É sempre interessante dizer alguma coisa da história das Oficinas de Obras Metálicas de Ovar, de que já não há vestígios físicos, pois tudo foi arrasado.
Deram pão a muitos vareiros, mas também a famílias de fora, que por aqui criaram raízes. (Ainda hoje há entre nós excelentes artistas descendentes desses grandes artífices).
Porque lá trabalhei durante dois anos, posso contar um pouco da sua vida.
Foi principalmente nos anos 30 e 40 que as Oficinas se desenvolveram, sobretudo quando as linhas ferroviárias do Minho, Douro, Sul e Sudeste passaram para a CP e se fizeram, em Portugal, inúmeras pontes e muitas obras de arte na rede ferroviária.
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| Oficinas de Obras Metálicas de Ovar |
O chefe geral das Oficinas era o muito conhecido Gaioso, que tinha residência na casa da CP próxima da passagem de nível de S. João, onde se situava a primitiva capela de S. Sebastião, casa que ainda hoje existe. Tinha três filhas, uma das quais casou com o engenheiro Frederico Abragão, que sempre foi o chefe principal dos Serviços Centrais de Engenharia de Lisboa, onde se executavam os projectos para a construção de pontes que, como as outras obras de arte, eram montadas nas Oficinas de Obras Metálicas de Ovar.
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| Oficinas de Obras Metálicas de Ovar |
No extremo das oficinas havia um Grande Plano, para onde, e após uma rigorosa interpretação, os projectos que vinham de Lisboa eram transferidos e convertidos em tamanho natural.
Passava-se, depois, às cantoneiras e chapas, que eram perfuradas e cortadas, seguindo, no seu conjunto, até à linha de montagem. (Neste vai-vem, muitas mais “voltas” o material tinha que levar).
Mas faziam-se outras peças, como Tirefonds e grandes parafusos.
Nos últimos tempos, uma siderurgia alemã fornecia fortes vigas já confeccionadas nos tamanhos necessários para serem usadas nos tramos inferiores, o que poupava mão-de-obra e oferecia maior segurança e duração.
Além da construção de pontes, nas oficinas de Ovar produziam-se e reparavam-se as mais variadas peças utilizadas ao longo da via-férrea, particularmente o que se relacionasse com as agulhas de sinalização, básculas, placas giratórias, aparelhos de dilatação para as pontes, e os simpáticos “Crossmas”, aparelhos trabalhados com o mais variado material e montados em todo o percurso ferroviário e que eram produzidos ou reparados nas Oficinas de Obras Metálicas.Durante dois anos estive nos serviços de traçagem no Grande Plano, tendo feito trabalhos para pequenas pontes. Depois de alguma prática, o contramestre Caridade entregou-me um serviço de maior responsabilidade, o tramo superior da ponte sobre o rio Ave, na Trofa. Foi um trabalho completo, com o risco directo do plano para cantoneiras e chapas, sendo estas perfuradas e cortadas até à conclusão da sua montagem.
Felizmente não houve qualquer problema.
Foi o meu último trabalho nas Oficinas de Obras Metálicas, donde segui para a Escola Industrial Afonso Domingues, em Lisboa, para concluir o curso de máquinas e tirar o curso complementar de Electricidade e Telecomunicações, que me havia de abrir outras portas.
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| O que resta das antigas Oficinas de Obras Metálicas de Ovar [FOTO: jornalista Fernando Pinto] |
http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.pt/2008/09/um-pouco-da-histria-das-oficinas-de.html



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