TEXTO: M. Pires Bastos
Uma carta que recebemos a propósito do texto “Família Meneres visita Ovar” publicado no “João Semana” de 15/8/2002, e relacionado com a visita a Ovar do Eng. Cabral Meneres, residente na capital, mas oriundo da cidade do Porto, dá-nos o ensejo de clarificar alguns dados biográficos dos beneméritos António Ferreira Meneres (pai e filho), naturais de Ovar e origem de uma família ilustre.
Esses dados clarificadores retirámo-los das respectivas certidões de baptismo, que nos foram cedidas por Manuel Cascais de Pinho, e por uma carta que nos foi enviada de Lisboa, em 23/3/1982, por uma descendente dos dois protagonistas desta história (sua bisneta e neta, respectivamente), e são confirmados pelos retratos de um deles, o pai, existentes um na Casa-Museu da Ordem Franciscana de Ovar e outro na Ordem da Trindade, no Porto, e pela referência ao retrato do segundo, o filho, que esteve exposto na Ordem da Trindade, mas cujo paradeiro se desconhece hoje.
Esses dados clarificadores retirámo-los das respectivas certidões de baptismo, que nos foram cedidas por Manuel Cascais de Pinho, e por uma carta que nos foi enviada de Lisboa, em 23/3/1982, por uma descendente dos dois protagonistas desta história (sua bisneta e neta, respectivamente), e são confirmados pelos retratos de um deles, o pai, existentes um na Casa-Museu da Ordem Franciscana de Ovar e outro na Ordem da Trindade, no Porto, e pela referência ao retrato do segundo, o filho, que esteve exposto na Ordem da Trindade, mas cujo paradeiro se desconhece hoje.
António Ferreira Meneres (pai)
Um retrato de António Ferreira Meneres (Pai) que, até ser colocado na Casa-Museu da Ordem Terceira, se encontrava na sacristia nascente da Capela do Calvário, últimas das artísticas capelas dos Passos de Ovar, e que aqui reproduzimos, tem a seguinte legenda: “Ao Insigene Bemfeitor António Ferreira Meneres que dotou a Igreja desta Villa d’Ovar com ricas alfaias. Falleceu no Porto a 21 de Abril de 1860”. É assinado por J. Alberto Nunes Pinto, no Porto, e foi feito no Porto em 1861, por encomenda da Paróquia de Ovar. Anos mais tarde, a Ordem da Trindade dedicou-lhe um quadro idêntico, mas tendo no peito as insígnias daquela instituição, de que também foi destacado membro e grande benfeitor. (Na “História Documental da Ordem da Trindade”, por B. Xavier Coutinho, 1974, vem registada essa homenagem).
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| Assento de Baptismo (14 de Agosto de 1808) |
Segundo a certidão de Baptismo, António Ferreira Meneres (pai) nasceu em Ovar a 12/8/1808 e foi baptizado dois dias depois. É filho de Francisco Ferreira Meneres e de Ana de Oliveira.
Se o apelido Ferreira lhe vem do avô paterno, Bernardo Ferreira, casado com Joana de Oliveira, do Seixal da Arruela, não é explícita a origem do apelido Meneres, já que também não era usado pelos avós maternos, Manuel de Oliveira Luzes e Antónia de Oliveira, da Rua do Pinheiro da Arruela. Nem o usavam os padrinhos, António de Oliveira Luzes, da Rua do Cruzeiro da Ruela, e Maria, filha de João Pereira Gomes, da Rua do Pinheiro da Ruela, nem as testemunhas, José Rodrigues da Graça Pombo e João de Oliveira Dias (Livro B-45 de Baptismos de S. Cristóvão de Ovar – Anos 1805 – 08, f.ª 321v.º, Arquivo Distrital de Aveiro).
Se o apelido Ferreira lhe vem do avô paterno, Bernardo Ferreira, casado com Joana de Oliveira, do Seixal da Arruela, não é explícita a origem do apelido Meneres, já que também não era usado pelos avós maternos, Manuel de Oliveira Luzes e Antónia de Oliveira, da Rua do Pinheiro da Arruela. Nem o usavam os padrinhos, António de Oliveira Luzes, da Rua do Cruzeiro da Ruela, e Maria, filha de João Pereira Gomes, da Rua do Pinheiro da Ruela, nem as testemunhas, José Rodrigues da Graça Pombo e João de Oliveira Dias (Livro B-45 de Baptismos de S. Cristóvão de Ovar – Anos 1805 – 08, f.ª 321v.º, Arquivo Distrital de Aveiro).
Assento de Casamento de Domingos Ferreira com Theresa Ferreira (19/9/1739)
“Aos dezanove dias do mes de Setembro de mil setecentos e trinta e nove annos de manha nesta parochial Igreja de San Christovam da villa de Ovar feitas primeyro nella as tres canonicas dennunciações matrimoniais na forma do Sagrado Concílio Tridentino e Constituições do Bispado, sem resultar impedimento algum canonico em presença de mim o coadjutor o Licenciado Manuel da Costa Ruella e das testemunhas abaixo assignadas se casaram por palavras de presente in facie Eclesiae.
Domingos Ferreira filho de Manuel Ferreira e de sua mulher Francisca de Oliveira já defuntos com Thereza Ferreira filha de Joam Ferreira já defunto e de sua molher Esperança Ferreira, todos da Rua dos Ferradores desta freguesia. E logo lhes dei as bençois matrimoniais na forma do costume e por ser verdade fiz [este assento] que assinei com as testemunhas abaixo era ut supra.
O coadjutor o L.do Manuel da Costa Ruella
Francisco Pereira Anador
Ventura Dias de Resende”
À margem: Domingos Ferreira com Thereza Ferreira
Arquivo Dist. de Aveiro
Ovar c-77 fl.ª 79
Segundo Arada e Costa (“Lembrando Dois Beneméritos”, em “Notícias de Ovar” de 19/8/1982), este primeiro Ferreira Meneres, “nascido e criado ali à entrada da Rua da Oliveirinha, foi novo para o Porto”. (…) É de aceitar a tradição oral que o encaminha, desde a sua chegada ao Porto, para o ramo vinícola, onde prospera, a ponto de se tornar um reconhecido benemérito daquela cidade (Ordem da Trindade, de que foi Irmão Terceiro, e Igreja de S. Nicolau).
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| Assento de casamento de António Ferreira Meneres (pai), em 23/11/1828, com Maria de Jesus (Maria de Oliveira Luzes no assento de Óbito) em Ovar, em 23 de Novembro de 1825 |
Em Ovar, dotou a Igreja com um guarda-vento e com um artístico presépio de António Teixeira Lopes, com oficina no Porto (mais tarde em Gaia, na Fábrica das Devesas), e deixou ao Hospital de Ovar (hoje Escola dos Combatentes) avultadas quantias, e à Irmandade dos Passos preciosas alfaias.
Diz João Frederico (“Memórias e Datas para a História de Ovar”): “O nosso culto religioso perdeu nele um beneficente abrilhantador. Este homem aventuroso não só tinha singulares aparências mas ainda a grandeza de alma e as sólidas virtudes de verdadeiro cristão”.António Ferreira Meneres (filho)
Segundo o assento de baptismo, António Ferreira Meneres, filho de António Ferreira Meneres e de Maria de Oliveira Lírio, da Rua das Figueiras (actual Rua Dr. José Falcão), nasceu em 26/4/1830 e foi baptizado a 28 do mesmo mês pelo Coadjutor José de Santo Inácio e Sousa.
Os avós paternos são os citados Francisco Ferreira Meneres e Ana de Oliveira, da Rua do Pinheiro, e os maternos Francisco Pereira dos Santos e Antónia de Oliveira, da Rua das Figueiras. Foram padrinhos o P.e António Ferreira, por procuração de António André Godinho, e a avó materna, sendo testemunhas o P.e João Carlos da Costa Nunes e Manuel Francisco da Fonseca Bonito (Arq. Dist. de Aveiro, Baptismos Ovar 1829-33, cota n.º 52).
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| Fotos de Márcio Santos, de Castelo Branco |
Elucida-nos sua neta D. Maria Vitória Cabral Ferreira Meneres, em carta que nos enviou em 23/3/1982, a nosso pedido, que este seu avô foi o fundador da empresa de vinhos do Porto António Ferreira Meneres, há anos extinta, e que casou em Cedofeita, Porto, em 9/2/1863, com Isabel Maria da Cunha, de quem teve vários filhos. Distinguido por D. Luís I com os títulos de Comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, (Decreto de 26/1/1878), e de Fidalgo Cavaleiro da Casa Real (Alvará de 10/1/1887) e com Carta de Brasão de armas emitida a 20/12/1887.
Armando de Mattos, em “Brasonário de Portugal”, Livraria Fernando Machado, Porto, 1940, na página 167, sob o n.º 679, faz a seguinte leitura do brasão:
Descrição das armas novas de António Ferreira Meneres (filho) - Um escudo partido em pala: na 1.ª, em campo de ouro, um caducéu vermelho com duas serpentes da sua cor, e na 2.ª, em campo azul, uma cornucópia lançando uvas e moedas de ouro, tendo por suportes dois grifos de ouro. Timbre: a cornucópia deitando moedas de ouro.
Sobre as benemerências de Ferreira Meneres (Filho), afirmava o historiador ovarense João Frederico Teixeira de Pinho: “No coro da Igreja, que é regular e modesto, figura um pequeno órgão oferecido, em 1862, por António Ferreira Meneres, seguidor das pisadas de seu pai, cuja memória assim vai honrando”.
Faleceu no Porto, havendo Missa de 7.º dia e responso em Ovar em 24 Setembro de 1888, e exéquias solenes em 29/11/1888 na Igreja da Trindade (Porto), de cuja ordem foi dirigente e benemérito.
Ver "Os Ferreira Meneres de Ovar (pai e filho) Irmãos Terceiros da Ordem da Trindade (Porto)"
Os descendentes
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| José Manuel F. Bessa, descendente de António Ferreira Meneres, a viver na Rússia |
Dos filhos do casal António Ferreira Meneres (filho) e de D. Isabel Maria da Cunha, casados na Igreja de Santo Ildefonso em 9/2/1863, destacamos o primeiro e o último:
António, com duas filhas (Eugénia e Lurdes, esta já falecida, com numerosa geração),
e Eugénio Ferreira Meneres, nascido em Cedofeita (Porto) e casado, em 25/2/1897, em Santa Isabel, Lisboa, com Maria Vitória Cabral Teixeira de Queiroz, filha do Par do Reino Cons. Basílio Cabral Teixeira de Queiroz e de Elvira Lobo Teixeira de Queiroz, da Quinta do Mirante, no Porto. Deste casal houve 3 filhos: Basílio, falecido em criança, Eugénio Luís Cabral Teixeira de Queiroz Ferreira Meneres, engenheiro agrónomo, casado e, entretanto, falecido, e Maria Vitória Cabral Ferreira Meneres, a nossa informadora, que nos esclarece ainda:
"As famílias descendentes legítimas dos Ferreira Meneres são, actualmente, representadas por nós, Cabral Meneres, e pelas primas Meneres Borges, Meneres Bessa e Meneres Caldeira".
António, com duas filhas (Eugénia e Lurdes, esta já falecida, com numerosa geração),
e Eugénio Ferreira Meneres, nascido em Cedofeita (Porto) e casado, em 25/2/1897, em Santa Isabel, Lisboa, com Maria Vitória Cabral Teixeira de Queiroz, filha do Par do Reino Cons. Basílio Cabral Teixeira de Queiroz e de Elvira Lobo Teixeira de Queiroz, da Quinta do Mirante, no Porto. Deste casal houve 3 filhos: Basílio, falecido em criança, Eugénio Luís Cabral Teixeira de Queiroz Ferreira Meneres, engenheiro agrónomo, casado e, entretanto, falecido, e Maria Vitória Cabral Ferreira Meneres, a nossa informadora, que nos esclarece ainda:
"As famílias descendentes legítimas dos Ferreira Meneres são, actualmente, representadas por nós, Cabral Meneres, e pelas primas Meneres Borges, Meneres Bessa e Meneres Caldeira".
Outros Meneres
Existe uma outra família que usa o apelido Meneres (Clemente Meneres) que nada tem a ver connosco, nem descende dos meus antepassados de Ovar – Ferreira Meneres”.
Segundo M. Antonino Fernandes em “Carvalhos de Basto” (vol. VIII, 1998), pág. 454 e segs., e a Enciclopédia Portuguesa e Brasileira (vol. XVI, pág. 918-919), os Carvalhos Meneres, Pinto Meneres e Fonseca Meneres, por exemplo, descendem de Clemente Meneres, nascido em 1843 na Casa da Cruz, Feira, e falecido no Porto a 27/4/1916, senhor da Quinta do Romeu (Mirandela), adquirida a partir de 1874, depois de comerciar no Brasil e no Porto, e de sua mulher e prima D. Maria da Glória Guimarães.
Artigo publicado no quinzenário ovarense
JOÃO SEMANA (1 de Outubro de 2002)
Nota:
Dado que este tema tem suscitado bastante interesse por parte dos nossos leitores, o texto original tem vindo a ser enriquecido com novos elementos, alguns enviados por José Manuel F. Bessa (descendente de António Ferreira Meneres, hoje a viver em Moscovo), a quem agradecemos a cedência do quadro com a foto de António Ferreira Meneres (filho) e o brasão de armas aqui editados.
Existe uma outra família que usa o apelido Meneres (Clemente Meneres) que nada tem a ver connosco, nem descende dos meus antepassados de Ovar – Ferreira Meneres”.
Segundo M. Antonino Fernandes em “Carvalhos de Basto” (vol. VIII, 1998), pág. 454 e segs., e a Enciclopédia Portuguesa e Brasileira (vol. XVI, pág. 918-919), os Carvalhos Meneres, Pinto Meneres e Fonseca Meneres, por exemplo, descendem de Clemente Meneres, nascido em 1843 na Casa da Cruz, Feira, e falecido no Porto a 27/4/1916, senhor da Quinta do Romeu (Mirandela), adquirida a partir de 1874, depois de comerciar no Brasil e no Porto, e de sua mulher e prima D. Maria da Glória Guimarães.
Artigo publicado no quinzenário ovarense
JOÃO SEMANA (1 de Outubro de 2002)
Nota:
Dado que este tema tem suscitado bastante interesse por parte dos nossos leitores, o texto original tem vindo a ser enriquecido com novos elementos, alguns enviados por José Manuel F. Bessa (descendente de António Ferreira Meneres, hoje a viver em Moscovo), a quem agradecemos a cedência do quadro com a foto de António Ferreira Meneres (filho) e o brasão de armas aqui editados.










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