21.4.08

Uma achega de tomo para a história da Matriz de Ovar (III)

Jornal JOÃO SEMANA (15/02/1988)
TEXTO: Manuel Pires Bastos

Do caderno de documentos relativos à construção da Igreja de Ovar consta o respectivo «caderno de encargos», denominado «Apontamentos para a Igreija da Villa de Ovar», sem data, mas anterior a 1834.
Nestes «Apontamentos» é referido o «Risco» de 1804 (cf. «João Semana» de 15/1/1988), com a indicação de que poderia ser alterado por intervenção do Inspector.
É natural que fosse este Inspector a solicitar a nova versão de projecto, nunca anterior a 1833 ou 1834.
Nestes «Apontamentos para a Igreija da Villa de Ovar», especificam-se os trabalhos a realizar na nova Matriz por pedreiros, carpinteiros e trolhas, ali se encontrando alguns dados de muito interesse, como, por exemplo:
– A altura será de 58 palmos, «desde a sapata até à cimalha rial»;
– as torres não terão os «balaústres que o risco mostra, e terão as janelas, ou frestas que o Inspector determinar». (A referência aos balaústres mostra que nesta altura só havia a planta de 1804);
– os alicerces do frontispício e ilhargas das torres terão 12 palmos de profundidade e 8 de largo «até à sapata», e a parede terá a grossura de 7 palmos;
– em lugar de 1 janela «que mostra o risco», levará duas, com a altura e a largura das da Capela-Mor, tendo entre ambas um nicho da mesma altura e «com a elegância necessária, e cúpula de conxa como o Inspector determinar»;
– terá 2 portas travessas «da altura e largura como as que tem, ou como lhe destinar o Inspector»;
terá «quatro frestas por banda, das padieiras direitas», como as da Capela-Mor;
as paredes terão, em cima, «a competente cimalha como a da Capela do Santíssimo Sacramento»;
– «as paredes das arcadas e empena do Arco Cruzeiro serão elevadas…»;
– as paredes interiores levarão, «no prume de cada columna huma linha de ferro da groçura e feitio das que tem…»;
estas linhas de ferro sairão fora das paredes exteriores… (À margem, há a seguinte anotação: «Falta»).
Uma das torres terá escada de caracol e um vão para o relógio;
Outra terá, em baixo, o Baptistério;
A Igreja será tapada com madeira pelo sítio dos Arcos, com porta debaixo do coro, «de sorte que fica vedado athe durar a obra»;
o arrematante poderá usar a pedra e materiais que são da Igreja antiga.
«a porta principal será a mesma e quando não possa servir o Inspector determinará como hade ser»;
«a armação da Igreja será toda infreixaelada, em freixaes de serne de carvalho…»;
a telha que faltar será da melhor…;
Em advertência: «os altares laterais tornar-se-ão a por na maneira em que estão qu.do algum delles se desmanche».

Desenho do interior da Igreja de Ovar, do Arquitecto Luís Inácio de Barros Lima, por certo feito em 1804, quando do 1.º «Risco» do frontispício, de sua autoria. A arquitectura aqui apresentada deverá corresponder, pelo menos aproximadamente, à arquitectura do templo anterior, do século XVII, em cujos alicerces assentou o actual, que acabou por ser mais levantado

Artigo publicado no jornal JOÃO SEMANA (15 DE FEVEREIRO DE 1988) 

http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.pt/2008/04/uma-achega-de-tomo-para-histria-da_21.html


LEIA TAMBÉM OS SEGUINTES TEXTOS:
- Uma achega de tomo para a história da Matriz de Ovar (IV)
http://artigosjornaljoaosemana.blogspot.pt/2008/04/uma-achega-de-tomo-para-histria-da_5880.html

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