplêndido bouquet” (pela filha do anterior, D. Bárbara da Gama Fragoso) e quatro jarras de talha dourada para o andor da Ordem (por uma comissão daquele andor).


Deste histórico relato publicado horas antes da saída da Procissão dos Terceiros, constatamos que, há um século, a Ordem Terceira manifestava grande pujança, conseguindo enriquecer o seu património com peças que certamente poderão ser vistas neste dias, nos andores respectivos.
Achamos ainda pertinente acrescentar um pequeno excerto relacionado com a qualidade das peças artísticas confeccionadas pelas Irmãs Doroteias, sedeadas no Colégio dos Sagrados Corações de Jesus e Maria ( e não de Jesus, Maria e José, como vem escrito, por lapso do jornalista). Ei-lo:
“Para dizer o que sentimos àcerca do valor artístico e fino gosto destes ramos precisávamos de largo espaço e por isso nos limitamos a afirmar que não esperávamos outra cousa das dignas directoras daquele estabelecimento de ensino”.Esse estabelecimento seria fechado anos depois (em 1911) com a expulsão das Religiosas, dando lugar à Santa Casa da Misericórdia de Ovar onde, em 1951, passaram a trabalhar outras Irmãs, do Instituto – note-se a coincidência! – Jesus Maria José.

Artigo publicado no quinzenário ovarense
JOÃO SEMANA (15 de Março de 2003)

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